Veja o resumo da notícia

  • Início precoce em negócios familiares impulsiona jovens líderes, que enfrentam desafios para conquistar legitimidade e reconhecimento.
  • Adoção de tecnologia e foco no cliente são prioridades para líderes do mercado imobiliário, visando inovação e excelência no atendimento.
  • Superar o estigma de 'filha do dono' exige tempo, resultados consistentes e a construção de uma liderança baseada no respeito.
  • Liderança feminina valoriza a construção de relações de confiança, reconhecendo o impacto positivo na gestão e nos resultados.
A apresentadora Angélica conversa sobre sucessão familiar e liderança feminina com Fabiane Souza, diretora da Clarim Imóveis, de Campo Largo (PR); Adriana Magalhães, da Céu-Lar Netimóveis; e  Nicole Zampieri, da Zampieri Imóveis. Imagem: Divulgação
A apresentadora Angélica conversa sobre sucessão familiar e liderança feminina com Fabiane Souza, diretora da Clarim Imóveis, de Campo Largo (PR); Adriana Magalhães, da Céu-Lar Netimóveis; e Nicole Zampieri, da Zampieri Imóveis. Imagem: Divulgação

O ponto de partida das três lideranças é comum e simbólico: todas começaram muito jovens. Ainda adolescentes, já circulavam entre contratos, clientes e rotinas empresariais, dentro de negócios familiares. Mas o que poderia ser visto como vantagem virou, na prática, um teste permanente de legitimidade.

No encerramento da Convenção Loft/ Portas, a apresentadora Angélica conversou com três mulheres que inspiram no mercado imobiliário. “A mudança dentro da empresa que tem a ver comigo é tecnologia, com certeza”, afirma Fabiane Souza, diretora da Clarim Imóveis, de Campo Largo (PR).

Após duas imersões no Vale do Silício, a executiva voltou ao Brasil cheia de ideias. “Admito que acabei tentando fazer mudanças muito rápidas e tive que pisar no freio. A virada de chave agora está sendo feita passo a passo. Em outubro, completamos 35 anos, e meu pai deve sair totalmente da operação”, explica Souza.

No caso da executiva Adriana Magalhães, da Céu-Lar Netimóveis, de Belo Horizonte, “exigência” é a palavra que mais bem a define. “Como sou muito exigente, atender aos padrões de excelência em todos os processos da empresa é fundamental. Não abro mão disso. Sou detalhista. Os nossos valores são inegociáveis”, afirma.

Em Maceió, na Zampieri Imóveis, o foco está sempre no cliente. “Para nós, tanto o locador quanto o locatário estão no centro da operação. O que mais gosto é quando um locatário, após virar proprietário, volta para nós para deixar o imóvel dele conosco. Ele costuma dizer que gostou muito de como foi tratado e, por isso, está de volta”, afirma Nicole Zampieri, diretora da imobiliária alagoana, que também trabalha desde a juventude na empresa.

Destaques: liderança feminina na prática

Fabiane Souza (Clarim/PR)Foco em tecnologia e inovação inspirada no Vale do Silício, com transição gradual de comando.
Adriana Magalhães (Céu-Lar/MG)Foco em exigência e excelência, com valores inegociáveis nos processos internos.
Nicole Zampieri (Zampieri/AL)Foco na experiência do cliente e na construção de legitimidade diária além da governança formal.

O peso do sobrenome

No mercado imobiliário, onde empresas familiares são comuns, o desafio vai além da gestão. Envolve identidade: como deixar de ser “a filha do dono” para se tornar, de fato, líder? Esse foi outro tema relevante levantado pela apresentadora Angélica na conversa.

A resposta passa por uma ruptura simbólica — e prática. Dentro da empresa, o pai deixa de ser “pai” e passa a ser tratado como qualquer outro executivo. A relação pessoal precisa dar lugar à profissional. Mas isso não resolve tudo. A construção de autoridade exige tempo, consistência e, sobretudo, resultados.

“Meus pais, desde cedo, e eu sou eternamente grata por isso, me ensinaram que sucessão é muito mais do que a governança da empresa ou toda a parte formal. Não adianta, depois de muito tempo, simplesmente chegar e dizer: ‘agora eu sou a sucessora’. É preciso, de fato, conhecer o negócio e conquistar o respeito. Não só dos clientes, mas também das pessoas que estão ali dentro, que me viram crescer desde os 17 anos, quando comecei a entender o que tudo isso significava e, aos poucos, assumir um papel de liderança. Meus pais sempre foram muito felizes ao reforçar que, antes de qualquer discussão sobre governança, advogados ou estruturas formais, vem algo essencial: ser respeitada, dominar o que faz e construir essa legitimidade no dia a dia. É algo que ninguém ensina, nenhuma consultoria entrega e que só se conquista com o tempo”, afirma Nicole.

A questão de deixar de ser invisível ( por ser mulher e, muitas vezes, da família do dono) é algo que permeia o dia a dia das três participantes da conversa.

Para a apresentadora Angélica, são jornadas que, apesar de marcadas por tentativa e erro, reforçam um dos traços centrais do chamado “DNA feminino” na gestão: a construção relacional da liderança, baseada em confiança e reconhecimento, e não apenas em hierarquia.

Eduardo Geraque
Eduardo Geraque

Repórter colaborador

Eduardo Geraque é jornalista com mais de três décadas de experiência em coberturas de economia, cidades, meio ambiente, ciência e esportes. Atuou por 12 anos na Folha de S.Paulo, onde foi repórter de cidades, meio ambiente e esportes, participando de grandes reportagens sobre temas como crise hídrica, desastres ambientais e eventos esportivos internacionais — incluindo a Copa do Mundo da Rússia e a Olimpíada do Rio. Mestre em Oceanografia e doutor em Jornalismo Ambiental, é colaborador do Portas, Estadão, Valor Econômico e InfoAmazonia — com este último, venceu o Prêmio Rei da Espanha pelo projeto Engolindo Fumaça.

Eduardo Geraque é jornalista com mais de três décadas de experiência em coberturas de economia, cidades, meio ambiente, ciência e esportes. Atuou por 12 anos na Folha de S.Paulo, onde foi repórter de cidades, meio ambiente e esportes, participando de grandes reportagens sobre temas como crise hídrica, desastres ambientais e eventos esportivos internacionais — incluindo a Copa do Mundo da Rússia e a Olimpíada do Rio. Mestre em Oceanografia e doutor em Jornalismo Ambiental, é colaborador do Portas, Estadão, Valor Econômico e InfoAmazonia — com este último, venceu o Prêmio Rei da Espanha pelo projeto Engolindo Fumaça.