Veja o resumo da notícia
- A primeira visita a um imóvel ocorre digitalmente, influenciando diretamente as chances de venda ou locação.
- Fotos escuras ou ambientes desorganizados reduzem o interesse, enquanto apresentações profissionais atraem mais visualizações.
- O tour virtual 360° permite navegação digital pelos ambientes, oferecendo uma percepção mais realista do espaço.
- A tecnologia, já usada em museus, ganha destaque no mercado imobiliário para atrair compradores qualificados.
- O custo de um tour virtual pode variar, mas um valor de referência é R$ 3 mil, dependendo da metragem e urgência.
- Profissionais do setor relatam que tours virtuais aumentam o interesse e a retenção de clientes em sites de imobiliárias.
- Medidas de segurança, como remoção de objetos pessoais e restrição de acesso, minimizam riscos em tours virtuais.
- Imóveis de alto padrão e desocupados são os que mais se beneficiam do recurso, embora possa ser usado em qualquer segmento.

Em um mercado cada vez mais digital, a primeira visita ao imóvel acontece na tela do celular ou do computador. Antes de entrar em contato com um corretor, o usuário costuma analisar dezenas de anúncios, comparar opções e eliminar aqueles que não despertam interesse visual, o que influencia diretamente nas possibilidades de venda ou locação.
“É comum observar que imóveis com apresentação profissional recebem mais visualizações”, afirma Anderson Cardoso, videomaker do Instituto Brasileiro de Educação Profissional do Estado de São Paulo (IBRESP).
Nesse contexto, fotos escuras, ambientes desorganizados ou imagens de baixa qualidade podem reduzir significativamente as chances de um imóvel avançar na jornada do consumidor.
Por outro lado, destaca Cardoso, anúncios com fotografias profissionais, vídeos bem produzidos e recursos como o tour virtual 360° ajudam a transmitir mais confiança e a atrair leads potencialmente mais qualificados.
Neste artigo, o Portas reuniu dicas de profissionais do setor sobre como produzir anúncios mais atrativos sem cruzar limites éticos.
A seguir, confira:
- O que é um tour virtual 360°?
- Quanto custa fazer um tour virtual?
- O tour virtual aumenta as possibilidades de venda?
- Quais medidas de segurança precisam ser adotadas ao realizar um tour virtual?
- Quais imóveis mais se beneficiam de um tour virtual?
- Como fotos profissionais ajudam a destacar um anúncio de imóvel?
- Como produzir fotos imobiliárias mais atrativas?
- Como combinar fotos, tour virtual e descrição do anúncio?
- Quais os limites para o uso de inteligência artificial?
- Quadro comparativo: qual a diferença entre fotos, vídeos e tour virtual?
- Perguntas frequentes
O que é um tour virtual 360°?
O tour virtual 360° é uma tecnologia que permite ao usuário navegar digitalmente pelos ambientes do imóvel, seja por meio de um computador, tablet ou smartphone.
Ao contrário de uma galeria tradicional de fotos ou de um simples vídeo, o visitante pode explorar os cômodos em diferentes direções e ter uma percepção mais próxima da experiência presencial.
A tecnologia já é usada há alguns anos por museus e espaços de visitação — como a pinacoteca do estado de São Paulo, por exemplo, e por instituições culturais brasileiras.
Já no mercado imobiliário, embora ainda não seja amplamente utilizado no Brasil, o tour virtual tem ganhado destaque como meio de atrair compradores com interesse real na compra.
“Nos últimos anos houve um aumento significativo na procura por soluções que permitam visitas remotas e uma análise mais detalhada do imóvel antes da visita presencial” , pontua Anderson Cardoso, videomaker do IBRESP.
“Proprietários valorizam a capacidade de destacar seus imóveis de forma mais profissional, enquanto compradores e locatários ganham praticidade ao filtrar melhor as opções, economizando tempo e deslocamentos desnecessários.”
Outro grande atrativo do tour virtual, segundo Cardoso, é a capacidade de transferir ao cliente o controle sobre a visitação.
“Diferente de um vídeo, que segue um roteiro definido pelo produtor, o tour virtual coloca o controle nas mãos do visitante, proporcionando uma percepção mais realista do espaço, das dimensões e da distribuição dos ambientes” .
Quanto custa fazer um tour virtual?
Um valor de referência em junho de 2026 para o preço de um tour virtual é R$ 3 mil, mas o valor pode variar a depender da metragem, tipo de imóvel e urgência na entrega.
O tour virtual aumenta as possibilidades de venda?
Aunque ainda não seja uma tecnologia amplamente utilizada no Brasil, profissionais que trabalham em diferentes ramos do mercado imobiliário relataram ao Portas um maior interesse de clientes por anúncios com esse tipo de tecnologia.
O fotógrafo Favaro Jr, especializado em fotografia de arquitetura e decoração, relatou que recorreu ao tour virtual na venda do próprio apartamento e atribuiu à ferramenta a rapidez na concretização do negócio.
“Eu fiz um tour virtual do meu apartamento e vendi muito mais rápido [do que outros proprietários do mesmo condomínio] e, principalmente, sem pessoas entrando na minha casa ”, conta.
“Eu tinha fotos boas e um tour virtual que permitia até tirar medidas. Então não tinha razão para alguém vir até minha casa se não estivesse realmente interessado. A primeira pessoa que foi lá não concluiu a compra por causa do financiamento. A segunda pessoa que foi visitar, comprou” .
O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, também relata que profissionais do setor têm observado que anúncios de imóveis com tour virtual são capazes de reter os clientes por períodos maiores nos sites das imobiliárias.
Quais medidas de segurança precisam ser adotadas ao realizar um tour virtual?
O fotógrafo Favaro Jr acredita que um dos principais empecilhos para uma maior popularização do tour virtual no Brasil é o receio com relação à segurança, sobretudo nos segmentos de alto padrão.
Embora o ideal seja utilizar essa tecnologia em imóveis desocupados, existem maneiras de minimizar os riscos.
“Objetos pessoais, documentos, fotografias de família, placas de veículos e outros elementos sensíveis podem ser removidos ou desfocados antes da publicação” , aconselha o videomaker Anderson Cardoso.
“Além disso, é possível restringir o acesso ao tour por meio de senhas ou disponibilizá-lo apenas para clientes previamente qualificados, narrowing a exposição pública do imóvel” .
Quais imóveis mais se beneficiam de um tour virtual?
Embora o recurso possa ser utilizado em praticamente qualquer imóvel, alguns segmentos costumam apresentar maior potencial de retorno. São eles:
- Imóveis de alto padrão: compradores costumam analisar muitos detalhes antes de agendar visitas.
- Imóveis para investidores: o tour facilita análises iniciais e amplia o alcance geográfico.
- Lançamentos imobiliários: ajuda a demonstrar plantas e espaços decorados.
- Imóveis comerciais: empresas podem avaliar previamente a adequação do espaço.
- Casas de temporada e imóveis turísticos: permitem que clientes conheçam melhor o imóvel antes da reserva.
Como produzir fotos imobiliárias mais atrativas?
O primeiro passo é preparar o imóvel antes da sessão para garantir que o ambiente pareça limpo e organizado.
“O que eu percebo muito é justamente uma uma falta de cuidado, às vezes, na organização: as pessoas não fazem uma produção mínima como, por exemplo, arrumar a cama” , pondera o fotógrafo Favaro Jr.
Algumas dicas práticas são:
- retirar o excesso de objetos pessoais ou decorativos;
- abrir cortinas e janelas para aproveitar a luz natural;
- corrigir pequenos problemas visuais que possam chamar a atenção negativamente nas imagens.
Isso pode significar, por exemplo, esconder fios aparentes ou trocar lâmpadas queimadas.
A escolha dos ângulos também merece atenção. O objetivo é transmitir ao potencial comprador ou locatário uma percepção clara da amplitude e da funcionalidade dos espaços.
Por isso, especialistas recomendam priorizar enquadramentos horizontais, sobretudo com fotos que evidenciem a integração dos espaços e ajudem o usuário a entender melhor a planta e o fluxo do imóvel.
Além disso, a seleção e a ordem das imagens influenciam diretamente a experiência de quem navega pelo anúncio.
Para Favaro Jr, o ideal é enfatizar as áreas comuns do imóvel — como sala de estar, área externa, cozinha e sala de jantar.
Esses ambientes devem aparecer e um anúncio antes de áreas mais íntimas, como quartos e banheiros.
Ao fotografar um ambiente, o IBRESP recomenda posicionar-se em um de seus cantos e manter a câmera (ou celular) na altura da maçaneta.
Considere que isso contribuirá para a sensação de que o espectador daquela foto está dentro do ambiente.
Se o seu imóvel possui uma vista ou área externa, considere também que fotografá-lo em dias ensolarados pode ser produzir fotos mais interessantes.
E, se a sua câmera ou celular possuir a função HDR (High Dynamic Range), considere ativá-la para conseguir um melhor contraste — embora em muitos aparelhos modernos essa função já seja aplicada automaticamente.
Quais erros mais prejudicam fotos imobiliárias?
Alguns problemas aparecem com frequência em anúncios:
- Ambientes escuros;
- Fotos tremidas;
- Excesso de objetos pessoais;
- Imagens em baixa resolução;
- Ângulos que dificultam a compreensão dos espaços;
- Sequência desorganizada das fotos.
Quais os limites para o uso de inteligência artificial?
Com o avanço da IA, é normal que a tecnologia seja utilizada por proprietários e imobiliárias durante a elaboração de um anúncio.
Ferramentas desse tipo têm sido usadas para retoques simples, como ajustes de iluminação em fotografias, ou para a elaboração dos textos descritivos.
Para o videomaker Anderson Cardoso, trata-se de uma solução válida quando utilizada para ajudar o cliente a visualizar possibilidades de decoração, mobília ou aproveitamento dos espaços, por exemplo, desde que essas alterações sejam claramente identificadas como simulações.
“O problema surge quando recursos digitais modificam características estruturais do imóvel ou ocultam defeitos sem transparência, criando uma expectativa que não corresponde à realidade” , avalia.
José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP, concorda e relembra críticas antigas feitas ao setor imobiliário quando incorporadores alteravam proporções em anúncios de jornal, por exemplo, para dar uma falsa impressão de maior amplitude.
“É um aspecto que considero extremamente ruim. Prejudica a imagem do corretor e da imobiliária, afinal comprar um imóvel é algo muito sério. É um bem de difícil liquidez e o comprador não pode ser induzido a comprar aquilo que não está adequado” .
Quadro comparativo: qual a diferença entre fotos, vídeos e tour virtual?
| Recurso | Fotos profissionais | Vídeo imobiliário | Tour virtual 360° |
|---|---|---|---|
| Custo de produção | Baixo a médio | Médio | Médio a alto |
| Nível de imersão | Médio | Alto | Muito alto |
| Qualificação do lead | Média | Média | Alta |
| Tempo de permanência no anúncio | Médio | Médio | Alto |
Perguntas frequentes
Posso fazer um tour virtual usando apenas o celular?
Existem aplicativos que permitem criar experiências simples, mas resultados profissionais geralmente exigem equipamentos específicos.
Fotos profissionais realmente aumentam as chances de venda?
Sim. Em geral, anúncios com apresentações melhores apresentam maiores taxas de cliques e são capazes de reter o usuário por mais tempo.
Vale a pena investir em tour virtual para imóveis de aluguel?
Dependendo da localização, concorrência e perfil do imóvel, o recurso pode ajudar a atrair mais interessados e reduzir períodos de vacância.
Qual é mais importante: fotos ou tour virtual?
As fotos continuam sendo fundamentais porque são o primeiro elemento visual que o usuário vê.
O tour virtual funciona como um complemento que aprofunda a experiência.







