Veja o resumo da notícia

  • 40% dos entrevistados em uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica já deixaram de considerar um imóvel ou região por riscos climáticos, índice que era de 22% no ano passado.
  • O risco de enchente ou alagamento é o principal motivo citado (31%), seguido por sensação térmica e falta de áreas verdes.
  • 69% dos entrevistados acreditam que suas cidades não estão preparadas para as mudanças climáticas, e 61% avaliam o mesmo sobre o setor imobiliário.
  • A região Sul é a mais influenciada pelos riscos climáticos na escolha de moradia, com 51% dos moradores descartando imóveis por esse motivo.
  • Imóveis com soluções sustentáveis são vistos como valorizados no futuro por 66% dos entrevistados, especialmente no Nordeste e Centro-Oeste/Norte.
  • Áreas verdes próximas, boa arborização e conforto térmico são os atributos ambientais mais valorizados em futuras moradias.
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Entre os moradores do Sul, 51% já deixaram de considerar um imóvel ou região por questões climáticas, contra 40% na média nacional Imagem:PrefRS/Agencia Brasil

Uma pesquisa com 1.200 pessoas de todo o país indica que 40% dos entrevistados deixou de considerar a compra de um imóvel ou uma região por riscos relacionados ao clima. Até o ano passado, esse índice era de 22%.

A pesquisa “Brain Behavior – Mudanças Climáticas”, da Brain Inteligência Estratégica, indica ainda que o motivo mais citado é o risco de enchente ou alagamento (31% do total de entrevistados). O levantamento também mostra que 69% consideram que sua cidade não está preparada para os impactos das mudanças climáticas e que 61% avaliam o mesmo sobre o setor imobiliário.

Risco climático já faz consumidor descartar imóvel

Compradores e locatários que já desistiram de um imóvel ou região devido a riscos do clima

2025 22%
➔
2026 40%
+18 p.p. em apenas 1 ano (quase dobrou)
Fonte: Pesquisa Brain Behavior (Jun/2026, n=1.200)

Na leitura da Brain, o tema deixou de ser apenas uma preocupação ambiental e passou a interferir concretamente na decisão de compra e de locação. 

Ainda segundo o levantamento, o Sul é a região onde os riscos climáticos mais influenciam a escolha de moradia. Na região, 51% dos entrevistados dizem que já deixaram de considerar um imóvel por questões climáticas, sendo que a maior parte (44%) alega risco de enchentes e alagamentos.

Embora a coleta dos dados tenha sido realizada em junho, a questão climática ainda é preocupante na região. Levantamento da Defesa Civil do governo do Rio Grande do Sul divulgado nesta segunda-feira (28) indica que as chuvas já provocaram transtornos em 78 municípios e cerca de 39 mil pessoas foram afetadas, além de cerca de 5 mil casas. O risco continua, já que, nesta terça-feira (29), a Defesa Civil alertou para risco de inundação em vários rios do Estado.

O problema é recorrente na região. Um estudo indicou que as enchentes históricas de 2024 no território gaúcho foram o maior desastre natural da história do Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil. Foram impactadas cerca de 2,4 milhões de pessoas em 478 municípios, e foram registradas 183 mortes e bilhões em prejuízos econômicos.

Quanto o clima pesa na escolha 

Essa não é a primeira pesquisa que relaciona os problemas climáticos às decisões das pessoas em adquirir imóveis ou se mudar. Em 2024, ainda durante as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul, uma sondagem feita pela Loft em parceria com a Offerwise indicou que 30% dos brasileiros tiveram a decisão de mudar de imóvel influenciada pela tragédia no Sul. Entretanto, apenas 17% disseram ter os recursos necessários para a mudança.

Inundações e enchentes (32%) e ondas de calor (31%) foram os eventos extremos mais citados na pesquisa da Loft. À época, o gerente de dados da startup, Fábio Takahashi, afirmou que a tragédia no Rio Grande do Sul ampliou a atenção sobre os efeitos dos eventos climáticos nas decisões de moradia, análise que se repete agora no resultado da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica.

Em uma das perguntas feitas pela Brain, sobre o quanto os riscos climáticos influenciam a decisão de comprar ou alugar um imóvel, 42% responderam que não influenciam. Outros 31% disseram que influenciam pouco ou moderadamente, e 27% que influenciam muito ou são decisivos. 

O calor é mais percebido. A enchente pesa mais na decisão.

Impacto no cotidiano vs. motivo real de descarte do imóvel

Mais Percebidos no Dia a Dia

Ondas de calor / Temp.68%
Chuvas intensas53%
Enchentes / Alagamentos30%

Motivo Real de Descarte

Enchente / Alagamento31%
Calor / Temp. excessiva4%
Falta de áreas verdes2%
Outros motivos3%
Fonte: Pesquisa Brain Behavior (Jun/2026). *60% declaram nunca ter descartado imóvel.

Entre os que já descartaram um imóvel ou uma determinada região, o risco de enchente ou alagamento responde por 31% das respostas gerais. Sensação térmica ou calor excessivo aparece com 4%, falta de áreas verdes com 2% e outros motivos com 3%. Outros 60% dizem que nunca deixaram de considerar um imóvel por esse motivo. 

De onde vem o risco percebido 

Perguntados sobre os fenômenos climáticos que percebem com mais frequência na região onde vivem, 68% citam ondas de calor ou aumento da temperatura, 53% chuvas intensas e tempestades e 30% enchentes ou alagamentos. 

Vêm depois ventos fortes ou vendavais (18%), aumento de doenças relacionadas ao clima (15%), secas prolongadas ou falta de água (13%), queimadas ou incêndios próximos (9%), deslizamentos de terra (3%) e nenhuma mudança relevante (3%). A pergunta admitia mais de uma resposta, daí o fato do total extrapolar os 100%.

Na comparação com 2025, a percepção de chuvas intensas passou de 44% para 53%, e a de enchentes, de 28% para 30%. 

A de secas prolongadas ou falta de água caiu de 23% para 13%. A de ondas de calor foi de 70% para 68%. 

O relatório resume a mudança como uma migração da agenda de risco da escassez hídrica para o excesso de água. 

O Sul lidera nas duas frentes 

Entre os moradores do Sul, 51% já deixaram de considerar um imóvel ou região por questões climáticas, contra 40% na média nacional. Nessa região, o risco de enchente ou alagamento foi o motivo de 44% dos entrevistados. 

O impacto do clima muda conforme a região

Comportamento de busca e descarte de imóveis por macrorregião

Região Já descartou imóvel Risco é decisivo
Região Sul (Destaque) 51% 48%
Nordeste 41% 39%
Centro-Oeste e Norte 35% 31%
Sudeste 35% 25%
Fonte: Pesquisa Brain Behavior (Jun/2026). Dados auditados.

Na percepção, o Sul registra 70% de menções a chuvas intensas e tempestades e 49% a enchentes e alagamentos. Além disso, 48% dos moradores da região dizem que os riscos climáticos influenciam muito ou são decisivos na escolha do imóvel, o maior índice entre as regiões. 

O Nordeste (82%) e o Centro-Oeste e Norte (79%) se destacam pela percepção de ondas de calor. No Sudeste, 57% dos entrevistados afirmam que os riscos climáticos não influenciam a decisão de compra ou locação, o maior índice entre as regiões. 

Escolaridade, geração e renda 

Quanto maior a escolaridade, maior a influência atribuída aos riscos climáticos. Entre os entrevistados com pós-graduação, 36% dizem que os riscos influenciam muito ou são decisivos, e 27% que não influenciam. 

Entre os que têm apenas o ensino fundamental, os índices são de 17% e 50%, respectivamente. 

Por geração, os baby boomers (61 a 79 anos) são os que menos consideram o tema: 58% dizem que os riscos não influenciam a decisão, contra 38% na Geração Z (21 a 28 anos), 41% na Geração Y (29 a 44) e 45% na Geração X (45 a 60). 

Por renda, 48% da faixa acima de R$ 20 mil dizem que os riscos não influenciam a decisão, o maior percentual entre os estratos analisados.

Cidades e setor imobiliário 

Para 69% dos entrevistados, a cidade onde vivem não está preparada para lidar com os impactos das mudanças climáticas. O índice chega a 79% no Nordeste e 77% no Sudeste, contra 57% no Sul e 40% no Centro-Oeste e Norte. 

Cidades e setor imobiliário estão preparados?

Percepção do consumidor sobre o nível de preparo frente ao clima

Cidades Não Preparadas 69% da população avalia como despreparada
Setor Imobiliário Não Preparado 61% era 33% em 2025 (+28 p.p. em 1 ano)
Fonte: Pesquisa Brain Behavior (Jun/2026, n=1.200)

Sobre o setor imobiliário, 61% avaliam que não está preparado, um pouco menos do que o dobro do observado em 2025, quando atingiu 33% dos respondentes da pesquisa.

O Sudeste tem a avaliação mais negativa (74%), e o Sul e o Centro-Oeste e Norte, as menos negativas (44% e 41%). A avaliação positiva do Sul sobre as cidades é de 20% (preparadas) e a do setor, de 16%. 

Sustentabilidade e valorização 

A maioria dos entrevistados (66%) acredita que imóveis com soluções sustentáveis terão muita valorização no futuro, e outros 26% esperam alguma valorização. Para 6%, não fará diferença, e 1% acredita que esses imóveis devem perder valor. 

A crença em muita valorização é maior no Nordeste (74%) e no Centro-Oeste e Norte (71%), e menor no Sul (58%). 

Ao pensar em uma futura moradia, os atributos ambientais mais valorizados são áreas verdes próximas, como parques e praças (49%), boa arborização na região (42%) e boa ventilação e conforto térmico (40%). 

O que o consumidor quer em uma moradia adaptada

Diferenciais ambientais mais valorizados na escolha do imóvel

Áreas verdes próximas (parques/praças)49%
Boa arborização na região42%
Boa ventilação / Conforto térmico40%
Menor poluição e ruído28%
Menor exposição a enchentes18%
Fonte: Pesquisa Brain Behavior (Jun/2026, n=1.200). Respostas Múltiplas.

Depois vêm menor poluição e ruído (28%), menor exposição a enchentes e alagamentos (18%), disponibilidade de água (15%), espaços ao ar livre no condomínio (15%) e facilidade de mobilidade sem carro (12%). 

Também há abertura para mudar de endereço: 56% dizem que considerariam morar em uma região menos urbana se isso trouxesse mais qualidade ambiental. No Nordeste, o índice é de 64%; no Sul, 61%; no Centro-Oeste e Norte, 53%; no Sudeste, 50%. Outros 20% responderam “talvez, dependendo do acesso a trabalho e serviços”, e 24% disseram que não.

Como foi feita a pesquisa 

A pesquisa é quantitativa, tem abrangência nacional e usou amostragem probabilística aleatória, segundo a Brain. 

Foram 1.200 entrevistas, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,83%. Os entrevistados têm de 21 a 70 anos e renda familiar mensal superior a R$ 2.500. 

Entre eles, 51% são homens e 49% são mulheres. Por região, 36% moram no Sudeste, 26% no Nordeste, 22% no Sul e 16% no Centro-Oeste e Norte.

Clayton Freitas

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.