Veja o resumo da noticia

  • Atrasos na resposta a leads imobiliários resultam em perda de negócios para concorrentes mais ágeis e tecnologicamente adaptados.
  • Adoção de inteligência artificial no mercado imobiliário brasileiro é baixa comparada aos Estados Unidos, indicando um gap de mentalidade.
  • Clientes buscam atendimento rápido e personalizado, e a IA otimiza processos pré-venda, impactando a satisfação e conversão.
  • Ferramentas de IA auxiliam na gestão de informações, criação de propostas e roteiros, como exemplificado pela Cury Construtora.
  • Custos, integração complexa e resistência cultural são barreiras para a implementação de IA no setor imobiliário brasileiro.
  • Pequenas imobiliárias enfrentam dificuldades de acesso e conhecimento sobre as ferramentas de inteligência artificial disponíveis.
  • A IA está transformando o mercado, e a automatização de tarefas repetitivas libera tempo para atividades mais estratégicas.
Imagem: Sorapop / iStock
Imagem: Sorapop / iStock

Existe uma cena que se repete em imobiliárias pelo Brasil. O corretor recebe um lead às 22h pelo WhatsApp. Não responde naquele momento. Na manhã seguinte, o contato já visitou outros três anúncios e talvez tenha fechado com alguém mais rápido. Não é falta de esforço. É uma limitação estrutural que a inteligência artificial já solucionou, mas que a maioria dos profissionais ainda não adotou.

Um gap que os números tornam difícil de ignorar

Dados reunidos pela consultoria KPMG e pela ABRAINC apontam que cerca de 19% das empresas imobiliárias brasileiras utilizam alguma ferramenta de IA em seus processos. Nos Estados Unidos, dependendo da fonte consultada, esse índice supera 75%. A diferença não é de meses. É de escala e de mentalidade.

Esse gap importa por uma razão simples: o cliente brasileiro já mudou. Ele pesquisa, compara preços, lê avaliações e chega ao corretor com uma decisão quase formada. Quando esse cliente encontra um atendimento lento, burocrático ou genérico, ele não reclama. Ele simplesmente vai embora. A IA não resolve o fechamento, mas resolve o que acontece antes dele.

O que a tecnologia já faz, na prática

Nos últimos dois anos, algumas incorporadoras e imobiliárias de maior porte começaram a testar aplicações concretas. A Cury Construtora, por exemplo, lançou recentemente o Astro, uma ferramenta de IA descrita como um copiloto de vendas interno, capaz de reunir informações de produtos, comparar empreendimentos, gerar roteiros de conteúdo e criar propostas comerciais personalizadas para WhatsApp.

Por que a adoção ainda é tão baixa?

As razões aparecem com consistência quando o setor é consultado: custo de implantação percebido como elevado, dificuldade de integrar novas ferramentas a processos já estabelecidos, e uma resistência cultural que não é exclusiva do mercado imobiliário. O setor ainda opera, em muitas praças, com planilhas, contratos impressos e vistorias manuais. A distância entre o que a tecnologia oferece e o que a operação cotidiana absorve é considerável.

Há também um componente de porte. As grandes incorporadoras e as redes franqueadas têm mais capital e estrutura para testar e errar. O corretor autônomo ou a imobiliária de bairro, que representa a maioria dos cerca de 730 mil profissionais registrados no COFECI, raramente tem acesso ao mesmo ferramental, ou sequer sabe por onde começar.

O custo real de não decidir

A questão não é se a IA vai transformar a profissão. Já está transformando. A questão é quem vai ser beneficiado por essa transformação e quem vai ser atropelado por ela.

Quando algumas operações respondem um lead em segundos, com informação precisa e linguagem personalizada, e outras respondem em horas, com uma mensagem genérica, a diferença de conversão começa a aparecer nos resultados mensais. Não de forma catastrófica, no começo. Mas de forma persistente.

O corretor que enxerga a IA como ameaça à sua profissão talvez esteja fazendo a pergunta errada. A pergunta mais útil, por enquanto, é outra: qual parte do meu trabalho atual é repetitiva o suficiente para ser automatizada, e o que eu faria com o tempo que isso me devolveria?

Essa resposta, cada profissional vai precisar construir por conta própria. A tecnologia, por sua parte, não está esperando.

Daniel Claudino
Daniel Claudino

Claudino é especialista e analista do mercado imobiliário, com aproximadamente 20 anos de atuação no setor. Atua como curador de eventos que conectam especialistas e agentes do mercado em diferentes regiões do Brasil, promovendo formação, análise crítica e inovação. É também sócio da Área 38 e conselheiro estratégico das empresas Aluu, Tikpag, Pipeimob e Squad Realty. Na Loft, atua como consultor com foco em inteligência comercial, integração institucional e performance de produtos. É autor dos livros “A Natureza do Mercado Imobiliário” e “Ontem, Hoje e Amanhã”, obras que propõem uma leitura ampliada e multidisciplinar sobre a moradia, o urbanismo e a evolução dos sistemas imobiliários. Atualmente, Claudino está radicado em Toronto, no Canadá, onde segue colaborando com iniciativas que antecipam o futuro do setor com consistência técnica, visão crítica e sensibilidade prática.

Claudino é especialista e analista do mercado imobiliário, com aproximadamente 20 anos de atuação no setor. Atua como curador de eventos que conectam especialistas e agentes do mercado em diferentes regiões do Brasil, promovendo formação, análise crítica e inovação. É também sócio da Área 38 e conselheiro estratégico das empresas Aluu, Tikpag, Pipeimob e Squad Realty. Na Loft, atua como consultor com foco em inteligência comercial, integração institucional e performance de produtos. É autor dos livros “A Natureza do Mercado Imobiliário” e “Ontem, Hoje e Amanhã”, obras que propõem uma leitura ampliada e multidisciplinar sobre a moradia, o urbanismo e a evolução dos sistemas imobiliários. Atualmente, Claudino está radicado em Toronto, no Canadá, onde segue colaborando com iniciativas que antecipam o futuro do setor com consistência técnica, visão crítica e sensibilidade prática.