
O noticiário desta semana é rico em reportagens que trazem novos dados e análises sobre o comportamento imobiliário da Geração Z e como isso combina com o atual momento macroeconômico de juros estratosféricos. A resultante desta “fome com vontade de comer” desemboca no constante aumento da demanda por apartamentos compactos nos grandes centros urbanos do país.
Reportagem da Folha de S.Paulo mostra como a geração Z passou a tratar a casa própria como meta de longo prazo, não mais como investimento — apenas 14% desses jovens veem o imóvel dessa forma, segundo a pesquisa Retratos do Morar (QuintoAndar/Ipsos-Ipec, 2025), citada pela matéria.
Ainda de acordo como texto, a advogada e especialista em finanças comportamentais Carol Velloso resume o cenário dizendo que “a mudança está na percepção de acesso” e que crises sucessivas, da pandemia em diante, levaram os jovens a adiar a compra por falta de dinheiro até para a entrada”.
O texto também traz o relato do psicólogo Henrique Pasquin, 26, que hoje prioriza CDBs por segurança e liquidez e calcula que só terá capital suficiente para comprar um imóvel daqui a uma década — mesmo enxergando a compra como um “investimento interessante e resiliente” no longo prazo. O analista Matheus Villela, da Aware Investments, ouvido pela Folha, é ainda mais direto ao afirmar que comprar casa própria hoje exige “um esforço proporcionalmente muito maior do que exigia no início dos anos 2000”.
Segundo dados citados na matéria, um estudo da FGV mostra que o preço real de um apartamento de 105 m² na Grande São Paulo subiu mais de 80% entre 2000 e 2006, e em dezembro de 2025 o metro quadrado residencial médio no país já custava R$ 9.600, contra uma renda média real de R$ 3.600 — descompasso que, segundo Villela, se acentua ainda mais em capitais como São Paulo.
É esse pano de fundo que explica a outra reportagem publicada na mesma semana, desta vez pelo Estadão: apartamentos de até 34 m² já representam quase 80% dos lançamentos na cidade de São Paulo, 9,1 mil das 11,7 mil unidades lançadas só em julho deste ano, segundo dados da Brain Inteligência Estratégica citados pelo jornal.
Desde 2023, mais de 265 mil unidades desse porte foram lançadas na capital, e elas já somam 51% do estoque de imóveis novos da cidade. O economista Alberto Ajzental, da FGV, não deixa dúvida sobre a natureza dessa demanda: “Não acredito que seja um imóvel aspiracional. O público se adaptou a esse produto por causa de suas limitações financeiras”, diz, apontando a alta dos juros e do custo de construção como causas diretas.
Ainda segundo o Estadão, o setor tenta compensar a metragem reduzida com projeto: a MRV, que tem 99% do estoque paulistano enquadrado no Minha Casa, Minha Vida, dobrou a média de itens de lazer por empreendimento desde 2025, enquanto a Direcional bateu recorde trimestral de vendas brutas no segundo trimestre de 2026 apostando no mesmo segmento.
A matéria ambém mostra que existe compacto de alto padrão: o Cardoso 432, da Global Realty, em Perdizes, vende studios de 26 m² a 29 m² com pé-direito duplo e infraestrutura de lazer por mais de R$ 700 mil — prova de que uma parcela do público escolhe o compacto por estilo de vida, não por restrição.
O residual que fica para quem opera no mercado é que vale a pena se especializar no segmento dos compactos. Investir em recursos e tecnologia para atender a Geração Z usando as melhores ferramentas digitais que facilitam o negócio, como agentes de AI que simulam financiamento e agendam visitas nos apartamentos de forma ágil. Assim como usar as redes sociais como canal de consumo. Essa é uma tendência que veio para ficar.







