Veja o resumo da noticia
- O mercado imobiliário de São Paulo registrou um aumento de 75,5% no número de corretores ativos nos últimos sete anos.
- A presença feminina na profissão mais que dobrou no período, representando 39,2% dos profissionais inscritos no Estado.
- A pesquisa Offerwise/Loft revela que 80% dos consumidores são influenciados pela atuação do corretor na decisão de compra ou locação.
- A segurança do processo, análise de documentação e resolução de burocracias são os pontos mais valorizados nos serviços de corretores.
- Proprietários também recorrem a imobiliárias e corretores, com 77% dos vendedores e 71% dos locadores utilizando esses serviços.
- A negociação de compra concentra maior atuação de corretores (30%) em comparação com o aluguel (18%).
- Apesar da tecnologia, a intermediação do corretor continua essencial, com alta satisfação entre compradores (86%) e locatários (70%).
- O Dia do Corretor de Imóveis, 27 de agosto, celebra a regulamentação da profissão no Brasil, iniciada em 1808.

O mercado imobiliário de São Paulo ganhou 91.471 corretores de imóveis ativos nos últimos sete anos. Segundo dados do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), o total de profissionais atuantes passou de 121.196 em julho de 2019 para 212.667 em agosto de 2026, alta de 75,5%.
Ou seja, mesmo em uma época dominada por ferramentas de IA e jornada cada vez mais digital, a figura do corretor nunca esteve tão presente, sobretudo nesta quinta-feira (27), quando é comemorado o Dia do Corretor de Imóveis.
Prova da importância dessa presença está nos dados de uma pesquisa realizada pela Offerwise em março de 2026, com 2.500 brasileiros, a pedido da Loft. Ela mostra que 80% dos consumidores que contrataram ou pretendem contratar serviços de imobiliárias e corretores afirmam que a atuação do profissional influencia fortemente ou moderadamente a decisão de comprar, alugar ou locar um imóvel.
RAIO-X DO MERCADO PAULISTA
Evolução de Corretores Ativos: 2019 vs. 2026
Maior presença feminina e evolução da profissão
O crescimento foi puxado principalmente pelas mulheres. O número de corretoras ativas mais que dobrou no período, passando de 40.283 para 83.430 no período, alta de 107,1%. Com isso, elas passaram a representar 39,2% dos profissionais inscritos no Estado, ante 33,2% em 2019.
O ano de 2019 é simbólico por ser o de retomada do setor depois de um período de estagnação. Na cidade de São Paulo, foram 44,7 mil unidades residenciais vendidas em 2019, segundo dados do Secovi-SP e da Embraesp. Já nos 12 meses encerrados em junho de 2026, o número chegou a 114.001, segundo a PMI (Pesquisa Secovi-SP do Mercado Imobiliário).
No mesmo intervalo, os lançamentos passaram de 55,5 mil unidades em 2019 para 143.716 nos 12 meses encerrados em junho deste ano. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram 58.182 imóveis comercializados e 65.210 lançados.
Para José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP, a expansão da profissão também está relacionada à entrada de profissionais de diferentes áreas no mercado imobiliário em busca de novas oportunidades de renda. “Já temos inúmeros inscritos vindos de outras áreas. Muitas vezes a pessoa entra na sua profissão de origem por vocação e depois percebe no mercado imobiliário a possibilidade de sucesso financeiro”, afirma.
De fonoaudióloga a corretora
A participação feminina é outra mudança no perfil da categoria. Segundo Viana Neto, o avanço das mulheres na profissão deve continuar nos próximos anos. “A participação feminina vem tendo um destaque muito grande. Acredito que no futuro a profissão será considerada feminina, tal é o sucesso que as mulheres têm conseguido alcançar na atividade”, diz.
Quem entrou no mercado nesse intervalo foi Mariana Celidonio, inscrita desde 2021 e atuante até hoje. Fonoaudióloga de formação, ela interrompeu a atividade para se dedicar à maternidade, e, depois, migrou para o mercado imobiliário.
“Quando meu filho nasceu, em 2014, eu parei de trabalhar. Durante os sete primeiros anos da vida do meu filho eu fiquei cuidando dele, e, em 2021”, diz Mariana. “Os anos que fiquei afastada não me permitiram voltar para essa área. Entrei para o setor por indicação de uma amiga”, afirma.
Não foi só a dificuldade em retomar a profissão como fonoaudióloga que a levou para o mercado. Segundo ela, seu olhar para o mercado imobiliário se deu quando ela estava buscando apartamento para morar. “Foi difícil encontrar quem entendesse o meu perfil e fosse assertivo nas indicações”, afirma.
Desde que tirou o Creci-SP ela atua na inCanto Urbano, imobiliária boutique especializada no bairro Paraíso, em São Paulo, comandada por Júlia Gagliardi, fundadora e atual CEO. Segundo diz, seis das nove pessoas que atuam como corretores na empresa são mulheres.
Corretor ainda influencia decisão de compra e locação
O aumento do número de profissionais ocorre em um momento em que o consumidor ganhou novas formas de pesquisar e encontrar imóveis.
Sites, aplicativos e portais permitem comparar propriedades, preços e localização antes mesmo do contato com um profissional.
Segundo a pesquisa Offerwise feita a pedido da Loft, o papel atribuído ao corretor vai além da apresentação de imóveis. Entre os consumidores que tiveram experiência recente com imobiliárias e corretores, 90% consideram importante a atuação do profissional para garantir a segurança do processo.
A análise de documentação aparece em seguida, com 89%, enquanto resolver burocracias e elaborar contratos são citados por 88% dos entrevistados.
Também são valorizados o anúncio de imóveis para compra ou locação, o agendamento e acompanhamento de visitas, a intermediação da negociação e a busca por imóveis. Todos esses itens aparecem com índices de relevância de pelo menos 84%.
Os números indicam que, para o consumidor, o corretor de imóveis não atua apenas na aproximação entre as partes. A presença do profissional é mais valorizada justamente nas etapas que envolvem documentação, contratos, negociação e acompanhamento da operação.
Proprietários se valem dos corretores em diferentes etapas
A participação de imobiliárias e corretores também é relevante do lado de quem coloca o imóvel no mercado. Entre os proprietários que tinham imóveis disponíveis para venda nos 12 meses anteriores à pesquisa, 77% recorreram a algum serviço do setor imobiliário.
Entre os proprietários que buscavam locatários, o percentual foi de 71%. Na venda, 32% disseram ter utilizado somente uma imobiliária, enquanto 34% dividiram o processo entre a imobiliária e a atuação por conta própria. Outros 11% recorreram à intermediação de corretores independentes.
Na locação, 32% utilizaram somente uma imobiliária, 25% combinaram o serviço com atuação própria e 14% recorreram a corretores independentes.
O nível de participação do profissional também varia conforme a etapa. Na venda, 32% dos proprietários disseram utilizar imobiliárias ou corretores somente para divulgar o imóvel, 35% para intermediar o contato com interessados e 33% durante todo o processo.
Na locação, os percentuais foram de 30%, 31% e 38%, respectivamente.
Compra concentra mais atuação de corretores
Entre compradores e locatários, a pesquisa aponta uma presença maior dos corretores nas negociações de compra. Entre os compradores, 30% disseram ter negociado com um corretor ou consultor imobiliário independente, enquanto 26% utilizaram uma imobiliária, presencial ou on-line. No aluguel, os percentuais foram de 18% e 20%, respectivamente.
A negociação direta com o proprietário ainda predomina entre os locatários, sendo que 62% disseram ter tratado diretamente com o dono do imóvel. Entre compradores, o percentual foi de 44%.
Mesmo entre aqueles que utilizaram intermediários, a avaliação é bem positiva. O índice de satisfação com os serviços de imobiliárias e corretores chegou a 86% entre compradores e 70% entre locatários.
Profissão muda junto com o mercado
A expansão da categoria em São Paulo ocorre, portanto, em um mercado no qual a tecnologia mudou a forma de procurar imóveis, mas não eliminou a necessidade de intermediação.
O próprio comportamento dos consumidores mostra essa combinação. Sites e aplicativos de imobiliárias são as fontes mais consultadas por quem procura imóveis, mas 22% dos locatários e 34% dos compradores dizem recorrer diretamente a corretores.
Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a atuação do profissional continua influenciando a decisão de uma parcela expressiva dos consumidores. Para quem já utilizou o serviço, segurança, documentação, contratos e burocracia estão entre os pontos de maior valor percebido.
Por qual motivo hoje é comemorado o Dia do Corretor de Imóveis
Embora não tivesse esse nome à época, a atividade de corretores de imóveis no Brasil, teve início com a chegada da corte portuguesa, em 1808. A atividade ganhou força no país ao longo do século XIX. Entretanto, apenas em 1937 foi criado o primeiro sindicato da categoria, o do Rio de Janeiro.
Mesmo já atuante há muitos anos, somente em 1962 a categoria foi regulamentada, por intermédio da promulgação da Lei nº 4.116. Anos mais tarde ela foi substituída pela Lei 6.530, de 12 de maio de 1978, que é, até hoje, a que regulamenta a atividade e disciplina o funcionamento dos conselhos.
Mesmo com a nova legislação, promulgada em data diferente, o dia 27 agosto continuou a ser comemorada pela categoria.







