Veja o resumo da noticia

  • Mercado imobiliário de 2026 enfrenta juros altos e inflação controlada, gerando cautela entre incorporadores apesar do otimismo.
  • Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) é apontado como principal motor de crescimento, representando quase metade dos lançamentos.
  • Incorporadoras diversificam atuação, com empresas de alto padrão mirando o MCMV e outras focando em projetos econômicos.
  • Eleições de 2026 trazem incertezas, podendo adiar decisões de compra, especialmente no segmento de alto padrão.
  • Aumento nos custos de mão de obra, terrenos e impostos pressionam os preços dos imóveis, com impacto no INCC.
Minha Casa, Minha Vida
sorn340/iStock

Com taxa de juros de 15% e inflação abaixo de 4,5%, o mercado imobiliário brasileiro enfrenta um cenário misto em 2026. Incorporadores ouvidos pelo Estadão pregam cautela, mas mantêm otimismo e apostam no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) como principal motor de crescimento.

Bruno Sindona, fundador da Sindona.inc, incorporadora especializada em imóveis populares na região metropolitana de São Paulo, afirma que o cenário é promissor, mas desaquecido. “Os juros altos diminuem o otimismo das famílias e impactam as vendas”, diz.

O empresário acredita que o bom desempenho do segmento depende de uma queda de juros ainda no primeiro trimestre de 2026.

MCMV representa 47% dos lançamentos

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que o MCMV representa 47% do número de unidades lançadas e 44% das unidades vendidas no país.

A Alfa Realty, incorporadora especializada no alto padrão, vai lançar seu primeiro projeto econômico no bairro Bom Retiro, região central de São Paulo, voltado para a Faixa 3 do MCMV. “Se a gente for bem, vamos ampliar os lançamentos”, diz ao jornal Eudoxios Anastassiadis, fundador da empresa, que vê oportunidade em projetos para a classe média com a Faixa 4 do programa.

A Setin Incorporadora planeja lançar nove projetos econômicos e apenas um prédio de alto padrão em 2026. Bianca Setin, vice-presidente da empresa, afirma que o foco está também em vender o estoque existente, mas não descarta investimentos para a classe média quando os juros atingirem um “patamar mais saudável”.

A Magik LZ prevê quatro lançamentos para a classe média, com imóveis de R$ 700 mil a R$ 2 milhões e manutenção dos projetos do MCMV, que hoje representam 50% dos lançamentos.

Eleições geram incertezas no setor

Para Anastassiadis, da Alfa Realty, a eleição será uma das mais difíceis dos últimos anos. “O cliente de alto padrão, que não tem pressa, pode adiar a decisão de compra diante das incertezas”, diz.

Bruno Sindona avalia que o governo Lula demonstra priorizar o programa habitacional que tem estimulado o setor nos últimos anos.

Tendência de alta nos preços

Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), 82% das empresas relatam dificuldade para contratar trabalhadores e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulado chegou a 6,58% em 2025. Além do custo da mão de obra, o custo dos terrenos e a alta dos impostos também devem pressionar os preços dos imóveis nos próximos anos.

*Com informações do Estadão