Veja o resumo da noticia

  • Especialistas preveem alta nos preços de imóveis em 2026, mesmo com a redução da Selic, devido a fatores como custos de construção e terrenos.
  • Em 2025, o Índice FipeZap registrou aumento nos preços de imóveis acima da inflação, com destaque para o mercado imobiliário em São Paulo.
  • Cidades como Goiânia e Fortaleza apresentam potencial de crescimento de preços, enquanto outras podem enfrentar maiores dificuldades.
  • Medidas governamentais e estímulos econômicos podem sustentar o mercado, apesar da instabilidade eleitoral e do risco de crises.
  • Programas como o Minha Casa Minha Vida devem impulsionar empreendimentos para a classe média, com preços acompanhando a inflação.
  • Há uma tendência de estabilidade nos preços, com possibilidade de descontos por incorporadoras endividadas e aumento em imóveis populares.
  • Terrenos seguem valorizados devido à expansão urbana, com destaque para multipropriedades no Nordeste e incorporação residencial no Sudeste.
Preços de imóveis em 2026
Spectral-Design/iStock

Mesmo com a redução na taxa de juros, os preços dos imóveis no Brasil deverão subir em 2026, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão. Entre os fatores estão a limitada disponibilidade de terrenos em áreas com maior demanda, o aumento nos custos de construção, a falta de mão de obra e um repasse gradual de custos aos consumidores que, antes da queda da Selic, seria inviável.

Mercado imobiliário em alta

Em 2025, o Índice FipeZap indicou alta de 6,22% na média dos preços de imóveis no Brasil, acima da inflação, de 5,17%. O preço médio do metro quadrado ficou em R$ 9.585. Em São Paulo, o principal mercado do setor, o metro quadrado custava R$ 11.882, aumento de 4,93% nos últimos 12 meses.

Embora cidades como Curitiba e Porto Alegre enfrentem maior dificuldade para elevação de preços, outros locais têm espaço para crescimento. “Agora, Goiânia e Fortaleza são cidades com espaço para subir preços. Em São Paulo, tem espaço, mas não tanto”, explica Fábio Tadeu Araújo, CEO da consultoria Brain, ao jornal.

Carlos Honorato, professor de economia na FIA Business School, acredita que medidas governamentais e estímulos econômicos, apesar da instabilidade típica de um ano eleitoral, poderão sustentar o aquecimento do mercado, exceto em caso de crise internacional.

Classes média e alta como foco das incorporadoras

O ano de 2026, com medidas como a faixa 4 do programa Minha Casa Minha Vida e o novo compulsório da poupança, devem impulsionar empreendimentos voltados à classe média. Para Claudio Carvalho, CEO da AW Realty, os preços devem acompanhar a inflação, sem altas desproporcionais, acompanhando uma demanda consistente.

Bruno Sindona, presidente do Instituto das Cidades, vê uma tendência de estabilidade de preços. “Podemos começar a ver descontos partindo das incorporadoras”, avalia. “As incorporadoras de médio padrão estão muito endividadas e querem liquidar os estoques com velocidade”. Ele vê possibilidade de aumento dos preços de imóveis populares e de aluguéis.

Aumento dos custos e impacto nos terrenos

Terrenos seguirão em alta devido à expansão urbana e à crescente procura para incorporação imobiliária em cidades médias, acima de 100 mil habitantes. Segundo Thomaz Brancati, sócio da Allrea, no Nordeste, ganham destaque áreas para multipropriedade – em que os proprietários compram uma parcela do imóvel e têm direito a usá-lo por um período determinado. No Sudeste, prevalece a incorporação residencial.

Apesar do cenário desafiador, especialistas apontam que a combinação de queda na Selic e estímulos ao crédito favorecem o crescimento moderado do setor em 2026.

*Com informações do Estadão