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Veja o resumo da notícia
- A reeleição de Lula levou o mercado imobiliário a focar na política fiscal e nos juros para as projeções de 2027.
- Juros elevados encarecem o financiamento de obras, aumentam o custo de capital e reduzem a capacidade de compra das famílias.
- A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entregou uma agenda com sete eixos às campanhas presidenciais.
- O programa Minha Casa, Minha Vida continua sendo um dos principais pontos de sustentação do mercado residencial.
- No mercado corporativo, taxas futuras alteram o retorno exigido pelos investidores e podem reduzir o preço de ativos.
- A atenção do setor se volta para a equipe econômica, medidas fiscais e o ritmo de redução da Selic nos próximos meses.

A reeleição do presidente Lula (PT) levou o mercado imobiliário a colocar a política fiscal e os juros no centro das projeções para 2027. O resultado contrariou a posição de parte dos investidores, que esperava a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), e provocou forte volatilidade nas ações de incorporadoras no primeiro pregão após o segundo turno.
Juros afetam toda a cadeia
O setor imobiliário é especialmente sensível às taxas de longo prazo. Juros elevados encarecem o financiamento das obras, aumentam o custo de capital das empresas e reduzem a capacidade de compra das famílias. Esse efeito não chega de forma idêntica ou imediata a todos os segmentos, mas influencia preços, lançamentos e decisões de investimento.
André Caruso, CEO da gestora Pilar Capital, avaliou ao Estadão que a reação inicial refletiu uma mudança na expectativa para o ritmo de queda dos juros. Para ele, o setor tende a se adaptar, apoiado pelo déficit habitacional e por incentivos públicos. Mesmo assim, ele avalia que o governo precisará mostrar como pretende dar sustentabilidade às contas.
Agenda do setor
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entregou às campanhas presidenciais uma agenda organizada em sete eixos. O documento oficial defende planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal, redução do custo do capital, melhora do ambiente de negócios, ampliação do crédito e investimentos em habitação, infraestrutura, inovação, qualificação profissional e sustentabilidade.
Eduardo Aroeira Almeida, CEO da CBIC, afirmou que os empresários receberam o resultado eleitoral com tranquilidade e destacou a importância da segurança jurídica para projetos de longo prazo. A entidade também acompanha pendências da reforma tributária e o debate sobre o fim da escala 6×1, temas com impacto potencial sobre custos e operação.
Baixa e média renda
O Minha Casa, Minha Vida continua sendo um dos principais pontos de sustentação do mercado residencial. As mudanças recentes ampliaram o valor dos imóveis atendidos, reduziram taxas em determinadas faixas e aumentaram o alcance de renda do programa.
Para o economista Fábio Moraes, da consultoria E2+, o setor pode passar por desaceleração, cuja intensidade dependerá das decisões econômicas do novo mandato. Claudio Carvalho, da incorporadora AW Realty, considera que o programa habitacional deve preservar o ritmo da baixa renda. Já para a média renda, avalia que é necessária uma queda mais significativa dos juros para recuperar demanda e produção.
Imóveis comerciais
No mercado corporativo, o efeito também tende a ocorrer por etapas. Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA, observou que imóveis e contratos de locação não mudam imediatamente por causa do resultado eleitoral. As taxas futuras, no entanto, alteram o retorno exigido pelos investidores e podem reduzir o preço que estão dispostos a pagar por ativos com a mesma renda de aluguel.
Com a eleição encerrada, a atenção se volta para a composição da equipe econômica, as medidas fiscais e o ritmo de redução da Selic. Esses fatores devem orientar o custo do crédito e a viabilidade de novos projetos nos próximos meses.
*Com informações de Estadão







