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Veja o resumo da notícia
- Ações de construtoras registraram quedas significativas no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
- A Cyrela liderou as perdas do setor, com queda de 44,81%, seguida por MRV, Tenda, Direcional e Cury.
- Juros futuros e o Ibovespa também apresentaram forte aversão a risco, com o índice acionando o circuit breaker da B3.
- O setor imobiliário é sensível à curva de juros, pois taxas mais altas elevam custos e reduzem a demanda por imóveis.
- A vitória de Lula levou investidores a reprecificar empresas ligadas à economia doméstica devido à incerteza fiscal.
- A volatilidade no mercado deve continuar até que o governo sinalize clareza sobre responsabilidade fiscal e equipe econômica.

As ações de construtoras ficaram entre as mais pressionadas no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A Cyrela (CYRE3) registrou a maior queda do setor, 44,81%. Entre as construtoras do Minha Casa, Minha Vida, a MRV (MRVE3) caiu 42,53%, a Tenda (TEND3), 26,38%, a Direcional (DIRR3), 24,05%, e a Cury (CURY3), 16,68%.
Juros futuros ampliam a pressão
O movimento ocorreu em uma sessão de forte aversão a risco. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2031 e 2033 chegaram a 14,46% e 14,58% ao ano, respectivamente, na abertura. O Ibovespa caiu 10% poucos minutos depois do início das negociações, acionando o circuit breaker da B3 pela primeira vez desde março de 2020. Após a retomada, chegou a recuar 17,16% e encerrou o dia com queda de 13,88%, aos 176 mil pontos.
O setor imobiliário é especialmente sensível à curva de juros porque depende de financiamento para as obras e para a compra dos imóveis. Taxas mais altas elevam o custo de capital das empresas, encarecem o crédito ao consumidor e podem reduzir a demanda.
Mudança de expectativa
Antes do segundo turno, parte do mercado trabalhava com a expectativa de uma política fiscal mais austera caso Flávio Bolsonaro vencesse, o que abriria espaço para cortes da Selic. Com a vitória de Lula, investidores passaram a reprecificar empresas ligadas à economia doméstica diante da incerteza sobre a condução fiscal.
A Cyrela vinha de um movimento positivo após o primeiro turno e havia sido colocada pelo JPMorgan entre as preferências do setor. A reversão dos juros longos atingiu com mais força as incorporadoras voltadas à média e à alta renda, mas também pressionou empresas ligadas à habitação popular.
Volatilidade no radar
Felipe Corleta, sócio da Brasil Wolf ouvido pela Times Brasil | CNBC, afirmou que a oscilação deve continuar até o mercado encontrar um novo patamar de preços. Para ele, a estabilização depende também de sinais claros do governo sobre responsabilidade fiscal e equipe econômica.
*Com informações do Times Brasil | CNBC e Bloomberg Línea







