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Veja o resumo da notícia

  • Construir uma marca pessoal é essencial para corretores autônomos ganharem visibilidade e atraírem clientes.
  • A especialista Liliane Ferrari recomenda autoconhecimento, conhecimento do produto e compreensão do público para a estratégia.
  • É fundamental observar o mercado imobiliário com curiosidade para gerar conteúdos interessantes e relevantes.
  • A publicação consistente e o reforço dos mesmos atributos são cruciais para o reconhecimento do profissional.
  • Ajustar o foco e se especializar em um nicho ajuda a construir um posicionamento consistente no mercado.
  • A coerência na linguagem, cores e formatos de conteúdo é vital para uma presença autêntica nas redes sociais.
  • Depoimentos de clientes e mensagens de WhatsApp podem servir como prova social da qualidade do atendimento.
  • Ferramentas de Inteligência Artificial podem auxiliar corretores a definir seu posicionamento profissional de forma estruturada.
Liliane Ferrari: corretor deve buscar marca pessoal com autenticidade
Liliane Ferrari: corretor deve buscar marca pessoal com autenticidade

Construir uma marca pessoal para corretores autônomos é uma forma de ganhar visibilidade, transmitir confiança e atrair clientes em um mercado cada vez mais competitivo. Para se destacar nas redes sociais, no entanto, não basta publicar fotos de imóveis ou tentar reproduzir fórmulas que funcionam para outros profissionais e, sim, buscar a própria identidade. Essas foram algumas das recomendações da especialista em marca pessoal Liliane Ferrari durante um webinar promovido pela Loft.

A metodologia proposta por Liliane segue algumas premissas, como autoconhecimento, conhecimento do produto e compreensão do público. A estratégia, segundo ela, deve estar ligada aos objetivos do negócio, em vez de se limitar à busca por curtidas ou conteúdos virais.

Antes de decidir o que publicar, o corretor precisa saber:

  • quais são seus diferenciais
  • quais imóveis e regiões conhece melhor
  • quais potenciais clientes pretende conversar.

Uma das primeiras recomendações é observar o mercado imobiliário com curiosidade. Para Liliane, a rotina do corretor pode render conteúdos interessantes quando é vista de outra perspectiva, desde a visita a um imóvel até as mudanças no modo de morar e as histórias de quem procura uma casa. “A primeira lição é olhar com admiração para o seu mercado, como se você não estivesse inserido nele”, afirmou.

Esse olhar também ajuda o profissional a mostrar que seu trabalho vai além da intermediação de uma compra ou locação. O corretor pode atuar como assessor e curador, ajudando o cliente a encontrar uma opção que faça sentido tanto do ponto de vista financeiro quanto em relação ao estilo de vida. “Nada pode ser maior do que atender uma pessoa que vai morar em uma casa nova”, disse a especialista.

Em meio ao volume de informações que disputam a atenção nas redes sociais, publicar esporadicamente pode dificultar que o público reconheça o profissional e associe seu nome a determinado serviço ou segmento. “O que eu mais gosto [na publicidade] é a repetição. Se você não repete, você não consegue chegar na frente num mundo desse”, afirmou Liliane. A recomendação é reforçar os mesmos atributos ao longo do tempo, em vez de mudar de estratégia a cada nova tendência.

Nessa linha, os conteúdos podem partir da própria rotina de cada corretor. Visitas, captação de imóveis, dúvidas recorrentes dos clientes e informações úteis sobre documentação ou mudanças no mercado são exemplos de assuntos que podem virar publicações.

Liliane diferencia esse material, derivado do dia a dia, dos conteúdos que exigem produção específica, como entrevistas ou vídeos planejados. O calendário editorial, nessa lógica, não deve apenas seguir uma lista de datas comemorativas para serem celebradas, por exemplo.

Ajustar o foco é outra recomendação da especialista. Tentar falar com todos os públicos e trabalhar com todos os tipos de imóveis pode tornar o posicionamento pouco consistente. O corretor pode se especializar em uma etapa da vida do comprador, como a aquisição da primeira casa. A escolha não significa necessariamente abandonar outras oportunidades, mas definir uma referência pela qual o profissional deseja ser reconhecido.

Cores, linguagem, roupas e formatos de conteúdo ajudam a construir uma presença coerente, desde que façam sentido para quem está por trás da marca. “Tem que não parecer uma fantasia”, disse Liliane, ao alertar para o risco de adotar um personagem apenas porque ele parece funcionar nas redes sociais.

Corretores que podem servir de referência

Durante o webinar, Liliane apresentou exemplos de profissionais do mercado imobiliário internacional que usam características próprias para construir sua presença digital. Veja o que a especialista comentou sobre a atuação dos corretores e as redes sociais de cada um:

  • Barbara Corcoran: Liliane destaca que a trajetória da corretora americana, de 77 anos, ganhou projeção no mercado imobiliário e chegou ao programa “Shark Tank”. Para a especialista, Corcoran se diferencia por manter um estilo próprio, sem parecer que está interpretando uma personagem, e por se comunicar com consistência. O exemplo também ajuda a mostrar como características pessoais, inclusive a idade, podem fazer parte da identificação com o público e não precisam ser uma barreira para a presença digital.
  • Madison Hildebrand: associado ao mercado de Malibu, cidade litorânea na costa oeste dos Estados Unidos, o corretor utiliza referências visuais ligadas à região, com presença recorrente de tons azuis e imagens de praia. A vida pessoal, incluindo momentos de lazer, também aparece em suas publicações. Segundo Liliane, esse conteúdo funciona porque conversa com o universo que ele representa profissionalmente.
  • Ryan Serhant: outro exemplo citado na apresentação, com uma produção de conteúdo com dicas que vai além da divulgação de imóveis e contribui para consolidar sua imagem pública.

Em resposta a uma pergunta da audiência, Liliane destacou que a identificação é o fator que mais atrai audiência nas redes sociais. Assim, o corretor não precisa imitar o estilo de vida de outra pessoa, mas encontrar maneiras próprias de mostrar o que faz e como trabalha.

Para quem está começando, ela afirma que depoimentos de clientes e mensagens de WhatsApp compartilhadas com autorização podem funcionar como prova social, inclusive para mostrar a qualidade do atendimento e do processo, e não apenas quando uma venda é concluída.

Como usar a Inteligência Artificial para definir o posicionamento

Liliane também sugeriu usar ferramentas de Inteligência Artificial como apoio ao autoconhecimento profissional. Em vez de pedir apenas uma biografia para o Instagram, o corretor pode usar a tecnologia para organizar respostas sobre sua experiência, seu modo de trabalhar, os valores que entrega e a forma como é percebido pelo mercado.

Durante o webinar, a especialista propôs um exercício com auxílio dos chats de IA para fugir de respostas genéricas. A partir de um questionário estruturado, o corretor pode tentar entender por que um cliente escolhe trabalhar com um corretor e não com o outro, mesmo que ambos vendam imóveis semelhantes ou atuem na mesma região. “A inteligência artificial pode ajudar a estruturar essa reflexão, mas a qualidade do resultado depende das informações fornecidas”, lembrou.

Jornalista Hugo Passarelli
Hugo Passarelli

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.