Veja o resumo da notícia
- Especialistas do Blueprint Vegas 2026 destacam a importância de dados padronizados para competitividade no mercado imobiliário.
- A padronização de dados essenciais permite a adoção de ciência de dados e Inteligência Artificial (IA) para filtrar oportunidades.
- A tecnologia atua como contraponto analítico para identificar o momento exato de vender um ativo, superando o viés humano.
- Empresas menores podem usar IA para extrair valor de dados como contratos e avaliações, transformando informações brutas em inteligência.
- No mercado imobiliário dos EUA, o administrador de locação se tornou um parceiro estratégico, opinando sobre características do empreendimento.
- A exigência de dados em tempo real e ferramentas de inteligência de dados é crescente nos EUA, diferenciando imobiliárias com painéis 'ao vivo'.
- Gestores imobiliários devem ser envolvidos na aquisição ou fase de projeto do imóvel, opinando sobre acabamento, layout e preço de locação.
- A automatização de leads está em nível elevado, e a diferenciação migrou para o momento após a assinatura do contrato de locação.

Dados sobre as características e situação de um imóvel (vago ou alugado) são ferramentas importantes para ganhar competitividade no mercado imobiliário. Organizar essa massa de informações pode diminuir trabalhos repetitivos e liberar corretores para outras tarefas, afirmam especialistas.
As conclusões são de painel do Blueprint Vegas 2026, principal evento global de inovação e tecnologia voltado para o mercado imobiliário e de construção civil, realizado em Las Vegas. Os executivos da Loft participam do evento numa comitiva que a empresa fez em que integram também 11 imobiliárias parceiras.
“A falta de governança e a proliferação de relatórios descentralizados (muitas vezes em arquivos PDF estáticos) tornam quase impossível consolidar o desempenho do portfólio”, relata Patrícia Schiavo, vice-presidente de Locação da Loft.
Participaram da discussão Donal Warde, fundador da Folio Strategy Partners; Ali Haidar, head de portfólio imobiliário do GIC, o fundo soberano de Cingapura; Chris Liedtke, chefe de dados da BGO; e Nicholas Russell, diretor da StepStone Real Estate.
Segundo eles, o primeiro passo é padronizar centenas de dados essenciais, como o valor e a localização dos imóveis. Esse passo, argumentam, é essencial para adotar ciência de dados e Inteligência Artificial (IA). Na prática, um dos benefícios é filtrar de 10% a 20% das oportunidades que chegam ao portfólio sem gastar trabalho humano.
Além disso, a tecnologia passa a atuar como um contraponto analítico para identificar o momento exato de vender um ativo, o que ajuda a superar o viés humano de reter propriedades por apego emocional ou hábito.
Para as empresas que desejam implementar essa cultura analítica, o painel destaca alguns caminhos. O formato mais bem-sucedido é criar uma equipe central de dados conectada a “embaixadores” em cada vertical do negócio.
Para empresas menores que não possuem orçamento robusto, o atalho está em usar a IA para extrair valor de dados como contratos de locação, pareceres jurídicos e até avaliações de usuários no Google. Isso, segundo os especialistas, permite transformar informações “brutas” do dia a dia em inteligência de dados.
Cobrar aluguel é “arroz com feijão” no mercado imobiliário dos EUA
Cobrar aluguel mensalmente e mandar relatório para os proprietários já é pouco para o mercado imobiliário norte-americano. Para especialistas, o administrador de locação virou um parceiro estratégico e, muitas vezes, entra na intermediação antes de o imóvel ser adquirido, opinando sobre as características do empreendimento e ajustando as expectativas sobre valor de aluguel.
O debate contou com participação de Jennifer Stoops, vice-presidente da Pure HomeRiver Management; Jackie Lee, CEO da Brandywine Homes USA; Traves Bonwell, CEO da RENU Management; e Tyson Schuetze, fundador da Auben Capital Partners.
Nos EUA, relata o CMO da Loft, Sergio Esteves, a maior mudança de expectativa nos últimos 5 anos foi a crescente exigência de dados em tempo real e ferramentas de inteligência de dados. Assim, a imobiliária que entrega um painel “ao vivo” do portfólio de imóveis se diferencia daquelas que mandam apenas um arquivo PDF consolidado todo mês.
Em comum, os especialistas defendem que o gestor imobiliário precisa ser chamado já na aquisição do imóvel que será alugado ou na fase de projeto, opinando sobre acabamento, layout e preço de locação. Para Tyson Schuetze, isso aumenta a taxa de sucesso do investimento. Já Jackie defende participar desde a escolha do terreno, o que pode ajudar a evitar expectativa irreal sobre o preço de aluguel.
Os especialistas defendem aprofundar as métricas sobre a ocupação do imóvel, em vez de apenas classificar as unidades como alugadas ou vagas. A recomendação é contabilizar o quanto uma vacância impacta o fluxo de caixa da imobiliária, a partir dos dias sem receita entre a saída do inquilino e a entrada de outro. Além disso, deve-se medir o custo de preparar o imóvel, com possíveis reparos ou pintura.
Como gerir quase 100 mil imóveis
Em outro bate-papo do evento, Christopher Yip, sócio da RET Ventures e Dave Feldman, CEO da Progress Residential, deram dicas sobre como administrar uma carteira grande de imóveis e manter a rentabilidade em alta. O segredo está no atendimento e satisfação dos clientes.
Segundo eles, a redução da rotatividade de clientes faz crescer, em igual proporção, o fluxo de caixa das imobiliárias. Isso significa que a má prestação de um serviço de locação não deve ser analisada apenas como reclamação e, sim, como linha fundamental de receita de cada imóvel. “Para o dono de imobiliária brasileiro, isso transforma atendimento de custo em investimento mensurável”, resume Esteves.
Na Progress, Feldman relatou que a automatização de leads (potenciais clientes) está em nível elevado atualmente e que a diferenciação de uma imobiliária migrou para o momento após a assinatura do contrato de locação. Mais de 90% das visitas viram propostas sem interação humana e apenas 4% dessas oportunidades foram conduzidas por um profissional da companhia. Hoje, o executivo relata que mais da metade dos contatos em busca de informações sobre um imóvel ocorre fora do horário comercial.
O futuro dos anúncios de imóveis
Feldman foi taxativo sobre o futuro dos portais tradicionais de anúncio: a IA já está mudando esse jogo. Na Progress, ele relata que existe um trabalho direcionado para que os assistentes de IA captem as informações do site da companhia.
No jargão da indústria, é uma mudança de SEO – técnica para ranquear bem na busca tradicional do Google – para GEO, que procura produzir conteúdo e informações que sejam lidos pelas IAs. Na prática, significa dizer que quem não estruturar um site para ser lido por máquinas tende a ficar invisível em alguns anos.
Feldman diz ter destinado US$ 100 milhões em investimentos para tecnologia e IA. E, segundo ele, esses recursos pretendem melhorar o atendimento ao cliente e a gestão da carteira, muito mais do que simplesmente aumentar a eficiência e economizar horas de trabalho da equipe.







