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Veja o resumo da notícia
- A Trinca, EBM e Cyrela lançaram um empreendimento de R$ 500 milhões em Goiânia, o maior do Centro-Oeste em VGV.
- O sucesso do projeto revelou que o terreno é o ativo escasso em mercados consolidados, não o projeto em si.
- Goiânia, terceiro maior mercado imobiliário do país, ainda possui preços defasados em relação ao seu tamanho.
- Investidores de outras regiões do Brasil compraram unidades remotamente, focando no retorno financeiro, não na localização.
- O capital busca mercados onde o preço ainda não reflete o crescimento, aceitando decisões à distância baseadas em números e confiança.
- Para o mercado regional, essa dinâmica representa uma oportunidade, eliminando o limite geográfico para quem vende imóveis.

Fiz recentemente um teste. A Trinca entrou como sócia de um lançamento em Goiânia, num bairro consolidado da cidade, em parceria com a EBM (a maior incorporadora e construtora do Centro-Oeste, com 45 anos de atuação) e a Cyrela, maior incorporadora de capital aberto do país. É o maior empreendimento da história do Centro-Oeste em VGV, algo em torno de R$ 500 milhões. O projeto já era, sozinho, um sucesso de vendas. Mas eu queria responder outra pergunta: esse empreendimento venderia fora de Goiânia, para gente que nunca pisou lá?
A resposta chegou rápido, e ela importa mais do que o resultado comercial em si.
O terreno é o ativo escasso, não o projeto
Nos últimos 24 meses, o maior terreno lançado em Goiânia não passou de 2 mil metros quadrados. Este tinha 6 mil, e estava em negociação havia 15 anos até a EBM fechar o negócio. Isso diz algo que vale para qualquer mercado consolidado: incorporadora boa resolve construção, mas quem segura terreno grande por 15 anos segura também o acesso ao mercado. A barreira de entrada real, em cidades já verticalizadas, não é capital nem know-how de obra. É paciência para negociar terra.
Em 3 pontos
1. Terreno, não projeto, é o ativo escasso — maior lote negociado na cidade em 2 anos tinha 2 mil m², este levou 15 anos de negociação e tem 6 mil m².
2. Mercado regional ainda está barato — Goiânia é o 3º maior mercado imobiliário do país, mas o preço não acompanhou o tamanho.
3. Capital não tem mais endereço — investidores de SP, Maranhão e Paraíba compraram sem nunca ter visitado a cidade, decidindo só pelo retorno.
Mercado regional ainda está barato
Goiânia é o terceiro maior mercado imobiliário do país e, ainda assim, segue com preços defasados em relação ao seu próprio tamanho. Isso não é exclusividade de Goiânia: é um padrão em capitais regionais que cresceram em população e renda sem que o preço do metro quadrado acompanhasse na mesma velocidade. Quando o produto certo aparece, com a chancela de quem já entende o mercado local e de um parceiro com musculatura nacional, esse descompasso de preço vira a própria tese de investimento.
O investidor comprou retorno, não endereço
O ponto mais revelador do teste não foi o volume vendido. Foi para quem vendemos. Unidades negociadas por investidores em São Paulo, no Maranhão, na Paraíba — gente que, antes de aceitar a proposta, nunca tinha ido a Goiânia e talvez nunca vá. Pra esse investidor, a pergunta não é “onde fica o imóvel”. É “quanto eu ganho, com que risco e comparado a quê”. Ele compara o retorno do imóvel com o que o dinheiro renderia na bolsa ou no mercado financeiro, e decide em cima disso, não em cima de uma plantinha ou uma maquete.
Isso muda o papel de quem vende. Não adianta mais depender só de quem já está na praça ou de leads que chegam por anúncio. O corretor que entende o produto, sabe traduzir o fluxo de pagamento e consegue gerar confiança à distância compete pelo mesmo investidor em qualquer lugar do Brasil, mesmo sem nunca ter pisado na cidade do empreendimento.
Minha visão
O crédito mais barato e a Selic em queda vão ajudar o mercado, mas o que esse teste me mostrou é outra coisa: o capital já não tem mais endereço fixo. Ele vai atrás de onde o preço ainda não embutiu o crescimento, e cada vez mais aceita decidir isso remotamente, com base em número e em confiança, não em visita a estande. Para o mercado regional, isso é oportunidade. Para quem vende, é a prova de que o limite de quem você alcança deixou de ser geográfico.







