Veja o resumo da notícia

  • O Blueprint Vegas 2026 apresentou inovações e tecnologias para o mercado imobiliário, incluindo Inteligência Artificial.
  • A tecnologia pode assumir etapas inteiras do trabalho, como análise de perfil de cliente e contratos de locação.
  • Imobiliárias devem se enxergar como empresas de serviços e experiência, com o corretor como parte fundamental.
  • Nenhuma Inteligência Artificial cria cultura de equipe ou substitui a capacidade de um líder em formar profissionais.
  • O futuro do mercado imobiliário integrará tecnologia como infraestrutura, mas a liderança e as pessoas serão essenciais.
Cultura ainda é uma tarefa humana nas imobiliárias
Cultura ainda é uma tarefa humana nas imobiliárias

Passei três dias no Blueprint Vegas 2026, principal evento global de inovação e tecnologia no mercado imobiliário. Vi demonstrações de Inteligência Artificial, agentes capazes de executar tarefas, novas plataformas e empresas tentando redesenhar processos do setor.

Tudo parecia apontar para a conclusão óbvia de que a tecnologia pode resolver tudo, mas não é bem assim. Quanto mais ferramentas estiverem disponíveis, mais importante será saber onde colocá-las e o que fazer com o tempo que a equipe economiza. E mais do que isso: nada do que eu vi me deu a sensação de “UAU”.

O WhatsApp é um bom exemplo. É uma tecnologia criada para tornar a comunicação entre pessoas mais rápida. Mas o WhatsApp não faz ninguém vender mais. O que faz diferença é como o corretor conversa, como apresenta as informações, como entende o momento do cliente e como constrói confiança.

A mudança agora é que estamos entrando em uma fase em que a tecnologia pode assumir etapas inteiras do trabalho. A Inteligência Artificial já consegue analisar o perfil de um cliente, apoiar uma análise de crédito, trabalhar com contratos e conectar diferentes partes de uma operação.

Pense em uma locação. Antes, levava horas, dias ou até semanas para concluir todas as etapas. Hoje, já existem operações em que análise e aprovação de perfil de crédito, fiança, contrato e vistoria podem estar conectados em uma mesma esteira. O mesmo princípio aparece na compra de um imóvel e em empresas de outros setores. Quanto mais simples for para o cliente concluir uma tarefa, maior tende a ser a qualidade da experiência.

A imobiliária precisa começar a se enxergar menos como uma empresa que vende imóveis e mais como uma empresa de serviços e experiência. O corretor é parte fundamental dessa experiência, mas não precisa carregar sozinho toda a operação.

E aqui está a provocação que deixo para quem trabalha no setor. Quão avançado ou atrasado está o seu negócio em tecnologia hoje?

Veja, nenhuma Inteligência Artificial cria cultura de equipe. E nenhum agente tecnológico substitui a capacidade de um líder formar bons profissionais, criar frequência de vendas e estabelecer uma maneira de trabalhar.

O futuro do mercado imobiliário não será uma disputa entre tecnologia e pessoas. A tecnologia será cada vez mais parte da infraestrutura do negócio. E, justamente por isso, continuo apostando em pessoas e liderança.

Retrato do empresário Cézar Haik
Cézar Haik

Colunista convidado

Cézar Haik é empresário, investidor e uma das principais referências em vendas no mercado imobiliário brasileiro. Iniciou sua trajetória como corretor de imóveis e chegou ao cargo de diretor de vendas da Cyrela, onde liderou o maior resultado comercial da empresa em seus 60 anos de história até sua saída. Ao longo da carreira, já movimentou mais de R$ 5 bilhões em vendas. Em 2025, fundou a ATrinca Real Estate ao lado de Flávio Augusto, Joel Jota e Caio Carneiro, ecossistema que reúne mais de 15 mil profissionais e mais de R$ 15 bilhões em negócios em desenvolvimento. É autor do best-seller O Longo Prazo Sempre Vence, host do podcast Qual é a Chave e defensor da profissionalização do mercado imobiliário, da formação de líderes e da cultura de alta performance baseada em disciplina, execução e visão de longo prazo.

Cézar Haik é empresário, investidor e uma das principais referências em vendas no mercado imobiliário brasileiro. Iniciou sua trajetória como corretor de imóveis e chegou ao cargo de diretor de vendas da Cyrela, onde liderou o maior resultado comercial da empresa em seus 60 anos de história até sua saída. Ao longo da carreira, já movimentou mais de R$ 5 bilhões em vendas. Em 2025, fundou a ATrinca Real Estate ao lado de Flávio Augusto, Joel Jota e Caio Carneiro, ecossistema que reúne mais de 15 mil profissionais e mais de R$ 15 bilhões em negócios em desenvolvimento. É autor do best-seller O Longo Prazo Sempre Vence, host do podcast Qual é a Chave e defensor da profissionalização do mercado imobiliário, da formação de líderes e da cultura de alta performance baseada em disciplina, execução e visão de longo prazo.