Veja o resumo da notícia

  • Aumento do número de domicílios no Brasil, impulsionado principalmente pelo crescimento da população de inquilinos.
  • Redução da proporção de imóveis próprios quitados em relação ao total de domicílios no país.
  • Expansão significativa no número de imóveis alugados, representando um quarto dos domicílios.
  • Crescimento expressivo no número de apartamentos, superando o ritmo de crescimento das casas.
Aluguel no Brasil
Imagem: Erich Sacco/iStock

O Brasil tem cada vez mais inquilinos e uma menor participação de proprietários com imóveis quitados. É o que indicam os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A participação dos imóveis quitados no total caiu 6,5 pontos percentuais, passando de 66,7% para 60,2%.

Já no caso dos imóveis alugados, o movimento é inverso. Em 2016, eram 12,2 milhões de domicílios nessa condição, número que passou para 18,9 milhões em 2025, uma alta de 54,1%. Em termos proporcionais, a fatia avançou de 18,3% para 23,8% no período.

Ou seja, a locação já representa quase um quarto dos domicílios no Brasil — o maior patamar da série histórica do IBGE. Mas ainda está abaixo de países desenvolvidos como Estados Unidos (31%), média da União Européia (34%) e Suíça (57%).

Destaques da Pnad Contínua (IBGE 2026)

  • Aluguel em alta: Domicílios alugados saltaram de 18,3% para 23,8% desde 2016.
  • Verticalização: O número de apartamentos cresceu 48,7% em dez anos.
  • Morar sozinho: 19,7% dos lares brasileiros são habitados por apenas uma pessoa.
  • Imóveis quitados: A fatia de casas próprias quitadas recuou para 60,2%.

Ainda segundo os números do IBGE, de 2016 a 2025, o total de domicílios passou de 66,7 milhões para 79,3 milhões, um avanço de 18,9% no período. Desse total, 44,5 milhões estavam quitados em 2016, número que subiu para 47,8 milhões em 2025, um crescimento de 7,3%.

Crescimento do mercado imobiliário: verticalização e a alta dos apartamentos

Os dados da Pnad mostram ainda que a maior parte das moradias no país continua sendo de casas: 65,6 milhões, ou 82,7% do total. Os apartamentos somam 13,6 milhões, equivalentes a 17,1%.

No entanto, o ritmo de crescimento é bastante diferente. Entre 2016 e 2025, o número de apartamentos avançou 48,7%, enquanto o de casas cresceu 14,2%. Em 2016, eram 57,4 milhões de casas e 9,1 milhões de apartamentos.

Em termos absolutos, foram adicionadas cerca de 8,2 milhões de casas, ante 4,5 milhões de apartamentos. Ainda assim, proporcionalmente, a verticalização avança mais rápido no país.

A Explosão da Locação no Brasil

Distribuição dos domicílios (em milhões) | Período 2016 – 2025

Total de Domicílios 79,3 mi em 2025
Avanço do Aluguel +58% desde 2016
Condição 2016 2019 2022 2025
🏠 Próprio já pago 45 45 47 48
🏦 Próprio pagando 4 4 4 5
🔑 Alugado 12 13 15 19
Fonte: Pnad Contínua / IBGE
Destaque: Crescimento recorde do aluguel

Mudança demográfica: o aumento de lares com apenas um morador no Brasil

Ainda segundo os dados da Pnad, a quantidade de brasileiros que moram sozinhos aumentou de 2012 a 2025, indo de 12,2% a 19,7%.

A diferença de 7,5 pontos percentuais a mais representa um salto de absoluto de 8,2 de lares habitados por uma única pessoa. A maior parte daqueles que moram sozinhos (46,8%) são pessoas de 30 anos a 58 anos, e outros 41,% têm 60 anos ou mais. Adolescentes de 15 anos de idade a jovens de 29 anos representam 12$ do total.

Quem mora sozinho no Brasil?

Perfil por gênero e faixa etária (%) | Dados Pnad Contínua

Entre os homens 30 a 59 anos 56,6% dos homens
Entre as mulheres 60+ anos 57% das mulheres
Grupo 15 a 29 anos 30 a 59 anos 60 anos ou +
Total 12,0% 46,8% 41,2%
Homens 14,8% 56,6% 28,6%
Mulheres 9,0% 35,0% 57,0%
Maior concentração por grupo
Fonte: IBGE / Pnad Contínua 2026

O arranjo mais comum no país ainda é o nuclear, assim denominado por reunir casais com ou sem filhos e pais ou mães com filhos. Em 2025, representava 65,6% dos domicílios, mas recuou em relação a 2012, quando era de 68,4%.

Entre os que vivem sozinhos, os homens eram maioria: 54,9%, contra 45,1% de mulheres. O perfil etário de cada grupo, porém, é bem diferente. Entre os homens, 56,6% tinham entre 30 e 59 anos. Entre as mulheres, a maioria, 56,5%, tinha 60 anos ou mais.

As maiores proporções entre os que moram sozinhos estão no Sudeste e Centro-Oeste, com 20,9% e 20%, respectivamente.

Clayton Freitas

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.