Veja o resumo da noticia

  • Financiamentos imobiliários com recursos da poupança registram queda de 7% em fevereiro, aponta levantamento da Abecip.
  • Houve retração no montante financiado e na quantidade de imóveis, com um recuo de 17,2% nos últimos 12 meses.
  • Captação da poupança volta a apresentar saída líquida em fevereiro, influenciada por fatores sazonais e despesas familiares.
  • Bancos adotam postura cautelosa na concessão de crédito, exigindo maior organização financeira dos compradores.
  • Recursos livres para financiamentos imobiliários também apresentam queda, tanto em valores quanto em imóveis financiados.
  • Caixa Econômica Federal lidera o ranking de financiamentos, seguida por Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.
Queda do crédito imobiliário impacta compra e venda de imóveis em 2026
Imagem: Miljan Živković / iStock

Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança caíram 7% em fevereiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo levantamento da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). No período, foram concedidos R$ 11,8 bilhões, volume 2,9% inferior ao registrado em janeiro.

Isso significa mais dificuldades para quem busca financiamento imobiliário, mas abre maior margem para vendedores terem de conceder descontos.

No primeiro bimestre, os financiamentos somaram R$ 23,9 bilhões, resultado 7,6% abaixo do observado no mesmo intervalo do ano passado.

Além do recuo no montante, o número de imóveis financiados também diminuiu em diferentes recortes:

● Mês: foram 35,1 mil unidades financiadas em fevereiro, queda de 3,4% na comparação anual e recuo de 1,6% em relação a janeiro;

● Bimestre: em janeiro e fevereiro, foram financiados 70,8 mil imóveis nas modalidades de aquisição e construção, redução de 4,5% frente ao mesmo período de 2025;

● Ano: Nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, foram financiados, com recursos da poupança SBPE, 454,3 mil imóveis, um recuo de 17,2% em relação aos 12 meses anteriores. Em volumes financeiros, o recuo foi de 17,3% (passou de R$ 186,5 bi para R$ 154,3 bi).

Captação da poupança em baixa

Segundo os dados do BC (Banco Central), em fevereiro deste ano, a captação líquida dos recursos das cadernetas do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) ficou negativa em R$ 4,068 bilhões, passando de R$ 284,66 bilhões para os atuais R$ 288,73 bilhões.

A saída líquida se dá quando os saques superam os depósitos. O valor citado acima não é o montante total de recursos da poupança, apenas a parte que é destinada a linhas de crédito para financiar a compra, construção ou reforma de imóveis.

Segundo os dados do BC, no geral, a poupança também apresentou recuo. Em fevereiro, os depósitos somaram R$ 326,76 bilhões, e as retiradas, R$ 333,38 bilhões, numa saída líquida e R$ 6,19 bilhões. O saldo total no mês ficou em R$ 1 bilhão.

O reflexo para quem compra e quem vende

Com menos recursos disponíveis, os bancos tendem a adotar uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, o que ajuda a explicar a queda tanto no volume financiado quanto no número de operações. Para quem pretende comprar, o cenário exige maior organização financeira, com entrada mais robusta e nome limpo.

Por outro lado, a redução de 17,2% no número de imóveis financiados nos últimos 12 meses pode diminuir a concorrência entre compradores, abrindo espaço para negociação de preços.

Para quem quer vender, o momento pode exigir mais paciência. A queda no volume de financiamentos reduz o número de compradores aptos a fechar negócio, o que reforça a necessidade de alinhar o preço às condições atuais do mercado.

Ainda assim, a presença de bancos privados mantém alternativas de crédito em aberto, o que pode ajudar a viabilizar negociações.

Recursos livres também em queda

Os financiamentos imobiliários com recursos livres, aqueles que não seguem as regras do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) ou do FGTS, também recuaram. Em fevereiro de 2026, essas operações somaram R$ 1,36 bilhão, com queda de 39,9% em relação a janeiro e de 6,3% na comparação anual.

No acumulado do primeiro bimestre, o volume ficou praticamente estável, levemente abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

Em número de imóveis, foram financiadas 7,9 mil unidades em fevereiro, com forte recuo frente a janeiro e também na comparação anual. Ainda assim, no acumulado de janeiro e fevereiro, houve leve alta: 20,8 mil imóveis financiados, avanço de 0,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Quem mais financiou imóveis no Brasil em fevereiro

1. Caixa Econômica Federal: R$ 6 bilhões e 22,7 mil imóveis financiados;

2. Itaú Unibanco: R$ 2,9 bilhões e 5,8 mil imóveis;

3. Bradesco: R$ 1,6 bilhão e 4,3 mil imóveis;

4. Santander: R$ 889 milhões e 1,8 mil imóveis.

Correção: Uma versão anterior deste texto informou incorretamente o volume financeiro financiado com recursos da poupança.

Clayton Freitas

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.