Veja o resumo da noticia

  • Melnick aumenta atuação no Minha Casa Minha Vida em Porto Alegre devido à demanda e enfraquecimento do médio e alto padrão.
  • Empresa redireciona terrenos e renegocia valores para focar nas faixas 3 e 4 do programa habitacional federal.
  • Crescimento do Minha Casa Minha Vida impulsionado por programa estadual e cenário pós-enchentes na capital gaúcha.
  • Resultados financeiros da Melnick em 2025 mostram crescimento do VGV e vendas, apesar de queda na receita no 4º trimestre.
Minha Casa Minha Vida Porto Alegre
diegograndi/iStock

A Melnick decidiu ampliar sua atuação no Minha Casa Minha Vida em Porto Alegre, diante do avanço da habitação econômica após as enchentes e da perda de força do médio e alto padrão na capital gaúcha.

A companhia prevê neste ano R$ 350 milhões em valor geral de vendas (VGV) em lançamentos da Open, que atua neste segmento. É um resultado quase 80% acima de 2025.

Minha Casa Minha Vida ganha espaço

A incorporadora, líder no mercado de médio e alto padrão da cidade, passou a direcionar para o Minha Casa Minha Vida terrenos que haviam sido comprados para outros perfis de projeto. O foco está nas faixas 3 e 4 do programa do governo federal.

Segundo o CEO Leandro Melnick, a mudança exigiu renegociação com os permutantes. “Explicamos a eles que não seria possível lançar projetos de médio e alto padrão pelos próximos cinco ou dez anos, dadas as incertezas do mercado. A melhor alternativa seria converter a vocação para o MCMV“, afirmou ao Metro Quadrado.

A empresa passou a trabalhar, em média, com desconto de até 80% sobre o valor originalmente acertado. Segundo o executivo, a diferença tende a ser compensada pelo maior número de unidades. “Temos uma demanda reprimida gigantesca, porque nunca houve um lançamento sistemático de MCMV”, disse Melnick.

Enchentes, demanda e estratégia de crescimento

Os segmentos de médio e alto padrão perderam força em Porto Alegre por causa dos juros, da queda da população no último Censo e da desaceleração após as enchentes. Nesse cenário, o programa Porta de Entrada, criado pelo governo gaúcho, ajudou a impulsionar o Minha Casa Minha Vida.

Em 2025, Porto Alegre foi a segunda cidade do Sul em lançamentos de habitação econômica, com 3,4 mil unidades, atrás de Londrina, com 4,4 mil, segundo a consultoria Brain.

Hoje, a Melnick tem landbank de R$ 4,4 bilhões. Desse total, 21%, cerca de R$ 1,5 bilhão, estão destinados aos projetos da Open.

Resultado da Melnick e alavancagem

No quarto trimestre, a receita líquida caiu 22%, para R$ 311 milhões. O lucro líquido ficou em R$ 34 milhões, com ROE anualizado de 13%. A queima de caixa somou R$ 220 milhões e a alavancagem subiu para 38%.

No consolidado de 2025, o VGV cresceu 7%, para R$ 1,7 bilhão, e as vendas avançaram 11%.

*Com informações do Metro Quadrado

Time Portas

O time de redação do Portas é responsável por produzir conteúdos que explicam e analisam, com profundidade e objetividade, os principais movimentos do mercado imobiliário.

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