Veja o resumo da notícia
- O mercado de imóveis de alto padrão em Porto Alegre registrou um crescimento de 11% nas vendas de janeiro a abril, com 174 unidades acima de R$ 2 milhões comercializadas.
- Compradores de imóveis de luxo são menos afetados por juros altos e oscilações econômicas, buscando planejamento financeiro e novos conceitos arquitetônicos.
- A classe média é a mais impactada pela renda achatada e crédito menos acessível, enquanto famílias de baixa renda contam com programas habitacionais.
- Incorporadoras estão focando no alto padrão, atendendo à demanda por serviços, diferenciais e experiência de moradia, além de localização e planta.
- Bairros como Rio Branco, Bela Vista, Petrópolis, Jardim Europa e Cristal concentram lançamentos e valorização, impulsionados por incentivos ao Centro Histórico e Orla.

O mercado de alto padrão segue aquecido em Porto Alegre, mesmo com um ambiente ainda desafiador para parte do setor imobiliário. De janeiro a abril, a capital gaúcha vendeu 174 imóveis acima de R$ 2 milhões, ante 157 no mesmo período de 2025. O avanço foi de 11%, segundo levantamento do Secovi-RS. No mesmo recorte, as vendas gerais de unidades na cidade caíram 12%.
Perfil de comprador explica a diferença
A leitura do sindicato é que o comprador de imóveis de luxo tende a ser menos sensível aos juros altos e a oscilações econômicas. Para Rafael Padoin Nenê, vice-presidente de Comercialização do Secovi-RS, à Gaúcha Zero Hora, esse público compra com maior planejamento financeiro e também responde a novos conceitos arquitetônicos, tecnologia construtiva e experiência de morar.
Classe média sente mais o aperto
A avaliação converge com a de Alberto Ajzental, coordenador do curso de Negócios Imobiliários da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo ele, famílias de menor renda encontram apoio em programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, enquanto compradores de maior poder aquisitivo seguem com capacidade de aquisição. A faixa intermediária, com imóveis entre R$ 450 mil e R$ 1,5 milhão, é a mais pressionada por renda achatada e crédito menos acessível.
Empresas ampliam aposta no alto padrão
Com esse cenário, incorporadoras direcionam mais atenção a faixas menos dependentes de financiamento. Marcelo Guedes, vice-presidente de Operações da Melnick, afirma que clientes de alto e altíssimo padrão passaram a demandar mais serviços, diferenciais e marcas associadas aos empreendimentos. Para ele, a decisão de compra vai além de localização e planta, com peso crescente da experiência de moradia.
Bairros concentram lançamentos e valorização
O aquecimento do setor imobiliário aparece principalmente em Rio Branco, Bela Vista, Petrópolis, Jardim Europa e Cristal, áreas que concentraram boa parte dos lançamentos e vendas no período analisado. O Secovi-RS também aponta que incentivos ao Centro Histórico e o alinhamento da Orla vêm estimulando produtos que já entram na régua acima de R$ 2 milhões. O levantamento considera apartamentos, coberturas e casas em condomínio, novos e usados, com base no valor informado para o imóvel.
*Com informações de Gaúcha Zero Hora







