
A Vitacon ampliou sua aposta na Rua Augusta, em São Paulo, após a revisão da Lei de Zoneamento em 2024. Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Ariel Frankel disse que a via pode seguir um movimento semelhante ao da Avenida Rebouças e se consolidar como um novo eixo nobre da capital.
Segundo o executivo, a incorporadora tem quatro terrenos na rua e avalia que 80% das opções disponíveis já estão comprometidas com projetos em andamento. “A rua já está bem formatada para a mudança, que deve ficar mais visível conforme os prédios sejam entregues. [Antes] era uma via de passagem, que está se transformando na nova grande potência nobre da cidade”, afirmou.
Zoneamento e valorização na Rua Augusta
A Augusta passou a integrar a revisão do mapa da Lei de Zoneamento em 2024, com ampliação do potencial construtivo em trechos enquadrados como Zonas de Corredor e Zonas Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEUs).
De acordo com a consultoria Binswanger, o preço médio dos terrenos na via saiu de R$ 34.191/m² em 2020 para R$ 42.700/m² em 2025. No alto padrão, as negociações já superam R$ 60.000/m².
A Vitacon já tinha um projeto lançado na região antes da mudança. Agora, prevê outros três lançamentos em 2026. “Vimos o valor dos nossos imóveis na Rebouças dobrar nos últimos cinco anos. Para a Augusta – e no nosso negócio, de forma geral –, buscamos produzir imóveis bem abaixo do custo de mercado para que o cliente possa surfar essa valorização também”, disse ao site.
Habitação de interesse social entra na CPI
A empresa é um dos alvos de questionamentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Habitação Social, instalada no segundo semestre de 2025. A investigação apura possíveis irregularidades na venda de unidades de Habitação de Interesse Social (HIS) em São Paulo.
Esse tipo de moradia representa cerca de 20% das unidades nos empreendimentos em que são aplicadas, mas Frankel estima que elas totalizem menos de 5% do portfólio total da empresa.
O executivo afirma que a Vitacon seguiu as normas nas vendas e defendeu a regularização do mercado. “Vemos com bons olhos a regularização [do mercado]. Quem tem mais experiência com esse tipo de produto vai implantar as alterações rapidamente – esse deve ser o nosso caso”, disse à Bloomberg Línea.
Segundo ele, a empresa não pretende retirar esse tipo de unidade dos projetos. “Não teremos uma redução. É um complemento ao nosso mix, que equilibra nossos produtos.”
*Com informações de Bloomberg Línea







