O Mercado Livre Imóveis é a vertical de anúncios de imóveis do Mercado Livre, o maior marketplace da América Latina. Ele não nasceu como portal imobiliário: é uma seção dos chamados Classificados, que o grupo mantém para veículos, imóveis e serviços e que funciona com regras diferentes das do comércio de produtos, sem comissão por venda. No Brasil, essa área ficou sempre à sombra de portais especializados como a OLX, o ZAP Imóveis e o VivaReal, e hoje atende principalmente anunciantes pessoa física.
Nesta página, a redação do Portas conta a trajetória dessa área, reúne curiosidades e explica como o Mercado Livre Imóveis funciona para quem procura e para quem anuncia. Como o grupo trata os imóveis de formas diferentes em cada país, a história mistura o Brasil com a operação regional.
A história do Mercado Livre Imóveis
De um plano de MBA ao Mercado Livre
A origem não está no mercado imobiliário. Em março de 1999, o argentino Marcos Galperin escreveu o plano de negócios do que viria a ser o Mercado Livre enquanto fazia MBA na Escola de Negócios de Stanford, segundo o relatório anual da empresa à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. Ele montou uma equipe e a operação começou na Argentina em agosto de 1999; a empresa foi constituída em Delaware, nos Estados Unidos, em outubro daquele ano. A Endeavor, organização de apoio a empreendedores que selecionou a empresa já em 1999, cita Hernán Kazah como cofundador ao lado de Galperin e descreve a ideia como um site no estilo eBay para a Argentina, com conteúdo local.
O Brasil veio logo: o mesmo relatório informa que o site brasileiro foi lançado em outubro de 1999, com escritório aberto em setembro. Em setembro de 2001, a empresa fez uma aliança estratégica com a eBay, que ficou com uma participação no capital e entregou à empresa a operação brasileira do iBazar, então controlada por ela. Em troca, a eBay se comprometeu a não competir na região até 24 de setembro de 2006. Em 2005, o Mercado Livre comprou a maior parte das operações do concorrente DeRemate.com, incluindo as do Brasil, por US$ 12,1 milhões. Em agosto de 2007, abriu o capital na Nasdaq, a bolsa americana de empresas de tecnologia.
As primeiras compras no setor imobiliário
Os primeiros movimentos em imóveis aconteceram fora do Brasil. Em janeiro de 2008, o grupo comprou a Classified Media Group, que operava o TuCarro, de veículos, e o TuInmueble, de imóveis, em países como Venezuela, Colômbia e Panamá. O preço foi de US$ 19 milhões. Em setembro de 2011, adquiriu 60% de um grupo mexicano de classificados com veículos e imóveis, e em abril de 2014, as empresas por trás do Portal Inmobiliario, do Chile, e do Guía de Inmuebles, do México, por US$ 38 milhões no total. A própria empresa cita o Portal Inmobiliario e o Guía de Inmuebles ao descrever como construiu a área de classificados.
O Brasil e os Classificados
No Brasil, o caminho foi mais curto e mais discreto. Segundo Caio Ribeiro, então gerente sênior de MercadoLivre Classificados e Novos Negócios, ouvido pelo Baguete em agosto de 2013, o interesse do site por imóveis começou com a criação da plataforma de Classificados, em outubro de 2012. A novidade era uma ferramenta para que clientes subissem milhares de anúncios de uma só vez e os administrassem em uma única tela, inclusive para outros canais.
Na mesma reportagem, a Brasil Brokers, grupo imobiliário com cerca de 17 mil corretores, anunciou uma parceria para publicar seus imóveis no Mercado Livre. Já havia cerca de 12 mil imóveis integrados, e a meta era passar de 30 mil até o fim de 2013.
Em janeiro de 2021, o Mercado Livre fechou uma parceria com a CrediHome, fintech de crédito imobiliário, para que o usuário pudesse pedir uma simulação de financiamento pela própria plataforma. À época, o diretor de veículos, imóveis e serviços, Luis Paulo dos Santos, disse que imobiliárias, corretores e pessoas físicas podiam anunciar de graça ou com um plano, sem comissão, e que a seção tinha mais de 3 milhões de anúncios de casas, apartamentos, terrenos, salas comerciais e galpões. O Mercado Livre receberia comissão sobre os empréstimos feitos pela CrediHome.
A decisão de 2023
Em 2 de fevereiro de 2023, o Imobi Report, veículo especializado no mercado imobiliário, informou que o Mercado Livre havia comunicado às imobiliárias parceiras o fim das contas imobiliárias profissionais no Brasil, a partir de 28 de fevereiro. Depois da data, imóveis só poderiam ser anunciados pelos planos de pessoa física, com gestão do próprio anunciante. Os pacotes profissionais não seriam renovados, e quem tinha planos trimestrais ou semestrais receberia o reembolso proporcional ao período não usado.
Segundo a empresa, em resposta ao veículo, o motivo era concentrar esforços em frentes já consolidadas no Brasil, com prioridade para o comércio eletrônico e os anúncios de veículos, e o Mercado Livre deixaria de ter uma área exclusiva para apoiar vendedores profissionais de imóveis. A empresa afirmou ainda que a mudança não reduziria o quadro de funcionários e não disse se pretendia oferecer outro serviço para imóveis no futuro. A reportagem lembrava que a empresa nunca tinha conseguido ganhar força no segmento imobiliário brasileiro, em contraste com a Argentina, onde os imóveis têm mais destaque no portal. Naquele país, o grupo comprou em novembro de 2022 a Simplestate, startup de investimentos imobiliários, e havia permitido, em 2021, o pagamento de imóveis com bitcoin.
O Mercado Livre Imóveis hoje
Em abril de 2024, a página institucional do grupo descrevia a área de Classificados como ativa na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, no México, no Uruguai e no Peru, com anúncios a preço mensal fixo e sem comissão por venda. O grupo dizia ter cerca de 5,9 milhões de anúncios e 103 milhões de visitas por mês somando veículos, imóveis e serviços, e chamava a seção de imóveis de a maior plataforma da região para comprar, vender e alugar, uma afirmação da própria empresa que o Portas não verificou. O relatório anual de 2025, divulgado em fevereiro de 2026, trata a expansão dos classificados de veículos, imóveis e serviços como uma das frentes de crescimento do grupo.
No comando do grupo, o mesmo relatório mostra Ariel Szarfsztejn como presidente-executivo (CEO) e Marcos Galperin como presidente executivo do conselho. O Portas não encontrou comunicado recente do Mercado Livre sobre uma nova estratégia de imóveis no Brasil.
Linha do tempo do Mercado Livre Imóveis
-
1999
Galperin escreve o plano em Stanford; a operação começa na Argentina em agosto e no Brasil em outubro.
-
2001
aliança com a eBay e compra da operação brasileira do iBazar.
-
2005
compra da maior parte da DeRemate.com, incluindo as operações no Brasil.
-
2007
abertura de capital na Nasdaq.
-
2008
compra da Classified Media Group, dona do TuCarro e do TuInmueble.
-
2012
criação da plataforma de Classificados, que passa a abrigar anúncios de imóveis no Brasil.
-
2013
parceria com a Brasil Brokers, com cerca de 12 mil imóveis já integrados.
-
2014
compra do Portal Inmobiliario, no Chile, e do Guía de Inmuebles, no México, por US$ 38 milhões.
-
2021
parceria com a CrediHome para simulação de financiamento.
-
2023
fim das contas imobiliárias profissionais no Brasil, a partir de 28 de fevereiro.
Curiosidades sobre o Mercado Livre Imóveis
-
O plano de negócios do Mercado Livre foi escrito em março de 1999, durante um MBA em Stanford, antes de a empresa ter sido formalmente constituída em Delaware.
-
O site brasileiro foi lançado em outubro de 1999, dois meses depois do argentino, e dois anos depois a empresa assumiu a operação brasileira do iBazar, da eBay.
-
Ao contrário do comércio de produtos, os anúncios de imóveis não pagam comissão por venda: o anunciante paga um valor fixo por anúncio, segundo a página institucional do grupo.
-
A categoria de Imóveis é uma das três, junto com Veículos e Serviços, que ficam de fora do Product Ads, a ferramenta de anúncios patrocinados do Mercado Livre, segundo a central de vendedores.
-
Em 2021, o Mercado Livre passou a aceitar bitcoin como forma de pagamento de imóveis na Argentina, segundo o Imobi Report.
-
A central de vendedores sugere que o título do anúncio siga a ordem tipo de transação, tipo de imóvel, quartos, bairro e extras. O exemplo da própria página é “Venda apartamento 2 dormitórios Consolação piscina”.
-
A oferta de ações de 2007 foi a primeira abertura de capital nos Estados Unidos de uma empresa apoiada pela Endeavor, segundo a própria organização.
Como funciona o Mercado Livre Imóveis
A área reúne anúncios de venda, aluguel e aluguel por temporada, e o contato é feito com o anunciante: o Mercado Livre funciona como vitrine, sem comissão sobre o negócio. O relatório anual do grupo descreve os classificados como uma área em que a empresa cobra apenas taxas de publicação, sem a taxa sobre o valor final que incide nos produtos do marketplace.
Para anunciar, a central de vendedores orienta o usuário a escolher o tipo de imóvel e de transação, enviar fotos horizontais com pelo menos 600 por 400 pixels, com a fachada na capa, e preencher título e descrição sem telefone ou outros dados de contato. A empresa avisa que anúncios com contato na descrição vão para as últimas posições da busca e que os anunciados com preço fora do mercado são pausados e enviados para revisão. Há dois destaques pagos, Ouro e Diamante, que a empresa afirma gerarem até 3 e 5 vezes mais contatos do que os anúncios sem destaque.
Sobre quem pode anunciar, há um ponto que o Portas não conseguiu fechar. A central de vendedores ainda descreve, sem data, contas com perfil de imobiliária e pacotes de anúncios. Já o Imobi Report registrou, em fevereiro de 2023, o fim dessas contas no Brasil, e a empresa afirmou então que os imóveis só poderiam ser anunciados por planos de pessoa física. O Portas não publica valores de planos porque não encontrou tabela oficial datada de acesso público, sem login.
O Mercado Livre Imóveis é confiável?
O Mercado Livre é uma empresa de capital aberto, com relatórios anuais auditados entregues à SEC, e o CNPJ 03.007.331/0001-41 aparece no rodapé das páginas de ajuda do site. No Reclame Aqui, o perfil do Mercado Livre, que reúne o marketplace inteiro e não só os imóveis, tinha reputação “Boa” entre 1º de abril e 30 de setembro de 2026, com nota 7,7 de 10 no semestre, 99,2% das reclamações respondidas, 76,7% resolvidas e 74,7% dos consumidores dizendo que voltariam a fazer negócio. Os principais motivos de queixa listados são atraso na entrega e problemas gerais com produtos, ligados ao comércio de produtos. Esse perfil usa o CNPJ 03.361.252/0001-34, de outra empresa do grupo, a MercadoLivre.com Atividades de Internet Ltda.
Nos imóveis, o dado mais relevante para o leitor é o papel da empresa: ela publica os anúncios, mas não intermedeia a negociação. Em 2021, o diretor da área descreveu a seção como ferramenta para anunciar, sem comissão. A central de vendedores avisa que o Mercado Livre nunca pede senhas nem códigos de verificação por telefone ou WhatsApp em nome da empresa. Consulta feita em 27 de outubro de 2026.
Canais de atendimento do Mercado Livre Imóveis
- Central de ajuda: mercadolivre.com.br/ajuda, compartilhada por todo o Mercado Livre; o rodapé traz o link “Contato”.
- Central de vendedores: vendedores.mercadolivre.com.br, com orientações para quem anuncia imóveis.
- Telefone: o Portas não encontrou telefone de SAC divulgado no rodapé do site nem na central de ajuda.
- Endereço informado no rodapé: Avenida das Nações Unidas, 3.003, Bonfim, Osasco (SP), CEP 06233-903.
Perguntas frequentes sobre o Mercado Livre Imóveis
Quem fundou o Mercado Livre?
O Mercado Livre foi criado em 1999 por Marcos Galperin, que escreveu o plano de negócios durante um MBA em Stanford. A Endeavor também cita Hernán Kazah como cofundador.
Desde quando o Mercado Livre tem anúncios de imóveis no Brasil?
A criação da plataforma de Classificados, em outubro de 2012, é o marco citado por um executivo da empresa em 2013. No mesmo ano, a Brasil Brokers anunciou uma parceria para publicar imóveis no site.
O Mercado Livre Imóveis cobra comissão?
Não. Segundo a página institucional do grupo, de abril de 2024, os anúncios de imóveis têm preço mensal fixo e não há comissão por venda. O Portas não encontrou tabela oficial de preços de acesso público.
Imobiliárias podem anunciar no Mercado Livre?
Em fevereiro de 2023, a empresa informou o fim das contas imobiliárias profissionais no Brasil, e os imóveis passaram a ser anunciados por planos de pessoa física. A central de vendedores ainda menciona pacotes para imobiliárias, e o Portas não conseguiu confirmar a situação atual.
Qual é o CNPJ do Mercado Livre Imóveis?
O rodapé do Mercado Livre informa o CNPJ 03.007.331/0001-41, com sede em Osasco (SP), e a central de vendedores usa a razão social Ebazar.com.br Ltda.
Quem é o dono do Mercado Livre?
O Mercado Livre pertence ao grupo MercadoLibre, Inc., empresa de capital aberto listada na Nasdaq desde 2007. Segundo o relatório anual de 2025, o CEO é Ariel Szarfsztejn.
Fontes consultadas (12)
- Mercado Livre: rodapé da Central de Ajuda (CNPJ e endereço), acesso em 27/10/2026
- Mercado Livre, central de vendedores: o que considerar na hora de anunciar seu imóvel (rodapé com a razão social Ebazar.com.br Ltda.), acesso em 27/10/2026
- Mercado Livre, central de vendedores: anuncie no Mercado Livre e atraia mais clientes (Product Ads), acesso em 27/10/2026
- Mercado Libre: seção de classificados online (veículos, imóveis e serviços), 11/04/2024
- SEC: relatório anual (10-K) da MercadoLibre, Inc. de 2014, com a história da empresa e a compra do Portal Inmobiliario, 2015
- SEC: relatório anual (10-K) da MercadoLibre, Inc. de 2025, 25/02/2026
- eBay: relatório anual (10-K) de 2001, sobre a aliança com a MercadoLibre, 2002
- Endeavor: Mercado Libre se torna a primeira empresa da Endeavor a superar US$ 10 bilhões em valor de mercado, acesso em 27/10/2026
- Baguete: Brasil Brokers, imóveis no MercadoLivre, 15/08/2013
- Suno Notícias: Mercado Livre fecha parceria com fintech de crédito imobiliário, 14/01/2021
- Imobi Report: Mercado Livre suspende anúncios imobiliários profissionais, 02/02/2023
- Reclame Aqui: perfil do Mercado Livre, dados de 01/04/2026 a 30/09/2026, acesso em 27/10/2026


