Veja o resumo da notícia
- Ministro do STF suspende liminar que paralisava emissão de alvarás em São Paulo, atendendo a pedidos da Prefeitura e da Câmara Municipal.
- Fachin justifica a decisão para evitar prejuízos à ordem administrativa, urbanística e econômica, citando impactos em serviços públicos.
- Decisão anterior gerava insegurança jurídica e afetava investimentos, empregos e arrecadação, com impacto direto na construção civil.
- Secovi e Câmara Municipal destacam prejuízos da liminar, como suspensão de unidades habitacionais e postos de trabalho.
- Ação do Ministério Público questiona constitucionalidade da Lei de Zoneamento, alegando falta de participação popular e estudos técnicos.
- Prefeitura defende legalidade do processo e aponta prejuízos econômicos, enquanto incorporadoras alertam sobre insegurança jurídica.
- Arquitetos e urbanistas criticam a falta de transparência e critérios técnicos na revisão do zoneamento da capital paulista.

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), derrubou a liminar que vigorava desde o dia 24 de fevereiro deste ano e suspendia a emissão de novos alvarás em São Paulo e liberou novamente o licenciamento urbanístico na cidade. A decisão atende a pedidos da Prefeitura e da Câmara e vale até o julgamento final da ação.
Ao justificar a medida, Fachin afirmou que a paralisação geral poderia trazer prejuízos relevantes para a cidade.
“A suspensão generalizada dos alvarás […] possui aptidão concreta para causar grave lesão à ordem administrativa e urbanística”, escreveu.
Ele também destacou que “a paralisação do licenciamento afeta não apenas empreendimentos privados, mas também a construção de creches, escolas, unidades de saúde e hospitais públicos”.
O ministro também apontou impactos econômicos diretos. Segundo ele, “resta caracterizado o risco de grave lesão à economia pública”, citando “a expressiva perda diária de arrecadação […] além do impacto negativo sobre investimentos estratégicos e sobre a geração de emprego e renda no setor da construção civil”.
Outro ponto citado foi a insegurança jurídica criada pela decisão anterior. Para Fachin, “a decisão questionada produz efeitos amplos e indeterminados, criando cenário de instabilidade institucional e insegurança jurídica”. Com isso, o STF suspendeu os efeitos da liminar e restabeleceu, por enquanto, a emissão de alvarás na capital paulista.
Fachin, porém, ressaltou que a sua decisão não entra no mérito da constitucionalidade da lei de zoneamento, que continua sendo discutida, porém, considerou que havia risco suficiente para justificar a derrubada da liminar. “A presente ordem de suspensão vigorará até o trânsito em julgado da decisão de mérito na ação principal”, escreveu o ministro.
Quadro-resumo: impasse sobre a suspensão de alvarás em São Paulo
| Parte Envolvida | Principal Alegação / Posicionamento |
|---|---|
| Justiça (TJ-SP) | Aponta indícios de irregularidades no processo legislativo, como a insuficiência de participação popular e a falta de estudos técnicos que embasem as mudanças urbanísticas. Alerta para o risco de danos irreversíveis à cidade caso novos alvarás continuem sendo emitidos sob a lei questionada. |
| Executivo (Prefeitura) | Defende a regularidade e constitucionalidade da revisão do zoneamento. Argumenta que o processo seguiu os ritos necessários e enfatiza os graves prejuízos econômicos e sociais causados pela paralisação das autorizações de construção na capital. |
| Incorporadoras (ABRAINC) | Alegam que a suspensão gera insegurança jurídica e compromete investimentos previstos de R$ 90 bilhões em VGV para 2026. Afirmam que a paralisação trava a oferta de 150 mil novas moradias, agravando o déficit habitacional da cidade. |
| Arquitetos e Urbanistas (IAB/SP) | Sustentam que a lei carece de transparência e critérios técnicos objetivos. Criticam o caráter casuístico de várias mudanças (benefícios a lotes específicos) e o fato de o texto final aprovado na Câmara ser diferente do que foi discutido com a sociedade. |
| Ministério Público (MP-SP) | Autor da ação que questiona a inconstitucionalidade das alterações na Lei de Zoneamento, sustentando que as mudanças recentes ferem princípios urbanísticos e de participação social. |
| Supremo Tribunal Federal | A suspensão generalizada dos alvarás […] possui aptidão concreta para causar grave lesão à ordem administrativa e urbanística |
O que diz Secovi e Abrainc sobre a decisão do STF
O Secovi lembrou que a decisão é provisória e não julga o mérito da ação. “O Secovi-SP e as entidades do setor imobiliário acompanharam o caso desde o início, atuando de forma conjunta ao Judiciário, à Câmara Municipal e à Prefeitura para retomar o mercado de forma rápida e segura, para preservar o direito à cidade”, informou o Sindicato da Habitação em nota.
Em nota, a Câmara de Vereadores informou que a liminar concedida anteriormente impedia a aprovação de 375 unidades de habitação de interesse social por dia. Além disso, comprometia até 197 mil postos de trabalho no setor da construção civil. Outro aspecto foi o represamento de R$ 90 bilhões de investimentos do segmento, bem como a perda de R$ 4,2 milhões por dia de arrecadação em outorga onerosa destinada ao Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano).
Para a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras), a decisão do STF corrige uma distorção grave que colocava em risco o funcionamento da cidade.
“Como reconheceu o próprio STF, a paralisação generalizada do licenciamento urbano tinha potencial de causar grave lesão à ordem e à economia públicas, comprometendo desde investimentos privados até a execução de políticas públicas essenciais, como habitação, saúde e educação”, diz a entidade.
Por que os alvarás haviam sido suspensos?
A decisão liminar da Justiça de São Paulo, emitida em fevereiro, suspendeu a emissão de novos alvarás de construção, demolição e supressão vegetal na capital, gerando forte debate entre agentes do setor urbano.
Na prática, o alvará é a autorização do poder público que garante que uma obra segue as regras da cidade.
Com a medida, cerca de 3.884 empreendimentos que aguardavam análise ficaram travados, ampliando a tensão entre Judiciário, Prefeitura, mercado imobiliário e entidades técnicas.
A suspensão atendeu a uma ação do Ministério Público que questiona a constitucionalidade da revisão recente da Lei de Zoneamento. O relator do caso apontou possíveis falhas no processo legislativo, como ausência de participação popular e de estudos técnicos consistentes.
Segundo a decisão, permitir novos alvarás nesse contexto poderia causar impactos irreversíveis na organização urbana, o que justificou a medida preventiva.
O que diz a prefeitura
Do outro lado, a Prefeitura defende que o processo seguiu os ritos legais e ressalta os prejuízos econômicos da paralisação, como a queda nas vendas e impactos no planejamento da cidade.
Incorporadoras X urbanistas
Já as incorporadoras argumentam que a decisão gera insegurança jurídica e pode comprometer cerca de R$ 90 bilhões em investimentos e a oferta de 150 mil moradias até 2026, agravando o déficit habitacional.
Arquitetos e urbanistas, por sua vez, apoiam a suspensão ao apontar falta de transparência e critérios técnicos na revisão do zoneamento, além de mudanças de última hora no texto aprovado.
Para especialistas, o problema central não é o crescimento urbano em si, mas a fragilidade do processo que originou a lei.








