Veja o resumo da noticia
- Crescimento dos estoques de incorporadoras de média e alta renda atrai atenção de investidores, com alta expressiva desde 2022.
- Lançamentos superam as vendas, elevando o estoque total e gerando preocupação com unidades já prontas para comercialização.
- Custos de manutenção de unidades paradas e a falta de poupança impactam negativamente as margens das empresas.
- Even e Eztec apresentam estratégias distintas para lidar com seus altos níveis de estoque e unidades concluídas.
- Mitre destaca-se pelo estoque reduzido, mas enfrenta desafios com o custo fixo impactando o retorno sobre o patrimônio.

Incorporadoras de média e alta renda estão no foco de investidores que acompanham o crescimento expressivo dos estoques no setor. Segundo levantamento do Banco BTG Pactual, 2025 terminou com 36,4 mil unidades em estoque – o equivalente a 16,6 meses de vendas, o maior número desde 2022.
Embora os lançamentos tenham subido 29% no ano, as vendas cresceram apenas 1%, provocando um aumento de 32% no estoque total. Destas unidades, 9,9 mil já estão prontas, o que gera mais preocupação.
“O brasileiro não tem poupança, e o estoque pronto exige uma entrada de 20% a 30% no ato, o que acaba corroborando com uma dinâmica de velocidade de vendas pior”, afirma o vice-presidente de Equity Research na XP Investimentos, Ygor Altero, para o portal Metro Quadrado.
Estoques elevados impactam margens
Os custos relacionados às unidades paradas também chamam atenção. Conforme relatório do BTG, “o custo de carregar as unidades ainda não vendidas é maior em meio ao cenário de taxas de juros ainda elevadas”.
Entre as incorporadoras, a Even finalizou o terceiro trimestre de 2025 com R$ 3,6 bilhões em estoque (23 meses de vendas), sendo que 39% correspondem a unidades prontas.
Já a Eztec possui R$ 2,9 bilhões em estoque. Destes, 41% são de unidades concluídas, após entregar R$ 2,6 bilhões em obras no ano passado.
Ambas as empresas destacam estratégias para lidar com a situação. A Even afirmou que “o nível de estoque condiz com o tamanho e planejamento da empresa” e disse que as unidades prontas correspondem a 12% do Valor Geral de Vendas (VGV) total, além de serem compostas por empreendimentos “bem localizados e de alto padrão”.
A Eztec, por sua vez, declarou em evento do BTG que tem vendido as unidades prontas com margens adequadas e ressaltou que o ritmo de lançamentos deve cair em 2026, favorecendo a redução dos estoques.
Mitre tem estoque reduzido, mas custo pesa no ROE
A Mitre se destacou pelo estoque mais baixo, de R$ 1,7 bilhão (16 meses de vendas), com apenas 5,5% de unidades prontas. Apesar disso, o BTG apontou que “o custo fixo desse estoque tem sido prejudicial ao ROE”, projetado em 10,5% para 2026.
Por outro lado, a incorporadora afirmou que a análise deve levar em conta o ritmo de vendas e a maturação dos projetos. “A VSO da Mitre foi de 43% nos últimos 12 meses e tem se mantido resiliente”, disse a companhia. Sobre as unidades previstas para 2026, a empresa destacou que estão “95% vendidas, o que nos dá conforto para o ano de 2026”.
*Com informações de Metro Quadrado







