Veja o resumo da notícia
- Mercado imobiliário residencial em São Paulo encerra 2025 com alta nos lançamentos, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida.
- O programa habitacional MCMV foi responsável pela maioria das vendas, com tíquete médio de R$ 270 mil, facilitando acesso à moradia.
- Apesar do bom desempenho, o mercado imobiliário paulista vislumbra um cenário de estabilidade para o ano de 2026.
- Setor enfrenta desafios como Reforma Tributária, aumento nos custos de construção e preocupações com a mão de obra qualificada.
- Aumento no estoque de imóveis residenciais, principalmente do MCMV, é um ponto de atenção para o mercado em 2026.
- Cenário político e econômico, incluindo as eleições presidenciais de 2026, influenciam o futuro do mercado imobiliário.

O mercado imobiliário residencial na cidade de São Paulo encerrou 2025 com alta de 34% nos lançamentos, totalizando 139,7 mil unidades, de acordo com a Pesquisa do Mercado Imobiliário (PMI) do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Desse total, 61% das unidades lançadas pertencem ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
O programa habitacional foi responsável também por 64% das vendas — cerca de 72 mil unidades. O tíquete médio dos imóveis do MCMV foi de R$ 270 mil.
“A produtividade na construção civil permitiu que o MCMV tivesse um aumento de preço significativamente abaixo da inflação na última década, ampliando o acesso das famílias”, destacou Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, para a Folha de São Paulo.
Segundo ele, o programa foi essencial para facilitar a moradia própria de cerca de 1,2 milhão de pessoas na capital desde 2016.
Apesar do desempenho positivo, o mercado vislumbra um cenário de estabilidade para 2026. A zona sul continua liderando o volume de lançamentos (40%), enquanto a maior velocidade de vendas foi registrada na zona norte, com 11,9%, em dezembro de 2025.
Estoques e desafios para 2026
O setor imobiliário na cidade de São Paulo ainda enfrenta desafios este ano, como o impacto da Reforma Tributária. Uma estimativa preliminar do Secovi-SP projeta aumento de 7% a 8% nos custos de construção. Além disso, há preocupação com a redução de mão de obra qualificada e possíveis alterações na jornada de trabalho.
Outro ponto de atenção é o aumento no estoque de imóveis residenciais, que cresceu 40,3% ao longo de 2025, alcançando 85,2 mil unidades. Desse total, 55% correspondem a empreendimentos do MCMV, volume suficiente para abastecer a demanda por oito meses.
Por outro lado, no segmento de médio e alto padrão, os lançamentos cresceram 41%, enquanto as vendas recuaram 11%, com um tíquete médio de R$ 1,1 milhão. Esse nicho concentra estoques equivalentes a 11 meses de oferta.
Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, acredita que “o mercado não crescerá de forma exponencial neste ano”, ressaltando que os juros altos ainda são uma barreira significativa, especialmente para imóveis entre R$ 700 mil e R$ 2,1 milhões.
“A perspectiva de queda dos juros e o aumento do financiamento ao comprador devem ajudar”, disse em entrevista ao Estadão/Broadcast. “Talvez estejamos caminhando para uma estabilização”, ponderou.
Expectativas macroeconômicas
O presidente geral do Secovi-SP, Jorge Cury, destaca ainda mais o cenário político e econômico, fator crucial para o futuro do mercado. Ele cita também as eleições presidenciais de 2026, com potencial para gerar incertezas.
Por outro lado, o pleito também traz oportunidades, principalmente com uma possível sinalização de ajuste fiscal por parte dos candidatos.
“Se na campanha eleitoral os presidenciáveis trouxerem a preocupação com o déficit fiscal, isso já melhora o clima”, afirmou Jorge Cury, à Folha de S.Paulo.
Ainda assim, segundo especialistas, o setor aposta no destravamento da demanda reprimida da classe média, previsto para 2027, com a queda dos juros e sinalizações econômicas positivas.
*Com informações de Folha de S.Paulo e Broadcast/Estadão







