Veja o resumo da noticia
- Retorno de incorporadoras de médio e alto padrão ao Minha Casa Minha Vida impulsionado por juros altos e incentivos fiscais.
- Eztec e Cyrela ampliam atuação no MCMV, impulsionadas por ajustes no programa e potencial aumento do poder de compra.
- Melnick expande operações no Sul, enquanto Moura Dubeux forma joint venture no Nordeste para atuar no MCMV.
- Analistas apontam que movimento reflete perda de fôlego da classe média e benefícios fiscais para baixa renda.
- MCMV representa grande parte dos lançamentos e vendas de imóveis novos, especialmente em São Paulo.

O Minha Casa Minha Vida (MCMV) voltou a atrair incorporadoras de médio e alto padrão em 2026, em várias regiões do País, diante do avanço das contratações, dos juros elevados para a classe média – a Selic está em 14,75% ao ano – e dos incentivos previstos na reforma tributária.
A mudança importa ao mercado imobiliário porque redireciona lançamentos e capital para o segmento econômico.
Crédito imobiliário e Minha Casa Minha Vida
A Eztec, de São Paulo, anunciou que retomará neste ano os lançamentos no programa. “O Minha Casa Minha Vida é um mercado pujante, e uma companhia do nosso tamanho não pode ficar de fora”, declarou o presidente executivo, Silvio Zarzur, em reportagem do Estadão Conteúdo.
A Cyrela Brazil Realty também ampliou sua atuação por meio da Vivaz. O segmento representava 10% dos lançamentos do grupo em 2023 e subiu para 29% em 2025. Para 2026, a expectativa é de nova expansão, apoiada nos ajustes do programa que serão votados em 24 de março pelo conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“Os ajustes, se confirmados, serão algo muito positivo. Eles vão aumentar o poder de compra da população e o tamanho do mercado”, afirmou o diretor financeiro, Miguel Mickelberg.
No Rio Grande do Sul, a Melnick criou a marca Open e iniciou operações no ano passado com três projetos e mais de 700 apartamentos. Hoje, tem quatro terrenos com capacidade para lançar 2,1 mil unidades.
No Nordeste, a Moura Dubeux formou, em 2025, uma joint venture com a Direcional para atuar em Natal, Fortaleza, Recife e Salvador. Trisul, Lavvi e Tecnisa também criaram braços para atuar no programa de moradia popular.
Segundo o analista do Itaú BBA Elvis Credendio, o movimento também reflete a perda de fôlego da classe média, com imóveis entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão.
“Ainda precisaria de muitas quedas na Selic e nas curvas longas de juros para reduzir os juros do crédito imobiliário e mudar de modo significativo o poder de compra da classe média, reaquecendo as vendas”, disse.
A analista do Santander Fanny Oreng afirmou que o movimento faz sentido com juros altos e benefícios fiscais. “Para essas empresas, a mudança faz muito sentido.
É um movimento cíclico contra o juro alto dos financiamentos para os projetos de classe média”, afirmou. “No fim, a taxação será menor para as empresas que atuam na construção de baixa renda“.
Em São Paulo, o MCMV responde por 61% dos lançamentos e 64% das vendas de imóveis novos, segundo o Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Na média nacional, a fatia fica pouco acima de 50%, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
*Com informações de IstoÉ/Estadão Conteúdo







