Veja o resumo da notícia
- Avanço das relações Brasil-China e a flexibilização de vistos impulsionam mudanças significativas no mercado imobiliário brasileiro.
- Empresas chinesas concentradas entre Vila Olímpia e Chucri Zaidan impactam locação e concepção de empreendimentos.
- Projetos imobiliários adaptam-se às preferências culturais chinesas, incluindo layout e áreas comuns.
- Estratégias de comunicação devem considerar a lógica cultural chinesa, indo além da tradução convencional.
- Modelo ‘built to suit’ incorpora referências culturais desde a concepção arquitetônica até a operação.
- Comercialização de imóveis ocorre via empresas chinesas ou intermediadores, exigindo visão ampliada dos canais.
- Entorno com produtos asiáticos, atendimento bilíngue e eventos culturais tornam-se diferenciais competitivos.

O avanço das relações Brasil-China e a flexibilização de vistos aceleram mudanças no mercado imobiliário brasileiro. Em artigo para o jornal Estadão, Flávia Schmidt, sócia-fundadora da Talk Strategic, aponta que o aumento de empresas chinesas e profissionais expatriados estão impulsionando produtos e estratégias direcionadas a público com hábitos distintos dos brasileiros.
Segundo a consultoria Newmark, as principais empresas chinesas no Brasil situam-se no corredor entre Vila Olímpia e Chucri Zaidan, em raio de 3 quilômetros. E esse fluxo impacta diretamente o perfil de locação e concepção de empreendimentos, avalia Schmidt.
Adaptação vai além da tradução
A especialista aponta que os projetos imobiliários já consideram preferências culturais chinesas desde layout até áreas comuns. Um exemplo é a JFL Living, que adotou placas em mandarim e pratos típicos da China no café da manhã para novos inquilinos.
“Não se trata apenas de promover um empreendimento convencional, mas de comunicar diferenciais que façam sentido dentro de outra lógica cultural”, argumenta Flávia Schmidt.
Segundo a especialista, o modelo ‘built to suit’ poderá incorporar referências culturais desde a concepção arquitetônica até a operação. Esse movimento significa também uma nova etapa do multifamily corporativo.
Canais de venda se transformam
A comercialização deste tipo de imóvel não acontece diretamente com o comprador final, aponta Schimidt. O processo é feito via empresas chinesas ou intermediadores responsáveis pela moradia de expatriados, o que, na opinião da especialista, exige “visão ampliada dos canais de relacionamento”.
Dessa forma, o entorno torna-se parte do branding imobiliário: supermercados com produtos asiáticos, atendimento bilíngue e calendários culturais – como o Ano Novo Chinês – tornam-se diferenciais competitivos.
“À medida que a presença chinesa se consolida em centros urbanos estratégicos, quem souber interpretar essas nuances terá vantagem competitiva”, conclui Schmidt.
*Com informações de Estadão







