Veja o resumo da notícia

  • A venda de imóveis no Brasil é travada por assimetria de informação, registros incompletos e baixa previsibilidade jurídica.
  • Cerca de 40% das matrículas de imóveis analisadas apresentam algum tipo de obstáculo jurídico, sendo 30% críticos.
  • Problemas mais recorrentes incluem heranças não registradas, confusões patrimoniais e edificações sem averbação.
  • Construções não averbadas, os 'puxadinhos', criam diferença entre a realidade física e o registro legal do imóvel.
  • Bancos não concedem crédito imobiliário para áreas não averbadas, reduzindo a liquidez e o poder de negociação.
  • Vender um imóvel com irregularidades conhecidas e não declaradas pode levar à rescisão contratual na Justiça.
regularização de imóveis
Ralf Geithe/iStock

A venda de imóveis no Brasil ainda esbarra em uma combinação de assimetria de informação, registros incompletos e baixa previsibilidade jurídica. Segundo dados internos da Kenlo, proptech de gestão, dados e automação imobiliária, essas falhas travam de 10% a 25% das propostas de compra e venda. A empresa processa uma base de 25 milhões de anúncios, convertidos em 14 milhões de imóveis únicos, e conecta mais de 8.500 imobiliárias e 44 mil corretores em 3 mil cidades.

Quatro em cada dez matrículas têm obstáculo

O levantamento mostra que cerca de 40% das matrículas analisadas têm algum tipo de obstáculo jurídico. Em 30% dos casos, os impedimentos são considerados críticos e inviabilizam legalmente a venda imediata. Na avaliação de Mickael Malka, CEO da Kenlo, ao InfoMoney, os problemas mais recorrentes envolvem heranças não registradas e confusões patrimoniais. Em muitos casos, o proprietário registrado não é o único dono real do imóvel.

Inventário e averbação pesam no bolso

Para a advogada Rute Endo, sócia-administradora do escritório Ivan Endo, as situações mais onerosas envolvem sucessão hereditária não concluída, espólio, inventário e edificações sem averbação. Essas pendências podem trazer débitos corrigidos de ISS e INSS e reduzir a margem do vendedor, já que o custo de regularização costuma recair sobre o proprietário antes da conclusão da operação.

Puxadinho” cria invisibilidade jurídica

As construções não averbadas, conhecidas como puxadinhos, criam uma diferença sensível entre a realidade física e o registro legal. Para o Direito, uma ampliação não registrada simplesmente não existe. Assim, o comprador adquire formalmente um imóvel menor do que o anunciado. Além disso, bancos não concedem crédito imobiliário sobre áreas não averbadas, o que reduz liquidez e poder de negociação.

Risco pode chegar à rescisão

A recomendação técnica é regularizar o imóvel antes de colocá-lo à venda. Isso amplia a segurança da transação, melhora o poder de barganha e reduz disputas posteriores. Segundo Rute Endo, vender um imóvel com irregularidades conhecidas e não declaradas pode configurar omissão de vício, permitindo que o comprador busque abatimento de preço ou rescisão contratual na Justiça.

*Com informações de InfoMoney

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.