Veja o resumo da noticia

  • Moura Dubeux e MRV&Co apresentam resultados positivos no 1º trimestre de 2026, com avanços em lançamentos e vendas.
  • Moura Dubeux expande lançamentos e diversifica atuação geográfica e de renda após oferta de ações.
  • MRV&Co foca em geração de caixa e redução de dívida, impulsionada pela venda de ativos da Resia nos EUA.
  • Empresas detêm juntas R$ 51,8 bilhões em terrenos, garantindo potencial para futuros lançamentos imobiliários.
mercado imobiliário aquecido com novos lançamentos em 2026
Imagem: MykolaSenyuk / iStock

As prévias operacionais de duas gigantes do mercado imobiliário listadas na B3 indicam que o primeiro trimestre de 2026 começou aquecido no setor. Moura Dubeux e MRV&Co reportaram avanço em lançamentos, vendas robustas e melhora na qualidade dos negócios no primeiro trimestre.

Líder no mercado do Nordeste, a Moura Dubeux calcula R$ 1,3 bilhão em lançamentos e R$ 1 bilhão em vendas entre janeiro e março. Já a MRV&Co destacou a geração de caixa no período, de R$ 387 milhões, sustentada tanto pela operação brasileira quanto pela venda de ativos da Resia, nos Estados Unidos, movimento realizado na tentativa de reduzir a alavancagem da companhia.

Destaques Operacionais do 1º Trimestre de 2026

  • Salto em Lançamentos: Moura Dubeux cresceu 218% em novos projetos, atingindo R$ 1,3 bilhão.
  • Geração de Caixa: MRV&Co reportou R$ 387 milhões positivos no trimestre.
  • Desinvestimento Estratégico: Venda de ativos da Resia (EUA) somou US$ 91,5 milhões para a MRV.
  • Landbank Gigante: Juntas, as empresas detêm R$ 51,8 bilhões em estoque de terrenos para futuros projetos.

Estratégias de expansão e liquidez no início de 2026

As prévias demonstram que as empresas adotaram estratégias diferentes. A Moura Dubeux está em ritmo de expansão após captar cerca de R$ 482 milhões em uma oferta de ações no início do ano, o que permitiu acelerar lançamentos. Ao todo, foram oito lançamentos só no primeiro trimestre, num avanço de 218% no comparativo com o mesmo período de 2025.

O que chama a atenção é a diversificação geográfica desses empreendimentos, abrangendo Alagoas, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Outro ponto é que a empresa, conhecida pela atuação junto à média e alta renda, entrou no segmento da baixa renda por meio da Ún1ca, uma joint venture com a Direcional, estreando no mercado de Minha Casa Minha Vida (MCMV).

Fortalecimento de caixa e desinvestimentos internacionais

Já o primeiro trimestre da MRV&CO foi marcado pelo fortalecimento do caixa e pela redução da dívida. A geração de caixa foi de R$ 387 milhões, e a empresa reportou R$ 128 milhões em incorporações no Brasil.

A venda de ativos foi determinante para o resultado do período da empresa mineira, especialmente as relacionadas à operação da Resia nos EUA. Essas vendas somaram US$ 91,5 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 480 milhões. A lista inclui o empreendimento Tributary (Geórgia, EUA), por US$ 73,3 milhões, e os terrenos Marine Creek e Tucker pelo valor de US$ 18,3 milhões.

Ainda segundo os dados da prévia, do plano de vender US$ 800 milhões de ativos para reduzir sua alavancagem, a MRV já conseguiu US$ 241 milhões, segundo dados da prévia operacional.

O potencial de crescimento com landbanks bilionários

Juntas, as duas empresas somam R$ 51,8 bilhões em estoques de terrenos (landbank). A Moura Dubeux encerrou o trimestre com um landbank de R$ 10,4 bilhões, enquanto a MRV&Co detém uma reserva estratégica de terrenos avaliada em R$ 41,4 bilhões, garantindo fôlego para novos lançamentos ao longo de 2026 e 2027.

Vale a pena comprar ações da Moura Debeux e da MRV?

Em análises divulgadas nesta terça-feira (7), o BTG Pactual destacou a alta no volume de vendas. No caso da Moura Dubeux, os analistas classificaram os resultados como “sólidos” e com lançamentos acima do esperado, bem como a velocidade das vendas. O que chamou a atenção do BTG Pactual foi o índice de 41% de venda dos lançamentos.

Em relação à Ún1ca, fruto da parceria com a Direcional, os analistas relatam ter havido um ruído, já que não havia o conhecimento prévio de que a Moura Dubeux detinha apenas 70% da Ún1ca (com os acionistas controladores possuindo os 30% restantes) e que sua participação real nos projetos MCMV é de apenas 35%.

No caso da MRV, os analistas indicam que o trimestre foi misto. “A MRV reportou números operacionais mistos no 1T, com lançamentos e vendas sólidos, mas ainda um fluxo de caixa livre (FCF) fraco no Brasil.” 

Por outro lado, ressalta a velocidade de vendas, com índice de 24% sobre a oferta, acima dos 18% registrados em igual período de 2025.

Apesar da indicação de compra pelo BTG, os papéis das duas empresas operavam em baixa nesta terça, por volta das 11h40. As ações de Moura Dubeux eram comercializadas a 29,91, numa queda de 1,87%, e os da MRV apresentavam retração de 0,37%. Em gera, o IMOB (índice que reúne todas as empresas listadas do setor), apresentava recuo de 0,99% no mesmo horário.

Clayton Freitas

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.