Veja o resumo da noticia
- Discussão no Congresso sobre a redução da jornada para 40 horas e fim da escala 6x1 no setor da construção civil.
- Estudo da Cbic aponta possíveis aumentos nos custos, desaceleração de obras e impacto na oferta de imóveis.
- Estimativa de aumento de até 15% no custo da mão de obra, impactando principalmente habitação popular.
- Micro e pequenas empresas seriam as mais afetadas, representando 98,7% dos estabelecimentos do setor.
- Setor avalia alternativas para compensar a perda de horas trabalhadas, como novas contratações.
- Necessidade de contratação de 288 mil novos profissionais, gerando um custo adicional de R$ 13,5 bilhões.
- Presidente da Cbic defende debate técnico sobre produtividade e falta de mão de obra no Brasil.

A proposta de reduzir a jornada semanal para 40 horas, em debate no Congresso Nacional e associada ao fim da escala 6×1, pode elevar custos, desacelerar obras e reduzir a oferta de imóveis no país, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (20) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Para o setor, a mudança afeta principalmente habitação popular e pequenas empresas.
Construção civil e custo da mão de obra
Pelos cálculos da Cbic, o custo da mão de obra pode subir até 15%. Hoje, a despesa do setor soma R$ 135,3 bilhões. No cenário mais oneroso, chegaria a R$ 155,6 bilhões por ano.
O levantamento de Ieda Vasconcelos, economista-chefe da entidade, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), mostra que a remuneração média por hora subiria de R$ 15,01 para R$ 16,51. A construção civil emprega cerca de 3 milhões de trabalhadores formais.
Segundo o estudo, o efeito seria mais forte nas micro e pequenas empresas, que representam 98,7% dos mais de 300 mil estabelecimentos do setor. Também atingiria a habitação popular, como o Minha Casa Minha Vida, onde a mão de obra responde por quase 60% do custo.
Jornada de trabalho e impacto nas obras
Para compensar a perda de horas trabalho por ano, o setor prevê três saídas: reduzir o ritmo das obras, contratar ou ampliar horas extras.
Para manter o nível atual de atividade, seriam necessários 288 mil novos profissionais. O custo adicional seria de R$ 13,5 bilhões por ano, já com encargos. Pela via das horas extras, o impacto pode chegar a R$ 20,3 bilhões anuais.
Renato Correia, presidente da Cbic, afirma que o debate precisa ser técnico e considerar questões como a baixa a produtividade do trabalhador brasileiro e a falta de mão de obra.
Inflação da construção pressiona o setor
O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), da Fundação Getulio Vargas, acumulou alta de 5,81% em 12 meses até janeiro de 2026. A mão de obra subiu 8,93%, acima da inflação. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 4,44%.
*Com informações da Folha







