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construtoras resultado 4tri25
Tarcisio Schnaider/iStock

A temporada de resultados das construtoras no quarto trimestre de 2025 (4T25) começa nesta quinta-feira (5), com a divulgação do balanço da Tenda (TEND3). As expectativas do mercado indicam desempenho mais forte das empresas focadas em habitação popular, enquanto companhias de média e alta renda enfrentam um ambiente mais desafiador, com a taxa Selic em 15% ao ano.

As prévias operacionais divulgadas pelas empresas apontaram leve desaceleração nas vendas no período, mas com manutenção da eficiência operacional. Analistas avaliam que o momento do setor segue positivo, refletindo margens sólidas e avanço de receitas.

“O quarto trimestre reforça as tendências positivas do setor como um todo. Então, o momento é muito bom e isso se traduz nos resultados”, comenta o analista de real state do Bradesco BBI, Pedro Lobato, ao site e-investidor.

Minha Casa Minha Vida sustenta desempenho da baixa renda

As construtoras voltadas à baixa renda — como Tenda (TEND3), Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Plano&Plano (PLPL3) — devem manter crescimento nas margens, apoiadas principalmente pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

O financiamento utiliza recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) com juros subsidiados para compradores. Com reforço do Fundo do Pré-Sal, cerca de R$ 200 bilhões estão disponíveis em crédito imobiliário para famílias de menor renda.

Além do funding, analistas apontam fatores estruturais favoráveis, como a formação de novas famílias e a demanda por primeiro imóvel. As empresas também apresentam baixo nível de endividamento e estrutura financeira considerada equilibrada.

Juros pressionam construtoras de médio e alto padrão

No segmento de média e alta renda, o cenário de juros elevados tende a limitar o desempenho das incorporadoras, embora as operações permaneçam resilientes.

“Por mais que o operacional esteja marginalmente piorando por conta do juro alto, as empresas têm sido muito resilientes”, afirma Lobato. Segundo ele, o setor vive um dos melhores momentos em termos de estrutura financeira, com baixa alavancagem.

Entre as empresas do segmento, a Cyrela (CYRE3) aparece como destaque. A companhia acelerou as vendas de estoque no quarto trimestre, que representaram 48,6% das vendas totais, e se beneficia de investidores estrangeiros na Bolsa.

Expectativas para os balanços das incorporadoras

Para a Tenda (TEND3), o BTG Pactual projeta margem líquida de 14,3%, lucro de R$ 109 milhões e receita líquida de R$ 1,04 bilhão no 4T25. A margem deve ficar abaixo da de pares devido à operação da Alea, divisão de casas off-site da companhia. Nesse negócio, as casas são fabricadas antes e só montadas no canteiro.

Na Direcional (DIRR3), o mercado espera margem líquida superior a 18% e margem operacional – medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) – de 26,7%, apesar de resultados levemente inferiores na comparação anual.

O resultado da MRV (MRVE3) deve ser impactado por uma mudança nas transferências da Caixa. A construtora teve fortes resultados operacionais sólidos, puxada pelo Minha Casa, Minha Vida.

A Cury (CURY3) pode apresentar um dos melhores desempenhos do trimestre, com expectativa de crescimento de cerca de 50% no lucro em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a Moura Dubeux (MDNE3) deve registrar aumento de mais de 100% no lucro líquido frente ao mesmo período do ano anterior.

Entre as incorporadoras de médio e alto padrão, a Eztec (EZTC3) pode apresentar queda de 9% no lucro anual e de 30% em relação ao terceiro trimestre. A Even (EVEN3) também enfrenta expectativas mais fracas, com projeção de prejuízo de cerca de R$ 14 milhões no período. A Cyrela (CYRE3) é exceção e deve apresentar margem perto de 34% e crescimento de 30% de lucro líquido no ano.

Analistas apontam que, além do alto patamar dos juros, um dos desafios para o setor pode ser o custo de mão de obra. “Isso pode afetar as margens, mas é um desafio que o setor tem de achar alternativas com novas tecnologias para se proteger”, afirma Lobato.

*Com informações do e-investidor