Veja o resumo da noticia
- Mercado imobiliário brasileiro encerra 2025 com alta nas entregas e lançamentos, mesmo com crédito mais caro, refletindo projetos de ciclos anteriores.
- Vendas no segmento de médio e alto padrão recuam devido ao impacto do crédito oneroso e à cautela das famílias em relação ao financiamento.
- Mercado de luxo demonstra aquecimento, com lançamentos em São Paulo dobrando em relação ao ano anterior, atingindo a marca de R$ 30 bilhões.
- Programa Minha Casa, Minha Vida impulsiona o mercado imobiliário, com crescimento nas vendas e procura no segmento econômico.
- Executivos do setor planejam lançar novos empreendimentos e adquirir terrenos, visando a formação de pipeline para os próximos ciclos.

O mercado imobiliário brasileiro fechou 2025 com alta de 13,7% nas entregas de imóveis e 30,1% nos lançamentos, apesar do crédito mais caro. Segundo os indicadores Abrainc/Fipe, o resultado mostra manutenção da produção mesmo em um ambiente financeiro mais restritivo.
Na prática, o avanço reflete a maturação de projetos iniciados em ciclos anteriores e a continuidade das obras pelas incorporadoras. “O crescimento de 13,7% nas entregas mostra que o setor chegou a 2025 com um volume relevante de obras em andamento”, afirma Luiz França, presidente da Abrainc, à Exame.
Crédito imobiliário pressiona médio e alto padrão
Em 2025, o mercado mostrou comportamentos diferentes entre os segmentos. No médio e alto padrões, as vendas caíram 21% no quarto trimestre, enquanto a procura recuou 23%, segundo o Indicador de Confiança do Setor Imobiliário Residencial, da Abrainc em parceria com a Deloitte.
“O impacto do crédito mais caro já é percebido, tanto na maior seletividade dos lançamentos quanto na decisão das famílias, que ficam mais cautelosas diante do custo de financiamento”, diz França.
O estoque atual desse segmento levaria cerca de 14 meses para ser consumido, patamar considerado saudável. “Esse segmento é mais sensível ao custo do capital e à confiança. Uma recuperação mais consistente passa, principalmente, pela queda dos juros”, afirma o executivo.
No mercado de luxo, a demanda continua aquecida. Os lançamentos em São Paulo dobraram em relação ao ano anterior, atingindo R$ 30 bilhões.
Minha Casa, Minha Vida sustenta mercado imobiliário
No segmento econômico, o Minha Casa, Minha Vida seguiu em trajetória ascendente. As vendas cresceram 0,7% e a procura avançou 2,5% no último trimestre de 2025, com apoio do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), desemprego em 5,6% e intenção de compra em 50%, segundo dados da consultoria Brain.
Entre executivos do segmento, 97% pretendem lançar novos empreendimentos nos próximos 12 meses e 94% planejam adquirir terrenos, segundo a pesquisa Abrainc/Deloitte. “O Minha Casa, Minha Vida deve ser visto como um programa de Estado, voltado a enfrentar um déficit habitacional de cerca de 6 milhões de moradias“, afirma.
Lançamentos e pipeline seguem no radar
França afirma que a compra de terrenos mira os próximos ciclos. “O mercado imobiliário não responde ao trimestre. A compra de terrenos está ligada à formação de pipeline para os próximos ciclos”, diz. Hoje, o setor opera com cerca de 11,9 meses de oferta.
*Com informações da Exame







