Veja o resumo da notícia

  • A poupança do SBPE registrou captação líquida positiva de R$ 2,3 bilhões em maio, o segundo mês consecutivo no azul.
  • O resultado de abril e maio reverte meses de saídas líquidas, que somaram R$ 32 bilhões entre janeiro e março.
  • Apesar da melhora, o saldo acumulado de 2026 até maio ainda é negativo em R$ 29,2 bilhões, mas melhor que em 2025.
  • O estoque de recursos do SBPE aumentou de R$ 748,6 bilhões em março para R$ 760,7 bilhões em maio.
  • A recuperação da poupança é crucial para o mercado imobiliário, pois o SBPE é uma das principais fontes de financiamento.
  • Aplicações de renda fixa, com Selic a 14,5% ao ano, continuam mais atrativas que a poupança para investidores.
Gráfico mostra melhoria para o financiamento imobiliário
Principal fonte para financiamento imobiliário tem alívio pelo segundo mês seguido - Imagem: hirun/iStock

Um sinal de alívio para o crédito imobiliário: a poupança destinada ao SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), principais fontes de recursos para o financiamento imobiliário no país, voltou a apresentar sinais de recuperação. Em maio, a modalidade registrou captação líquida positiva de R$ 2,3 bilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo BC (Banco Central).

O número marca o segundo mês consecutivo no azul após o resultado positivo de R$ 499 milhões em abril.

Quanto maior o volume de dinheiro disponível no sistema, maior tende a ser a capacidade das instituições financeiras de oferecer crédito para a compra de imóveis.

O desempenho representa uma mudança em relação aos primeiros meses do ano. Segundo o levantamento da autoridade monetária, entre janeiro e março, quando o desempenho estava no vermelho, o SBPE acumulou saídas líquidas de aproximadamente R$ 32 bilhões.

Com os resultados dos últimos dois meses, o saldo acumulado de 2026 até maio continua negativo em cerca de R$ 29,2 bilhões. Apesar disso, o cenário é mais favorável do que o observado no mesmo período do ano passado, quando, de janeiro a maio foram registradas retiradas líquidas de recursos da poupança imobiliária da ordem de R$ 39,1 bilhões.

Estoque melhora

Os números também mostram melhora no estoque de recursos disponíveis. O saldo do SBPE passou de R$ 748,6 bilhões em março (último mês com captação líquida negativa) para R$ 760,7 bilhões em maio, reforçando a percepção de estabilização após um período de forte pressão sobre a caderneta (o saldo inclui também rendimentos e outros efeitos contábeis).

A evolução da poupança é acompanhada de perto pelo mercado imobiliário porque o SBPE continua sendo uma das principais fontes de recursos para financiamentos habitacionais. A lógica é a seguinte: quanto maior o volume disponível, maior tende a ser a capacidade dos bancos de sustentar a oferta de crédito para compra de imóveis.

Aplicações de renda fixa ainda são atrativas

Num cenário de juros elevados, é comum os investidores buscarem alternativas de renda fixa, que são bem mais rentáveis do que a poupança, com a Selic fixada a 14,5% ao ano.

O boletim que traz a expectativa do mercado financeiro sobre os juros, o Boletim Focus, divulgado pelo BC nesta segunda-feira (8) indica uma projeção de juros de 13,5% ao final deste ano.

Ainda neste ano o mercado chegou a projetar a Selic a 12% ao ano, visão que foi alterada após a persistência dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Ainda é cedo para comemorar

Apesar dos sinais positivos recentes, especialistas avaliam que ainda é cedo para afirmar que a poupança imobiliária entrou em uma trajetória sustentável de recuperação. 

A Abrainc avalia que a poupança vem registrando perda estrutural de captação nos últimos anos e que o saldo atual ainda não acompanha o crescimento da demanda por financiamentos habitacionais. Na avaliação da associação, o mercado dependerá cada vez mais da diversificação das fontes de recursos.

Por isso, defende a preservação de instrumentos como LCIs, LIGs (Letras Imobiliárias Garantidas), CRIs e FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário), além da manutenção do papel do FGTS no financiamento da habitação popular.

Para o economista Odilon Guedes, conselheiro do Confecon (Conselho Federal de Economia), os próximos meses serão decisivos para confirmar se a melhora observada em abril e maio representa uma mudança de tendência ou apenas um movimento pontual. 

“Do ponto de vista macroeconômico, ainda é cedo para falar em recuperação da poupança imobiliária. Talvez seja necessário esperar os próximos meses”, afirma Guedes.

Segundo o economista, fatores externos e internos ainda podem influenciar o comportamento dos investidores. Entre eles estão as tensões geopolíticas envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que pressionam os preços do petróleo, além do ambiente político doméstico, que tende a ganhar intensidade com a aproximação das eleições. 

O economista destaca ainda que a poupança continua enfrentando forte concorrência de aplicações atreladas à taxa básica de juros. Segundo ele, a caderneta de poupança rende cerca de 8,2% ao ano, considerando no cálculo a remuneração de 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial). Enquanto isso, a Selic está atualmente em 14,5% ao ano. “As pessoas acabam preferindo aplicar em títulos atrelados à Selic em vez de colocar recursos na caderneta de poupança. É preciso esperar para ver se essa captação vai aumentar”, diz.

SBPE compete com LCIs e CRIs

O conselheiro do Corecon-SP, Adenauer Rockenmeyer, afirma que a evolução do SBPE depende tanto da atratividade dos investimentos disponíveis quanto do comportamento da demanda por crédito imobiliário.

No entendimento dele, títulos como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) são os que costumam competir diretamente com a poupança pelos recursos dos investidores. “Em um cenário em que as LCIs e os CRIs oferecem rentabilidade mais atrativa do que a poupança, os investidores tendem a direcionar seus recursos para esses títulos”, afirma.

Rockenmeyer destaca ainda que os juros elevados encarecem os financiamentos imobiliários e podem reduzir a procura por crédito. Com menos operações sendo contratadas, a pressão sobre os recursos disponíveis para empréstimos diminui. “Quando a taxa Selic está mais elevada, o custo dos empréstimos também aumenta. Como consequência, a demanda por crédito tende a diminuir”, afirma o economista.

SBPE | Captação líquida 2025

PeríodoCaptação líquida
Jan/25– R$ 20,3 bilhões
Fev/25– R$ 5,1 bilhões
Mar/25– R$ 9,2 bilhões
Abr/25– R$ 4,3 bilhões
Mai/25– R$ 100 milhões

2026

PeríodoCaptação líquida
Jan/26– R$ 18,8 bilhões
Fev/26– R$ 4,1 bilhões
Mar/26– R$ 9,1 bilhões
Abr/26+ R$ 498 milhões
Mai/26+ R$ 2,3 bilhões

Saldo do SBPE

2025

PeríodoSaldo
Jan/25R$ 757,5 bilhões
Fev/25R$ 757,2 bilhões
Mar/25R$ 752,1 bilhões
Abr/25R$ 752,4 bilhões
Mai/25R$ 756,9 bilhões

2026

PeríodoSaldo
Jan/26R$ 752,5 bilhões
Fev/26R$ 753,0 bilhões
Mar/26R$ 748,6 bilhões
Abr/26R$ 753,8 bilhões
Mai/26R$ 760,7 bilhões

Perguntas e respostas sobre o SBPE

O que é o SBPE e por que ele é importante para o mercado imobiliário?

O SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) é a principal fonte de recursos utilizada pelos bancos para conceder financiamentos imobiliários. Quanto maior o volume de dinheiro disponível no sistema, maior tende a ser a capacidade das instituições financeiras de oferecer crédito para a compra de imóveis.

O que significa dizer que o SBPE ficou “no azul” pelo segundo mês consecutivo?

Significa que houve mais depósitos do que saques na poupança destinada ao crédito imobiliário. Em abril, a captação líquida foi positiva em R$ 498 milhões e, em maio, em R$ 2,3 bilhões, interrompendo uma sequência de meses de retiradas de recursos.

O saldo do SBPE já voltou ao nível positivo em 2026?

Não. Apesar da melhora observada em abril e maio, o saldo acumulado do ano continua negativo. Entre janeiro e maio de 2026, a retirada líquida de recursos somou cerca de R$ 29,2 bilhões. Ainda assim, o resultado é melhor do que o registrado no mesmo período de 2025, quando as perdas chegaram a R$ 39,1 bilhões.

Como evoluiu o estoque de recursos do SBPE nos últimos meses?

O estoque de recursos apresentou recuperação. O saldo passou de R$ 748,6 bilhões em março para R$ 760,7 bilhões em maio, indicando uma melhora na disponibilidade de recursos para o financiamento imobiliário.

Por que a poupança ainda enfrenta dificuldades para atrair investidores?

A principal razão é a concorrência de aplicações de renda fixa mais rentáveis. Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, muitos investidores optam por investimentos que oferecem retornos superiores aos da poupança, o que reduz a entrada de recursos no SBPE.

Clayton Freitas

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.