Veja o resumo da notícia
- Incorporadoras de alto padrão em São Paulo reforçam aposta no Minha Casa Minha Vida devido à desaceleração do mercado de luxo.
- Empresas como Cyrela, Lavvi e Trisul ampliam participação no programa, enquanto Eztec e Mitre preparam entrada no segmento.
- A estratégia busca defesa de receita, diversificação de risco e demanda mais resiliente em um cenário de juros altos.
- Marcas separadas são criadas para o segmento econômico, como a Vivaz da Cyrela, para preservar o posicionamento das bandeiras principais.
- O segmento econômico exige adaptação, com margens menores (20% a 25%) e necessidade de controle de custos e metragens reduzidas.
- Dados do Secovi-SP mostram que o MCMV representou 75% dos lançamentos em abril de 2026, contra 25% dos imóveis fora do programa.
- As vendas de imóveis fora do MCMV recuaram 24,3%, enquanto as do programa avançaram 23,3% no mesmo período.
- O estoque de imóveis de médio e alto padrões somava R$ 50,3 bilhões em abril, quase 40% acima do ano anterior, pressionado por juros elevados.

A desaceleração dos imóveis de médio e alto padrões em São Paulo levou incorporadoras tradicionalmente associadas à alta renda a reforçar a aposta no Minha Casa Minha Vida, destaca reportagem do NeoFeed. Cyrela, Lavvi e Trisul já ampliam a exposição ao programa, enquanto a Eztec voltou ao segmento por meio de parceria com a Cury e a Mitre prepara sua entrada. A estratégia combina defesa de receita, diversificação de risco e busca por demanda mais resiliente em um ciclo de juros altos.
Marcas separadas preservam posicionamento
Para evitar diluir a imagem das marcas principais, as companhias têm criado unidades ou bandeiras próprias para o segmento econômico. Na Cyrela, a Vivaz ilustra esse movimento: sua participação nos lançamentos do grupo saiu de 10% em 2023 para 29% em 2025.
Segundo Felipe Cunha, diretor de incorporação e inovação das Vivaz e Living, o mercado está mais diversificado e favorece empresas capazes de atender diferentes perfis de clientes e ciclos econômicos.
Margens menores exigem nova operação
A virada, porém, exige adaptação. No segmento econômico, as margens giram em torno de 20% a 25%, abaixo dos 30% a 35% praticados no alto padrão. Além disso, as empresas precisam reduzir metragens, rever engenharia, controlar custos, ajustar vendas e disputar terrenos em um mercado aquecido.
A Mitre, por exemplo, pretende atuar em sociedade com uma empresa especializada, que ficará responsável pela construção, enquanto a incorporadora entra inicialmente com terrenos.
Dados mostram mudança de ciclo
O Secovi-SP mostra a dimensão da mudança. Em abril de 2025, imóveis fora do MCMV respondiam por 52% das unidades lançadas na capital paulista; um ano depois, essa fatia caiu para 25%, enquanto o programa chegou a 75% dos lançamentos.
Nas vendas, os segmentos fora do MCMV recuaram 24,3%, para 3.016 unidades em abril de 2026, enquanto o programa avançou 23,3%, para 6.572 unidades. A Velocidade de Vendas Sobre Oferta (VSO) dos demais segmentos caiu de 11,8% para 7,3%; no MCMV, ficou em 12,1%.
Estoque pressiona médio e alto padrões
O enfraquecimento da média e alta renda também aparece no estoque. Em abril, imóveis fora do Minha Casa Minha Vida somavam R$ 50,3 bilhões disponíveis para venda em São Paulo, quase 40% acima dos R$ 36 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
Para analistas citados na reportagem, juros elevados, funding mais restrito e preços próximos do teto em bairros valorizados podem prolongar a digestão do excesso de oferta.
*Com informações de Neofeed







