Veja o resumo da noticia

  • Desempenho financeiro positivo contrasta com queda acentuada das ações de incorporadoras.
  • Preocupação do mercado com o aumento dos custos de construção para os próximos meses.
  • Inflação de insumos impulsionada pelo INCC e pela alta do petróleo em cenário de guerra.
  • Setor Minha Casa, Minha Vida é mais afetado pela rigidez de preços de venda.
  • Analistas reconhecem resiliência operacional e capacidade de repasse de preços pelas empresas.
  • Percepção de risco elevada na bolsa pressiona ações apesar dos resultados operacionais fortes.
inflação da construção civil
Mauricio Graiki/iStock

As incorporadoras de capital aberto fecharam o primeiro trimestre com avanço de indicadores financeiros em relação ao início de 2025, segundo levantamento do Valor Data com 27 companhias. Ainda assim, entre as listadas, o preço das ações acumulava queda média de 39,46% desde o começo do ano até o início desta semana. A dissociação entre resultado e bolsa reflete menos a fotografia do trimestre e mais o receio com o custo de construção nos próximos meses.

INCC e petróleo recolocam margens no centro da análise

O foco do mercado está na inflação de insumos, intensificada pelo avanço do petróleo em meio à guerra no Irã. O INCC subiu 1,04% em abril e acumula 6,28% em 12 meses, com projeções de chegar perto de 10% se o choque persistir.

Esse cenário afeta principalmente empresas expostas ao Minha Casa, Minha Vida, onde o preço de venda não é atualizado pela inflação ao longo da obra, diferentemente do que ocorre em segmentos de média e alta renda.

Analistas veem operação resiliente, apesar de risco

Analistas de Bradesco BBI e Santander reconhecem que o momento operacional segue positivo e que as companhias têm conseguido repassar preços sem perda relevante de velocidade de vendas. Fanny Oreng, do Santander, disse ao Valor que o mercado estaria precificando uma compressão de margens maior do que a que deve aparecer nos resultados. O banco continua preferindo nomes do MCMV, como Cury e Direcional, pela capacidade de repasse e pelo suporte das mudanças recentes no programa habitacional.

Percepção continua pesando mais do que execução

Executivos do setor classificaram a reação dos investidores como exagerada e tentaram detalhar, nas teleconferências, o que já entrou de inflação e como estão revisando custos. Mesmo assim, a leitura dominante é de que os balanços ainda olham pelo retrovisor e que o segundo trimestre deve oferecer mais clareza sobre o impacto do petróleo. Até lá, o setor convive com uma situação paradoxal: resultados operacionais mais fortes, vendas ainda resilientes e ações pressionadas por uma percepção de risco que permanece elevada.

*Com informações de Valor Econômico

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.