Veja o resumo da notícia
- André Freitas, CEO da Hedge Investments, alerta para uma possível crise de crédito no mercado imobiliário brasileiro.
- O gestor aponta um descompasso entre o custo das dívidas e a capacidade de reajustar preços de venda ou aluguéis de imóveis.
- A renda fixa tem atraído recursos, com o CDI superando o IFIX e fundos de tijolo apresentando recuo.
- O mercado de capitais ganha peso no financiamento imobiliário, operando com taxas mais altas que poupança e FGTS.
- Freitas sugere elevar a meta de inflação para 4,5% ao ano, considerando o objetivo atual incompatível com juros mais baixos.

O Brasil pode estar perto de uma crise de crédito no mercado imobiliário, na avaliação de André Freitas, CEO da Hedge Investments. Em entrevista à Folha, ele alerta para o descompasso entre o custo das dívidas e a capacidade de reajustar preços de venda ou aluguéis.
Segundo o gestor, obrigações que avançam entre 15% e 17% ao ano não encontram repasse equivalente nos imóveis. Se a perda persistir, ele projeta mais inadimplência, provisões bancárias e redução da oferta de crédito, com impacto sobre compradores, empresas e fundos.
Renda fixa amplia disputa pelo investidor
O ambiente também desloca recursos para a renda fixa. Até 31 de julho, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) acumulava alta de 1,14%, ante 8,14% do CDI, conforme os dados citados pelo executivo. Fundos de papel rendiam 4,71%, enquanto os de tijolo recuavam 3,91%; os fundos de shopping permaneceram estáveis.
Mesmo assim, Freitas destaca o crescimento da base de investidores, de menos de 90 mil há dez anos para mais de 3 milhões. Liquidez, diversificação e a possibilidade de vender apenas parte das cotas seguem como vantagens dos FIIs, desde que o investidor conheça os ativos e os riscos.
Mercado de capitais ganha peso no financiamento
Poupança e FGTS, que antes respondiam por cerca de 70% a 80% do crédito imobiliário, passaram a dividir espaço com o mercado de capitais para o funding, segundo Freitas. Como essa fonte opera com taxas mais altas, o custo do financiamento aumenta.
O gestor cita Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) com juros de 16% a 17% ao ano e defende discutir o limite de 12% ao ano do Sistema Financeiro da Habitação. Na visão dele, imóveis comerciais e faixas subsidiadas do Minha Casa, Minha Vida mostram maior resiliência, enquanto a classe média enfrenta restrição de capacidade de pagamento.
Meta de inflação entra no debate
Freitas critica a meta de inflação de 3% e propõe elevá-la para 4,5% ao ano, por considerar o objetivo atual incompatível com juros mais baixos.
A regra vigente mantém a meta contínua em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O Banco Central informa que uma eventual mudança precisa ser anunciada com antecedência mínima de 36 meses. Portanto, a proposta não produziria alívio imediato sobre o crédito.
*Com informações de Folha de S.Paulo







