Veja o resumo da notícia

  • O PIB da construção civil registrou queda de 0,4% no segundo trimestre, interrompendo a recuperação do período anterior.
  • A desaceleração do consumo das famílias, que caiu 0,4%, pode ter influenciado o desempenho negativo do setor.
  • Empresários do setor preveem um ambiente econômico mais desafiador para o segundo semestre e para 2027.
  • Apesar da queda trimestral, o PIB da construção cresceu 1% em relação ao ano anterior e 1,1% no primeiro semestre.
  • A infraestrutura e o programa Minha Casa Minha Vida são apontados como vetores importantes para a atividade do setor.
Atividade na construção perde força depois de 1° tri forte
Atividade na construção perde força depois de 1° tri forte

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção caiu 0,4% no segundo trimestre em comparação com os três meses anteriores, informou nesta terça-feira (1°) o IBGE. O dado interrompe a recuperação observada no primeiro trimestre, quando o setor havia registrado a maior expansão desde o fim de 2023.

A economia brasileira como um todo cresceu 0,5% no segundo trimestre, uma desaceleração em relação ao avanço de 1,1% nos três meses anteriores. O consumo das famílias, com forte peso na composição do PIB, surpreendeu negativamente e caiu 0,4% – os analistas esperavam uma alta de 0,6%. Isso pode explicar parte do desempenho fraco da construção.

“O resultado do segundo trimestre preocupa, sobretudo, pelos possíveis reflexos nas decisões de novos investimentos. Começamos o ano com perspectivas melhores e hoje o empresário trabalha com um ambiente econômico mais desafiador para o segundo semestre e para 2027”, afirma Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Ela pontua que o desempenho negativo agora reflete a perda de dinamismo já percebida pelo setor e um ambiente econômico mais adverso do que o esperado.

O PIB da construção é uma medida ampla que engloba mais do que a atividade de construção e incorporação. Considera empreendimentos de infraestrutura e também o lado mais informal do segmento, como pequenas obras e reformas. Por isso, períodos com alta nas vendas e lançamentos imobiliários podem não implicar, necessariamente, em crescimento do PIB do setor.

Apesar da queda na comparação trimestral, o PIB da construção cresceu 1% em relação a um ano antes e acumulou avanço de 1,1% no primeiro semestre. Para 2026, a Cbic mantém a previsão de alta de 1,2% do PIB da construção.

“Sem dúvida, qualquer resultado negativo preocupa, mas continuamos esperando crescimento da construção neste ano. A infraestrutura tem exercido papel importante, puxada principalmente pelos investimentos privados, pelas concessões e pelo saneamento. No mercado imobiliário, o Minha Casa Minha Vida também continua sendo um importante vetor da atividade”, diz a economista-chefe da Cbic.

Atividades imobiliárias

O cálculo do PIB observa, pelo lado dos serviços, a evolução das atividades imobiliárias. O segmento também desacelerou e diminuiu o ritmo de expansão de 1,1% para 0,2% entre o primeiro e segundo trimestres, segundo o IBGE.

Jornalista Hugo Passarelli
Hugo Passarelli

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.