Veja o resumo da notícia
- Incorporadoras do Minha Casa, Minha Vida ampliam o uso do pró-soluto, crédito direto ao cliente para completar o valor da compra.
- O pró-soluto da Plano&Plano representou 7% a 8% do valor vendido e pode chegar a 12% em 2026, somando R$ 696 milhões.
- A exposição ao risco é maior quando o comprador já recebeu o imóvel, pois o crédito não tem a garantia da unidade.
- A Tenda viu o saldo pós-chaves com atrasos superiores a 90 dias crescer 46% entre o segundo trimestre de 2025 e 2026.
- Empresas como MRV e Plano&Plano buscam reduzir a exposição ao pró-soluto pós-chaves para mitigar riscos.
- Analistas consideram difícil abandonar o pró-soluto, pois ele é essencial para viabilizar a entrada de parte do público do programa.

Grandes incorporadoras do Minha Casa, Minha Vida ampliaram o uso do pró-soluto, crédito concedido diretamente ao cliente para completar o valor da compra. O instrumento ganhou espaço diante da menor disponibilidade de FGTS e da dificuldade de parte das famílias em formar poupança para a entrada. Ao facilitar a venda, porém, as empresas também acabam transferindo mais risco de crédito para o balanço, destaca reportagem do Metro Quadrado.
Plano&Plano projeta participação maior
Na Plano&Plano, o pró-soluto representou entre 7% e 8% do valor vendido nos últimos três anos e pode encerrar 2026 perto de 12%, segundo a companhia. A carteira somava R$ 696 milhões no fim de junho, 38% acima de um ano antes. O saldo pré-chaves cresceu 53%, para R$ 418 milhões, enquanto o pós-chaves avançou 20%, para R$ 278 milhões.
Pós-chaves concentra o maior risco
A exposição preocupa mais quando o comprador já recebeu o imóvel, pois o crédito não tem a garantia da unidade. Na Tenda, o pró-soluto pós-chaves, equivalente a 85% da carteira total dessa modalidade, subiu de 6,6% para 9,9% do VGV entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. No intervalo, o saldo com atrasos superiores a 90 dias cresceu 46%.
Companhias tentam reduzir a exposição
A MRV reduziu em 0,5% o saldo pós-chaves em 12 meses, para R$ 1,96 bilhão, e cortou o pré-chaves em 10%, para R$ 1,67 bilhão. A Plano&Plano também diminuiu a fatia pós-chaves da carteira, de 60% para 40% em três anos. Já a Tenda espera levar esse indicador novamente para uma faixa entre 7% e 8% do VGV.
Risco pode limitar a velocidade de vendas
O Santander avalia que a seleção de compradores poderá exigir um funil maior para manter o mesmo volume de vendas. Se a inadimplência permanecer elevada, as empresas podem reforçar provisões, reduzir a velocidade comercial e rever lançamentos.
Apesar disso, analistas ouvidos pelo Metro Quadrado consideram difícil abandonar o pró-soluto, porque ele segue essencial para viabilizar a entrada de parte do público do programa.
*Com informações de Metro Quadrado







