Veja o resumo da noticia
- Crescimento dos financiamentos do programa Minha Casa Minha Vida no primeiro quadrimestre.
- A demanda por crédito imobiliário popular mantém-se aquecida, conforme relatório do Itaú BBA.
- Expansão notável dos financiamentos do programa em São Paulo e na região Nordeste.
- O avanço do crédito habitacional ocorre também em regiões fora dos grandes centros urbanos.
- Análise da dinâmica do FGTS e seu impacto na sustentação do financiamento habitacional.
- Discussão sobre a proposta de extinção da escala 6x1 e sua baixa probabilidade de aprovação.

Um relatório do Itaú BBA aponta que os financiamentos do programa MCMV (Minha Casa Minha Vida) em 2026 cresceram 26% no acumulado de janeiro a abril deste ano em relação a igual período de 2025, confirmando que o mercado popular segue com força neste ano.
O estudo destaca que a demanda continua aquecida mesmo em meio às discussões sobre mudanças trabalhistas (fim da escala 6×1) e possíveis impactos no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Baixa renda em franca expansão no MCMV
O principal destaque do estudo está justamente no crescimento do crédito imobiliário dentro do Minha Casa Minha Vida voltado à baixa renda. Segundo o banco, os financiamentos para imóveis novos nessa faixa somaram R$ 36,7 bilhões entre janeiro e abril, o equivalente a 30,4% de todo o orçamento do programa para 2026.
Na avaliação dos analistas, o desempenho reforça a resiliência da demanda habitacional no segmento econômico. “A demanda no programa permanece forte”, destaca o relatório, assinado por Elvis Credendio, Daniel Gasparete, Mariangela Castro e Juliana Veiga, todos integrantes do setor de Real Estate do banco.
TOP 5 — Minha Casa Minha Vida 2026
Acumulado de Janeiro a Abril (Comparativo 2026 X 2025)
MCMV em Números (2026)
Financiamentos totais no primeiro quadrimestre.
Cidades que Puxaram a Expansão
Evolução de Financiamentos por Estado (% de crescimento)
Maiores Volumes por Região
| 1º Sudeste | R$ 18,0 Bi |
| 2º Nordeste | R$ 7,8 Bi |
| 3º Sul | R$ 5,2 Bi |
| 4º Centro-Oeste | R$ 4,2 Bi |
| 5º Norte | R$ 1,4 Bi |
Movimentação do FGTS (2026)
| Depósitos | R$ 76 Bi |
| Saques | R$ 64 Bi |
São Paulo lidera crescimento do Minha Casa Minha Vida
A cidade de São Paulo foi um dos principais motores da expansão do programa neste início de ano. Os financiamentos ligados ao MCMV na capital paulista avançaram 45% na comparação anual, alcançando R$ 6,4 bilhões.
O estado de São Paulo sozinho movimentou R$ 13,6 bilhões em financiamentos do Minha Casa Minha Vida até abril, crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o Itaú BBA, boa parte do crescimento do Minha Casa Minha Vida na capital está concentrada nas faixas 2 e 3 do programa, justamente aquelas mais ligadas às incorporadoras listadas em bolsa.
“Mais importante ainda, um dos aumentos mais significativos vêm da cidade de São Paulo, com alta de 45% na comparação anual, com a execução dos financiamentos concentrada principalmente na Faixa 3 (57% do total) e na Faixa 2 (26%)”, escrevem os autores do estudo.
Nordeste ganha protagonismo
Além de São Paulo, o Nordeste aparece como um dos principais destaques do levantamento. A região registrou crescimento de 42% nos financiamentos imobiliários do programa, saltando de R$ 5,5 bilhões para R$ 7,8 bilhões. Maranhão (+77%), Paraíba (+54%), Piauí (+47%) e Rio Grande do Norte (+45%) ficaram entre os maiores crescimentos regionais do país.
“Acreditamos que esses dados sinalizam que ainda há espaço para as companhias listadas continuarem crescendo”, aponta o texto do banco.
Os dados mostram ainda que o Norte do país teve expansão de 68% nas concessões de crédito habitacional, enquanto o Centro-Oeste avançou 25%. O Sudeste segue concentrando o maior volume financeiro, com R$ 18 bilhões liberados no período.
Minha Casa Minha Vida cresce fora dos grandes centros
Entre os maiores crescimentos proporcionais do país aparecem Distrito Federal (+85%), Tocantins (+82%), Maranhão (+77%) e Pará (+58%), indicando avanço do crédito habitacional também fora dos grandes polos tradicionais do mercado imobiliário.
O relatório também aponta crescimento relevante em estados como Ceará (+40%), Pernambuco (+41%) e Bahia (+34%), reforçando o fortalecimento do programa em diferentes regiões do país.
FGTS perde força no curto prazo, mas cenário não preocupa
Outro ponto analisado pelo Itaú BBA é a dinâmica do FGTS, principal fonte de recursos do financiamento habitacional popular. As entradas líquidas do fundo somaram R$ 11,9 bilhões no acumulado até abril, queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Março e abril foram os meses mais fracos, com retrações de 87% e 18%, respectivamente. Apesar disso, os analistas descartam um cenário de pressão estrutural sobre o fundo.
“Embora isso indique um cenário negativo nos últimos dois meses, não acreditamos que signifique que o balanço do fundo esteja sob forte pressão. Os ativos continuam a render juros, as taxas de desemprego estão nas mínimas históricas e março e abril tendem a ser meses sazonalmente mais fracos”, destaca o relatório.
Os depósitos no FGTS cresceram 8% no quadrimestre, alcançando R$ 76 bilhões. Já os saques avançaram 11%, somando R$ 64 bilhões no período. O banco também ressalta que o nível historicamente baixo de desemprego tende a continuar sustentando entradas robustas no FGTS, além do fato de o fundo possuir um balanço considerado sólido para manter novas concessões de crédito habitacional.
Escala 6×1 entra no radar do setor
O relatório também cita a proposta em discussão no Congresso para extinguir gradualmente a escala 6×1 ao longo de dez anos. O texto prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial, além de compensações às empresas, como redução de 50% nas contribuições ao FGTS e desoneração da folha para novas contratações.
Apesar do potencial impacto sobre a dinâmica de funding da habitação popular, o Itaú BBA considera improvável a aprovação da proposta nos moldes atuais.
“Com base nas nossas conversas com associações do setor, acreditamos que essa proposta dificilmente avançará, tanto em relação ao longo período de transição de dez anos quanto aos cortes propostos nas contribuições ao FGTS”, afirmam os analistas.







