Veja o resumo da noticia

  • Valorização de imóveis residenciais no Brasil em 2025 superou a inflação, impulsionada por fatores como o programa Minha Casa Minha Vida.
  • Salvador, João Pessoa e Vitória lideraram as altas, enquanto Aracaju, Teresina e Rio de Janeiro tiveram os menores avanços.
  • Desemprego em baixa, aumento da massa salarial e programas de auxílio estaduais também contribuíram para o aquecimento do mercado.
  • Apesar dos juros elevados, estímulos foram suficientes para sustentar a demanda e manter os preços acima da inflação.
  • Custos de construção e da mão de obra, que subiram, pressionaram a produção de moradias e aceleraram os preços.
  • Para 2026, a projeção é de valorização crescente, com a possível redução da Selic beneficiando o financiamento imobiliário.
preço de imóveis 2026
Imagem: Shutter2U/iStock

Os preços dos imóveis residenciais no Brasil seguiram em alta em 2025, com crescimento de 6,52% no valor médio (Índice FipeZap). A alta superou a inflação de 4,26%, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Para 2026, a expectativa de especialistas é que esta tendência se mantenha, marcando o quinto ano seguido com valores subindo acima da inflação.

Capitais como Salvador (16,25%), João Pessoa (15,13%) e Vitória (15,11%) registraram as maiores altas no ano passado, segundo pesquisa Fipezap. Já as capitais Aracaju (2,79%), Teresina (2,80%) e Rio de Janeiro (3,13%) tiveram avanços menores. São Paulo, por sua vez, apresentou alta de 4,56% nos preços de casas e apartamentos no ano passado, marcando sua posição como maior mercado imobiliário do país.

Fatores que impulsionaram o mercado

A valorização registrada em 2025 foi sustentada por fatores como desemprego em baixa e aumento da massa salarial, além da expansão do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O programa passou a atender um maior número de famílias. Somado à ele, outros programas estaduais de auxílio – como cheques para complementação de entrada – também estimularam as vendas.

Segundo Alison Oliveira, coordenador do Índice FipeZap, apesar da política de juros elevados, que dificultou o acesso ao crédito fora do MCMV, esses estímulos foram suficientes para sustentar o mercado. “Foi um cenário suficiente para sustentar a demanda e colocar os preços dos imóveis acima da inflação”, explicou ao Estadão.

Outros fatores contribuíram para a aceleração dos preços, como os custos de construção, que subiram 6,41% em 2025 segundo o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), e também da mão de obra.

“O custo da mão de obra pressionou a produção de moradias”, afirmou o economista Alberto Ajzental, da Fundação Getulio Vargas (FGV). No caso da mão de obra, o avanço foi de 9,46%, refletindo a falta de trabalhadores e o aumento dos salários no setor. E segundo Ajzental, com o mercado aquecido, a tendência é que a mão de obra continue cara.

O especialista também ressalta que a falta de crédito pelos bancos obrigou construtoras a buscar financiamento no mercado de capitais, aumentando ainda mais os custos repassados ao consumidor. “Quem compra um imóvel precisa se lembrar que está pagando pelo terreno, pela edificação e pelo financiamento que a construtora tomou. E tudo isso ficou mais caro”, ressaltou Ajzental.

Tendências para 2026

Para 2026, a projeção é de valorização crescente, com aumento de preços de 1 a 2 pontos percentuais acima da inflação, aponta Alison Oliveira do Fipezap. Além disso, a tendência de redução da Selic – taxa básica de juros da economia – pelo Banco Central deve beneficiar o financiamento imobiliário, aumentando o acesso das famílias ao crédito.

“Se confirmado, isso vai diminuir o valor da parcela. Aí, mais famílias vão conseguir comprar a casa própria”, afirmou Oliveira. A queda dos juros também deve aliviar os custos para as construtoras, com potencial para desacelerar o crescimento dos preços no médio prazo, ponderou Ajzental.

Embora o cenário para 2026 permaneça positivo para o setor, especialistas concordam que ainda estará longe de grandes altas. “Não será um boom, mas será relevante”, concluiu Ajzental.

*Com informações de Estadão

Marcela Guimaraes
Marcela Guimarães

editora/redatora

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)