Veja o resumo da noticia

  • Valorização de imóveis residenciais no primeiro trimestre de 2026 fica abaixo da inflação e do índice registrado no mesmo período de 2025.
  • Apesar da desaceleração, a alta dos preços de imóveis supera o IGP-M, usado para reajuste de aluguéis, no primeiro trimestre.
  • Em 12 meses, o preço médio dos imóveis valorizou mais que a inflação, mas apresenta desaceleração, segundo o Banco Central.
  • A maioria das 56 cidades monitoradas pelo FipeZap registrou alta de preços, com destaque para algumas capitais.
  • Dez capitais apresentaram alta real nos preços de imóveis no primeiro trimestre, com Belém liderando o ranking.
  • Vitória possui o maior custo do metro quadrado entre as capitais, enquanto Balneário Camboriú lidera na amostra ampliada.
Em São Paulo, imóvel subiu 0,83% no primeiro trimestre - Foto: Fred_Pinheiro
Em São Paulo, imóvel subiu 0,83% no primeiro trimestre - Foto: Fred_Pinheiro

O preço de imóveis residenciais fechou o primeiro trimestre com alta de 1,01%, segundo o Índice FipeZap. A valorização é inferior à observada nos três primeiros meses de 2025, quando mostrou aumento de 1,87%, e também ficou abaixo da inflação ao consumidor do início de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No curto prazo, no entanto, o FipeZap mostra uma leve aceleração no valor dos imóveis, com alta de 0,48% em março, acima das variações de janeiro (0,20%) e de fevereiro (0,32%).

O IPCA do primeiro trimestre, composto por duas divulgações do “índice cheio” e a prévia de março (IPCA-15), ficou em 1,48%. Vale a ressalva de que os dados disponíveis até o momento para o IPCA ainda não captam o impacto integral da guerra no Oriente Médio. Uma aceleração do índice de preços nos próximos meses, se confirmados os reflexos mais duradouros do conflito na economia mundial, pode abrir mais distância em relação à dinâmica do mercado imobiliário.

O avanço da cotação média do metro quadrado residencial foi suficiente para superar o IGP-M do primeiro trimestre, índice usado no reajuste de aluguel. Com queda de 0,73% em fevereiro e alta de 0,52% em março, porém, o IGP-M acumulou alta de apenas 0,19% nos três primeiros meses de 2026. E, em março, a alta do preço de imóveis residenciais ficou ligeiramente abaixo do IGP-M (0,48% versus 0,52%).

Na comparação com os últimos 12 meses até março, o preço médio de imóveis mantém valorização mais forte do que a inflação ao consumidor (5,62% contra 3,69%). Mas, nesta análise, o valor dos imóveis está em desaceleração (era de 8,13% em março de 2025) e a inflação, com perspectiva de aceleração, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.

São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte têm alta menor no preço de venda

Apesar do desempenho, em média, mais morno em 2026, o preço de imóveis residenciais mostra mais vigor em contextos locais.

Em março, as 56 cidades monitoradas pelo FipeZap registraram alta de preços e, entre as capitais, apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte ficaram abaixo da inflação ao consumidor do período. Como as quatro regiões têm forte peso na composição do índice FipeZap, a variação média do metro quadrado residencial tende a mostrar um número mais comportado.

Na capital paulista, o valor médio de empreendimentos residenciais subiu menos do que a média tanto em março (0,42%) como no primeiro trimestre (0,83%). O mesmo ocorreu no Rio de Janeiro, com altas de 0,33% (março) e 0,64% (trimestre). O FipeZap calcula, com base em anúncios, a evolução do preço de imóveis prontos.

No acumulado de janeiro a março, dez capitais sustentam alta real (acima da inflação), a maior parte delas com valorização superior a 2%. Veja o ranking:

  • Belém (PA): +4,90%
  • Manaus (AM): +3,06%
  • Fortaleza (CE): +2,87%
  • Vitória (ES): +2,86%
  • Florianópolis (SC): +2,72%
  • Salvador (BA): +2,69%
  • Campo Grande (MS): +2,37%
  • Natal (RN): +2,21%
  • Brasília (DF): +2,14%
  • Maceió (AL): +1,81%

Com os dados de março, o preço médio de imóveis residenciais ficou em R$ 9.720 o metro quadrado, segundo o FipeZap. Vitória tem o maior custo entre as capitais (R$ 14.603). Na amostra ampliada da pesquisa, a liderança e a vice-liderança ficam com cidades de Santa Catarina: Balneário Camboriú (R$ 15.146 o metro quadrado) e Itapema (R$ 15.073).

Jornalista Hugo Passarelli
Hugo Passarelli

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.