Veja o resumo da notícia
- Decisão do STJ sobre locações de curta duração levanta debate sobre adaptação das cidades às novas formas de viver.
- Rio de Janeiro serve de exemplo de transformação urbana, com crescente demanda por hospedagens flexíveis.
- Cidades competitivas são aquelas que conseguem se adaptar às transformações sociais e urbanas.
- Problemas urbanos como acesso à moradia e valorização imobiliária são anteriores às plataformas de locação.
- É fundamental criar produtos imobiliários com vocação clara, integrando moradia, investimento e hospitalidade.
- O MO.dO Design Living em Botafogo é um exemplo de empreendimento pensado para a cidade que muda.
- Ativos imobiliários relevantes oferecerão flexibilidade, qualidade urbana e eficiência operacional.
- Incorporadores e municipalidades devem trabalhar juntos para cidades mais organizadas e competitivas.

A recente decisão do STJ sobre locações de curta duração reacendeu um debate importante sobre o
futuro das cidades brasileiras. Mas acredito que a pergunta mais relevante não seja se devemos
permitir ou restringir esse tipo de hospedagem. A verdadeira questão é outra: como as cidades
devem se adaptar às novas formas de viver, trabalhar, viajar e ocupar o espaço urbano.
O Rio de Janeiro é um bom exemplo dessa transformação. A cidade voltou ao circuito dos grandes
eventos internacionais, recebe cada vez mais turistas, amplia sua vocação para a economia criativa e
atrai novos fluxos de investimento. Isso gera uma demanda crescente por hospedagens mais flexíveis
e por produtos imobiliários capazes de responder a diferentes formas de ocupação.
Ao longo da história, cidades que souberam interpretar as mudanças de seu tempo foram as que
mais prosperaram. No Rio, Pereira Passos entendeu que a cidade precisava se reinventar para
acompanhar um novo ciclo econômico e social. Em contextos diferentes, a lógica continua a mesma:
cidades competitivas são aquelas que conseguem se adaptar às transformações da sociedade.
Por isso, me parece um equívoco atribuir às plataformas de locação de curta duração problemas
urbanos que são muito anteriores à sua existência. Questões como acesso à moradia, pressão sobre
infraestrutura e valorização imobiliária fazem parte da dinâmica das grandes cidades há décadas.
Não surgiram com a tecnologia e dificilmente serão resolvidas apenas por meio de restrições.
Isso não significa ausência de regras. Pelo contrário. Transparência, compartilhamento de
informações e critérios claros são fundamentais para que o mercado funcione de forma equilibrada.
Regular é diferente de impedir. E essa distinção é essencial.
A evolução do mercado de short stay
O que estamos observando agora é uma evolução natural do próprio mercado. O short stay deixa de
ocupar espaços improvisados e passa a exigir empreendimentos concebidos desde a origem para
essa finalidade. E é justamente aí que o incorporador passa a ter um papel importante.
Se existem conflitos entre moradores permanentes, investidores e hóspedes temporários, a solução
não é ignorar a demanda. É criar produtos cuja vocação seja clara desde o início. Empreendimentos
pensados para integrar moradia, investimento e hospitalidade, com arquitetura, serviços, tecnologia
e gestão compatíveis com essa realidade.
Botafogo é um bom exemplo. O bairro reúne atributos cada vez mais valorizados na vida contemporânea: mobilidade, acesso ao metrô, vida cultural intensa, gastronomia, proximidade dos principais centros de trabalho e uma experiência urbana genuinamente carioca. É um lugar que funciona tanto para quem mora quanto para quem visita a cidade.
Além disso, Botafogo vive uma situação singular. Ao mesmo tempo em que se consolida como um
dos bairros mais desejados do Rio, possui limitações urbanísticas e escassez de novos terrenos que
restringem a oferta de produtos. Foi justamente dessa combinação entre demanda crescente e
oferta limitada que surgiu a oportunidade de desenvolver um novo conceito de studios, pensado
para uma cidade que muda rapidamente.
Acredito que os ativos mais relevantes dos próximos anos não serão necessariamente os maiores ou
os mais luxuosos. Serão aqueles capazes de oferecer flexibilidade, qualidade urbana, eficiência
operacional e uma experiência alinhada aos novos hábitos das pessoas.
Durante muito tempo o mercado imobiliário vendeu metros quadrados. Hoje, cada vez mais, vende
conveniência, mobilidade, tempo e qualidade de vida.
O economista Edward Glaeser costuma dizer que a maior riqueza das cidades está nas conexões
humanas que elas tornam possíveis. Concordo com essa visão. O valor de uma cidade não está
apenas em seus edifícios, mas na capacidade de aproximar pessoas, oportunidades, conhecimento e
experiências.
Como incorporador, não vejo meu papel apenas como o de construir edifícios. Vejo como a
responsabilidade de interpretar transformações sociais e traduzi-las em projetos que façam sentido
para a cidade.
Por isso acredito que incorporadores e municipalidades não estão em lados opostos. Ambos
dependem de cidades mais organizadas, mais atrativas e mais competitivas. Quando planejamento
urbano, regulação inteligente e iniciativa privada trabalham na mesma direção, o resultado vai além
de um mercado mais eficiente.
O resultado é uma cidade melhor preparada para o futuro







