Veja o resumo da notícia

  • A inteligência artificial transforma o mercado imobiliário, auxiliando na busca e decisão de compra de imóveis.
  • Cerca de 40% dos brasileiros já usam IA na jornada de compra ou locação, alterando a intermediação do corretor.
  • Nos EUA, 46% dos corretores já utilizam conteúdo gerado por IA, e 42% usam ferramentas de IA diariamente.
  • A IA pode organizar o funil de vendas, qualificar contatos e reduzir tarefas repetitivas para os profissionais.
  • O desafio é incorporar a IA ao cotidiano do corretor, com treinamento e uso responsável para melhorar a experiência do cliente.
  • O futuro do mercado imobiliário valorizará corretores que combinam dados, reputação e capacidade consultiva.
Prédios estilizados com pixels
A IA pode organizar o funil, qualificar contatos, produzir análises, apoiar a comunicação e reduzir tarefas repetitivas - Imagem: CoreDesignKEY / iStock

Toda vez que uma nova tecnologia chega ao mercado imobiliário, a pergunta se repete: o corretor será substituído? Essa discussão não começou com a inteligência artificial. Ela apareceu com portais de imóveis, CRMs, aplicativos de mensagem e visitas virtuais. A tecnologia muda processos, mas não elimina a orientação qualificada em uma das decisões emocionais e financeiras mais importantes da vida.

Como a IA transforma o mercado imobiliário

A diferença é que, agora, a mudança ganhou escala. A IA não organiza apenas anúncios nem automatiza tarefas. Ela interpreta comportamentos, identifica padrões de busca, apoia recomendações mais aderentes ao perfil do cliente e ajuda a antecipar momentos de decisão.

A jornada normalmente começa de forma emocional, com a busca por um imóvel que represente desejos, aspirações e estilo de vida. Ao pesquisar, porém, o consumidor compara opções, entende melhor preços e financiamento e ajusta expectativas à própria realidade. A tecnologia, portanto, não apenas facilita a busca. Ela ajuda a transformar uma escolha emocional em uma decisão mais consciente.

O impacto da IA no comportamento do consumidor e do corretor

Segundo pesquisa do DataZAP, braço de inteligência imobiliária do Grupo OLX, cerca de 40% dos brasileiros que buscam um imóvel já utilizam IA na jornada de compra ou locação. Esse comportamento altera a intermediação: em vez de esperar que o comprador manifeste interesse, o corretor passa a trabalhar com sinais como tipo de imóvel pesquisado, frequência de interação, faixa de preço, localização e possíveis objeções.

Os dados ajudam a dimensionar essa mudança. Pesquisa da National Association of Realtors mostra que 46% dos corretores nos Estados Unidos já utilizam conteúdo gerado por IA, enquanto 42% usam ferramentas de IA diariamente ou semanalmente. No Brasil, levantamento da Brain Inteligência Estratégica mostrou que 19% das empresas do setor já haviam usado IA; entre elas, 71% perceberam ganhos de eficiência e desempenho comercial.

A Brain também aponta que 49% dos brasileiros declaram intenção de comprar um imóvel em 2026, mas apenas 9% efetivamente compraram nos 12 meses anteriores. Entre os jovens da geração Z, a intenção chega a 59%. Existe demanda, mas há um desafio de conversão, confiança, crédito, timing e adequação entre desejo e realidade.

Desafios e oportunidades para o setor imobiliário

É nesse espaço que a tecnologia pode ser mais relevante. A IA pode organizar o funil, qualificar contatos, produzir análises, apoiar a comunicação e reduzir tarefas repetitivas. Mas ela não substitui a escuta, a negociação, o conhecimento local, a segurança jurídica e a capacidade de traduzir uma decisão complexa para uma família, um investidor ou um proprietário.

Por isso, mais do que lançar ferramentas isoladas, o desafio das empresas do setor é incorporar a IA ao cotidiano do corretor, com treinamento, critério e uso responsável. A tecnologia precisa estar a serviço de uma experiência melhor para o cliente, e não apenas da aceleração de tarefas operacionais.

O futuro do corretor de imóveis na era da IA

Ainda assim, é importante evitar uma leitura simplista. O futuro não será definido por quem usa IA para responder mais rápido ou criar descrições de imóveis em segundos. Isso será o básico. A diferença estará em quem conseguir combinar dados, reputação, presença local e capacidade consultiva para entregar uma experiência mais segura e eficiente.

O imóvel não é uma compra por impulso. Envolve crédito, patrimônio, família, localização, expectativa de valorização e o projeto de uma vida. A IA pode indicar caminhos e ampliar a capacidade de análise. Mas alguém precisa fazer as perguntas certas, interpretar as respostas e assumir responsabilidade pela orientação dada.

Por isso, a discussão mais importante não é se a IA substituirá o corretor. A pergunta correta é: quais corretores estarão preparados para trabalhar com ela? No mercado imobiliário que está se formando, a tecnologia não elimina o profissional. Ela expõe quem agrega valor e quem apenas intermedia informação.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portas


Peixoto Accyoli

Colunista convidado

CEO e presidente da REMAX Brasil

CEO e presidente da REMAX Brasil