Veja o resumo da notícia

  • Cartórios de imóveis do país padronizarão o registro eletrônico com base em parâmetros do ONR.
  • A medida, definida pela Instrução Técnica de Normalização nº 4/2026, afeta 3.621 cartórios.
  • A padronização visa superar a falta de uniformidade que dificulta a integração com bancos e a automação.
  • A expectativa é agilizar a análise de crédito e reduzir o spread em operações imobiliárias.
  • A interoperabilidade dos dados permitirá que sistemas de bancos e incorporadoras leiam informações automaticamente.
  • Especialistas apontam desafios na integração de cartórios com sistemas próprios ou operação analógica.
registro eletrônico de imóveis
Natali_Mis/iStock

Os cartórios de imóveis do país vão padronizar o registro eletrônico com base em parâmetros do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR). A medida foi definida pela Instrução Técnica de Normalização nº 4/2026 e afeta 3.621 cartórios dos Estados e do Distrito Federal.

A norma estabelece as bases técnicas do sistema. Também define como atos, documentos e informações devem ser estruturados no Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI).

Segundo o ONR, uma mesma operação, como compra, venda ou financiamento, pode ter nomes, formatos e estruturas diferentes conforme o Estado. Isso dificulta a integração com bancos e limita a automação em larga escala.

Fernando Nascimento, vice-presidente do ONR, afirma que o oficial de registro tem liberdade para redigir os atos. Porém, em um modelo digital integrado, a falta de padrão dificulta o diálogo entre sistemas.

“E existem divergências entre os Estados, como características locais de linguagem”, afirma ao Valor. “Às vezes há normas e orientações locais para padronização que criam ‘despadronização’ com os sistemas de outros locais, com textos, nomenclaturas e estruturas usadas”.

Resumo: o que muda com as novas regras

Comprador e vendedor

O efeito mais direto é a redução do prazo no processo de registro e financiamento. Com dados padronizados, bancos e cartórios trocam informações automaticamente — sem PDFs interpretados manualmente. Um financiamento que hoje exige múltiplas idas e vindas entre banco e cartório tende a ficar mais rápido. No médio prazo, a eficiência pode ser repassada como redução do spread cobrado pelas instituições financeiras.

Corretor e imobiliária

A padronização facilita a consulta e validação de matrículas em diferentes estados, útil para corretores com carteiras em mais de uma praça. A interoperabilidade deve agilizar a emissão de certidões e a verificação da situação jurídica do imóvel — etapas que hoje dependem de processos manuais em cada cartório. Também facilita o acesso à plataforma “Meu Registro”, lançada pelo ONR em junho de 2026, que unifica o acesso digital aos serviços cartorários.

Incorporadora e construtora

Empresas com empreendimentos em múltiplos estados se beneficiam da uniformidade para integrar seus sistemas com os cartórios. A norma prevê modelagem padronizada de dados de pessoas físicas, jurídicas e imóveis, em conformidade com a LGPD — facilitando verificação de titularidade e análise de crédito de compradores. Incorporações registradas com patrimônio de afetação também se beneficiam de maior rastreabilidade dos atos registrados.

Banco e instituição financeira

A interoperabilidade de dados estruturados é o maior ganho. Com a padronização, sistemas bancários conseguem ler e processar informações dos cartórios automaticamente — acelerando a análise de crédito, a verificação de garantias e a averbação de financiamentos. A expectativa de médio prazo é que a eficiência se reflita em redução do spread nas operações imobiliárias.

Crédito imobiliário e financiamento

Com a mudança, a expectativa de curto prazo é dar mais agilidade à análise de crédito pelos bancos. No médio prazo, o ganho de eficiência pode ser incorporado pelas instituições financeiras para reduzir o spread cobrado nas operações imobiliárias.

“Um financiamento imobiliário, que costuma ter várias etapas, ir e voltar entre o banco e o cartório, pode ter o prazo reduzido. O processo tende a ficar mais rápido e, consequentemente, mais barato”, afirma Nascimento.

Thiago de Campos Visnadi, da Campos Visnadi Soluções Jurídicas, disse ao jornal que o principal impacto será a interoperabilidade dos dados. “A transição de dados em PDF para dados estruturados em outros formatos permite que os sistemas de bancos, incorporadoras e órgãos públicos leiam essas informações automaticamente, o que agiliza a análise de crédito”, diz.

Marc Stalder, sócio de Direito Imobiliário do Demarest, avalia que a iniciativa não resolve o descolamento entre o ambiente regulado dos registros e as estruturas de mercado.

Visnadi aponta dificuldades na integração de cartórios com sistemas próprios ou operação analógica. “Migrar para esse tipo de padrão exige um investimento e treinamento de pessoal que pode a princípio trazer certa dificuldade”, diz ao Valor.

*Com informações do Valor

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.