Veja o resumo da notícia
- Crescimento da expectativa de demanda futura por empreendimentos do Minha Casa Minha Vida
- Alteração na percepção da situação atual das empresas atuantes no segmento habitacional popular
- O programa habitacional impulsiona a oferta de moradias com taxas de juros inferiores à Selic
- Aumento da preocupação empresarial com os desembolsos relativos a materiais e mão de obra
- A documentação e os trâmites administrativos continuam sendo a maior dificuldade citada pelo setor
- Estimativa de impacto geopolítico no Índice Nacional da Construção Civil para o ano seguinte

O otimismo está em alta entre as construtoras e incorporadoras que operam no Minha Casa Minha Vida. A fatia de empresas que acreditam que a demanda pelos empreendimentos vai aumentar nos próximos meses cresceu de 23,2% para 51,3%, mais do que o dobro em seis meses, segundo comparação entre sondagens do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre) realizadas em setembro de 2025 e março de 2026. Como comparação, apenas 26,9% das companhias que atuam fora do programa projetam aumento de demanda no mesmo período.
Por outro lado, alguns riscos aparecem no radar, o que pode frustrar o tom positivo do mercado. Os custos com materiais e mão de obra crescem como preocupação e a guerra no Oriente Médio pode levar o Índice Nacional da Construção Civil (INCC-M) a uma alta acumulada de até 9,72% em 2026.
O que dizem os números: otimismo dobra em seis meses
A percepção melhorou não só para o futuro, mas também para a situação atual das empresas que atuam no Minha Casa Minha Vida. Em setembro de 2025, 19,4% diziam estar em boa situação e 21,7% em situação ruim. Em março de 2026, houve uma inversão: 27,4% se dizem em boa situação e apenas 11,6% em situação ruim.
A tabela abaixo resume a evolução dos principais indicadores da sondagem entre os dois períodos:
| Indicador | Set 2025 | Mar 2026 |
|---|---|---|
| Empresas que projetam aumento de demanda | 23,2% | 51,3% |
| Empresas em boa situação atual | 19,4% | 27,4% |
| Empresas em situação ruim | 21,7% | 11,6% |
| Preocupação com custo de mão de obra | 20,9% | 29,7% |
| Preocupação com custo de materiais | 11,8% | 19,1% |
| Burocracia como principal dificuldade | 50,4% | 41,6% |
Fonte: FGV/Ibre, sondagem com 742 empresas do setor de construção civil, sendo 34,5% atuantes no MCMV; os dados acima dizem respeito apenas às empresas do MCMV
O Minha Casa Minha Vida respondeu por mais de 50% dos lançamentos de imóveis em seis capitais no ano passado e, turbinado em 2026, deve reforçar esse papel. Para o consumidor, significa mais oferta de imóveis a juros mais baixos do que a taxa Selic. Para quem investe na Bolsa de Valores, pode significar valorização das ações das empresas que atuam no segmento, caso os lançamentos e vendas se mantenham em alta.
O risco no radar: custos de materiais e mão de obra sobem
Apesar do otimismo, os dados do FGV/Ibre sinalizam uma preocupação crescente com custos. De setembro de 2025 para março de 2026, mais empresas citam os custos com materiais (de 11,8% para 19,1%) e com mão de obra (de 20,9% para 29,7%) como a maior dificuldade para lançar empreendimentos enquadrados no programa. A burocracia segue como principal queixa, mas reduziu as citações de 50,4% para 41,6%.
Um fator externo agrava o cenário: a estimativa do FGV/Ibre é que a guerra do Irã gere um impacto de até 3,89 ponto percentual no INCC-M em 2026, o que pode levar o indicador a uma alta acumulada de 9,72% no ano. O conflito no Oriente Médio afeta o preço de combustíveis e de insumos como cimento e PVC.
O INCC é relevante não apenas para as construtoras: ele é utilizado no reajuste de contratos de financiamento de imóveis em construção, o que significa que uma alta expressiva do índice afeta diretamente o bolso de quem comprou um imóvel na planta.
“Em abril os aumentos mais expressivos foram anunciados pelos fornecedores e o INCC já captou parte relevante desses aumentos. Esse novo cenário traz mais desafios especialmente para as empresas do MCMV. Projetos e orçamentos foram realizados dentro de um contexto que começou a mudar e deve ter efeitos duradouros.” — Ana Maria Castelo e Raphael Vianna, pesquisadores do FGV/Ibre
Vale destacar que a sondagem foi realizada em março, antes de o repasse mais intenso no custo de insumos começar a chegar às construtoras. Ou seja, os números de preocupação com custos podem ser ainda mais expressivos nas próximas edições do levantamento.







