Veja o resumo da notícia

  • Balneário Camboriú perdeu a liderança nacional do metro quadrado mais caro em maio de 2026, ficando atrás de Itapema.
  • Os preços médios na cidade subiram apenas 2,94% entre maio de 2025 e maio de 2026, abaixo da inflação de 5%.
  • A cidade vende o Senna Tower, projeto da FG Empreendimentos com 550 metros de altura e 228 unidades.
  • As unidades de entrada do Senna Tower custam cerca de R$ 28 milhões, e o VGV estimado é de R$ 8,5 bilhões.
  • O projeto Senna Tower sintetiza a força das branded residences no mercado de luxo, justificando preços elevados.
  • Mais de 90% das vendas da FG são feitas diretamente com a incorporadora, sem depender de financiamento bancário.
  • O modelo de financiamento com parcelamentos longos e permutas amplia o universo de compradores e investidores.
  • A desaceleração da valorização muda a percepção de risco, com parte do mercado buscando novas fronteiras.
Balneário Camboriú imóveis
jfbenning/iStock

Balneário Camboriú chega ao projeto mais ambicioso de sua história em um momento de menor fôlego no ciclo de valorização. Em maio de 2026, a cidade perdeu pela primeira vez em quatro anos a liderança nacional do metro quadrado mais caro para imóveis novos, ficando atrás de Itapema, sua vizinha no litoral catarinense. Segundo o FipeZap, os preços médios em BC subiram apenas 2,94% entre maio de 2025 e maio de 2026, desempenho abaixo da inflação de 5% no período e o terceiro pior entre 56 cidades monitoradas.

Senna Tower mantém narrativa de luxo extremo

A desaceleração ocorre enquanto a cidade vende o Senna Tower, projeto da FG Empreendimentos em sociedade com o empresário Luciano Hang. O edifício tem altura estimada em 550 metros, 157 andares e 228 unidades, entre apartamentos e mansões suspensas.

As unidades de entrada têm cerca de 300 m² e custam por volta de R$ 28 milhões; duplex e triplex nos andares mais altos podem chegar a R$ 200 milhões ou R$ 300 milhões. O VGV estimado é de R$ 8,5 bilhões, dos quais mais de R$ 2,2 bilhões já foram vendidos, o equivalente a 40% das unidades.

Marca ajuda a sustentar preço

O projeto também sintetiza a força das branded residences no mercado de luxo. Antes chamado Triumph Tower, o edifício ganhou a marca Senna por articulação da família do piloto, ampliando seu valor simbólico. Em Balneário Camboriú, esse movimento encontrou terreno fértil: a cidade já abriga projetos associados à Pininfarina e à Tonino Lamborghini, além de previsão de empreendimento da Armani/Casa. O branding ajuda a justificar tíquetes elevados, mas também aumenta a dependência de uma narrativa de escassez, prestígio e valorização futura.

Modelo de financiamento amplia base de compradores

Parte da expansão de BC se apoia em uma lógica financeira própria. No caso da FG, mais de 90% das vendas são feitas diretamente com a incorporadora, sem depender de financiamento bancário tradicional. Parcelamentos longos e permutas por imóveis, terrenos e até carros ampliam o universo de compradores e investidores. Estimativas do setor indicam que entre 50% e 60% das compras de apartamentos na cidade têm objetivo de investimento, o que ajuda a explicar a tração de lançamentos com preços muito elevados.

Valorização menor muda a percepção de risco

O ponto de atenção é que esse modelo depende da entrada contínua de compradores convencidos de que os imóveis seguirão se valorizando. Quando os ganhos perdem força, a narrativa fica mais difícil de sustentar.

Parte do mercado ainda vê suporte nos compradores de alta renda, na escassez de terrenos e no peso das marcas. Outra parte enxerga alerta na migração de demanda para cidades vizinhas, como Itapema, sugerindo que o capital especulativo antes concentrado em Balneário Camboriú pode estar buscando novas fronteiras de valorização.

*Com informações de InvestNews

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.