Veja o resumo da noticia
- Escassez de mão de obra no setor da construção civil leva empresas a adaptarem projetos e metodologias construtivas.
- Aumento nos custos de mão de obra e possíveis reduções na jornada semanal impactam prazos de entrega e custos de construção.
- Construtoras adotam métodos construtivos inovadores e padronização para mitigar a dependência de mão de obra e otimizar processos.
- Programa Minha Casa Minha Vida impulsiona a busca por soluções industrializadas e pré-fabricadas para otimizar a produção.

A falta de mão de obra já tem levado incorporadoras a mudar projetos e métodos construtivos no Brasil, enquanto o setor acompanha o debate sobre a redução da jornada semanal. A mudança pode afetar produtividade, prazo de entrega, custo de obra e estratégia de lançamentos, sobretudo no segmento de habitação popular, que tem margens mais apertadas.
Mão de obra pressiona custo e prazo na construção
Levantamento do BTG Pactual citado em reportagem do Valor mostra a construção como o segundo setor com maior carga horária semanal, de 43,5 horas. Se a jornada cair de 44 horas para 40 horas, o impacto seria de 7,7% no tempo de trabalho e de 6,5% no custo com pessoal nas obras. Se a restrição for de 36 horas, o impacto subiria para 17,8% no tempo de trabalho e 17,6% no custo.
A inflação da mão de obra avançou 8,91% nos 12 meses até fevereiro, ante inflação geral de 5,83% no setor, segundo o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).
Na Lavvi, o CEO Ralph Horn afirmou que a entrega do primeiro projeto popular deve atrasar seis meses. “Tem falta de mão de obra”, disse.
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Métodos construtivos e padronização ganham espaço
Para lidar com o cenário, a MRV está simplificando sua operação. De 266 tipologias de projetos para o Minha Casa Minha Vida (MCMV), pretende ficar com 50. Fora do programa, só 2 dos 59 tipos devem continuar. A empresa projeta 33% dos empreendimentos nesse modelo em 2026 e 39% em 2027.
A Cury vai lançar neste ano um empreendimento em parede de concreto. A Moura Dubeux também aposta nesse sistema e no drywall para elevar produtividade. A Direcional testa novos materiais no acabamento.
Em paralelo, o hubIC testa paredes de concreto feitas com impressoras 3D, em parceria com entidades do setor e incorporadoras.
Minha Casa, Minha Vida concentra ajustes
As mudanças aparecem com mais força no Minha Casa, Minha Vida, onde escala, repetição e industrialização ajudam a reduzir a dependência de mão de obra. A Tenda investe na Alea, uma empresa focada em modelos pré-fabricados, e reforçou a contratação de imigrantes. Em 2025, já havia em seu quadro 506 funcionários de 14 países.
*Com informações do Valor







