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Veja o resumo da notícia
- Demanda de brasileiros pelo Airbnb cresceu mais de 30% no terceiro trimestre de 2026 ante o mesmo período do ano anterior.
- Avanço ocorreu no trimestre em que a plataforma passou a retirar anúncios de imóveis HIS e HMP em São Paulo.
- Retirada dos anúncios começou em agosto e afetou mais de 1.600 imóveis, a partir de dados da prefeitura paulistana.
- Receita global da empresa somou US$ 4,9 bilhões no período, alta de 19%, com lucro líquido de US$ 1,9 bilhão.
- Noites e assentos reservados chegaram a 155 milhões no mundo, avanço de 16% sobre o terceiro trimestre de 2025.
- Aplicativo respondeu por 66% das noites reservadas, e a geração Z foi o grupo que mais cresceu entre novos usuários.

A demanda de brasileiros pela Airbnb cresceu mais de 30% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço foi registrado justamente no trimestre em que a plataforma começou a retirar anúncios de imóveis de HIS (Habitação de Interesse Social) e HMP (Habitação de Mercado Popular) em São Paulo, após pressão da prefeitura para impedir o uso dessas unidades em locações de curta temporada.
O desempenho brasileiro foi destacado pelo presidente-executivo da Airbnb, Brian Chesky, durante a teleconferência de resultados da companhia, realizada em 5 de novembro.
“No terceiro trimestre, as noites reservadas por hóspedes em nossos mercados de expansão cresceram no ritmo mais acelerado em quase três anos. O Brasil cresceu mais de 30%, e a Índia cresceu mais de 60%”
Brian Chesky, CEO da Airbnb, durante a teleconferência de resultados
Outro documento publicado pela empresa, a carta aos acionistas do terceiro trimestre, também classificou o Brasil como um dos destaques da América Latina. Segundo o documento, o país manteve crescimento anual superior a 30% nas chamadas origin net nights booked, indicador que considera as noites reservadas a partir da origem do viajante. O número de pessoas que fizeram sua primeira reserva na plataforma no Brasil também aumentou mais de 30%.
Airbnb: crescimento no volume de reservas
Avanço percentual por local de origem do viajante (A/A)
Na América Latina como um todo, a Airbnb registrou crescimento superior a 20% nas noites e assentos reservados. No resultado global, esse indicador avançou 16% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
O balanço internacional não traz números específicos sobre reservas em imóveis localizados no Brasil. As assessorias de imprensa da sede internacional da empresa e também a do Brasil foram procuradas para fornecer mais detalhes a respeito dos números apresentados no relatório de resultados.
Em resposta ao Portas, a Airbnb confirmou que o Brasil manteve crescimento superior a 30% no terceiro trimestre tanto nas noites reservadas por hóspedes com origem no país quanto no número de pessoas que fizeram sua primeira reserva na plataforma.
A empresa também informou que as viagens domésticas representaram 90% de todas as reservas feitas no Brasil em 2025. Naquele ano, hóspedes utilizaram a plataforma em 2.712 cidades brasileiras, quase metade dos municípios do país. Outras 237 cidades, distribuídas em 24 estados, registraram sua primeira reserva no Airbnb.
Retirada de anúncios começou em agosto
Os dados divulgados globalmente pela Airbnb são relativos ao período de julho a setembro de 2026. O avanço da demanda brasileira ocorreu em um período de mudanças na operação da plataforma em São Paulo.
Em maio, a Airbnb anunciou que passaria a identificar e bloquear anúncios de imóveis enquadrados como HIS e HMP que fossem utilizados irregularmente para hospedagem de curta duração. As unidades recebem incentivos urbanísticos e devem atender famílias que se enquadrem nos critérios de renda estabelecidos pela legislação municipal.
A retirada dos anúncios começou efetivamente em agosto. Na ocasião, mais de 1.600 anúncios foram afetados. O processo foi iniciado a partir de informações fornecidas pela Prefeitura de São Paulo e poderia continuar à medida que o poder público encaminhasse novos dados à plataforma.
A restrição não representa uma proibição geral do Airbnb na cidade, já que é focada em HIS e HMP. O debate sobre a utilização de apartamentos residenciais para hospedagens temporárias em condomínios é outra frente de discussão, que envolve decisões judiciais e convenções condominiais.
Receita global cresce 19%
No resultado mundial, a Airbnb registrou receita de US$ 4,9 bilhões no terceiro trimestre, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. O valor bruto de reservas (chamado de GBV, sigla para Gross Booking Value) chegou a US$ 27,7 bilhões, crescimento de 21%.
Já o total de noites e assentos reservados alcançou 155 milhões, avanço de 16%. O lucro líquido foi de US$ 1,9 bilhão, enquanto o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou US$ 2,5 bilhões, alta anual de 22%.
Na teleconferência de resultados, o presidente-executivo da Airbnb, Brian Chesky, afirmou que a aceleração dos resultados é consequência de uma série de mudanças implementadas pela empresa nos últimos anos.
“Isso não aconteceu da noite para o dia. A Airbnb cresceu muito rapidamente quando começou, mas, em determinado momento, nossa tecnologia e a maneira como operávamos não conseguiam acompanhar esse ritmo. Por isso, há alguns anos, começamos a reconstruir nossa base. Passamos anos reconstruindo nossa plataforma de tecnologia e redesenhamos o aplicativo”
Brian Chesky, CEO da Airbnb, durante a teleconferência de resultados
Segundo ele, a companhia precisou aceitar um crescimento menor no curto prazo para realizar esses investimentos. O executivo também destacou a importância do aplicativo para os resultados. As noites reservadas por meio dele cresceram 29% em um ano e passaram a representar 66% do total da plataforma.
O crescimento de novos usuários chegou a 13% no trimestre, o maior desde o início de 2022, com a geração Z como o grupo que mais avançou.
Outro movimento mencionado por Chesky foi a ampliação dos negócios para além das hospedagens em casas e apartamentos.
“Os hotéis não são apenas um novo negócio para a Airbnb. Eles também estão nos ajudando a expandir nosso negócio de hospedagens em casas”
Brian Chesky, CEO da Airbnb, durante a teleconferência de resultados
O executivo também afirmou que a inteligência artificial acelerou o ritmo de desenvolvimento da companhia: apenas no terceiro trimestre, foram lançados mais de 50 produtos e funcionalidades, quase 70% a mais do que um ano antes.
Os 5 maiores mercados do Airbnb
Segundo a carta aos acionistas, todos os mercados principais da companhia registraram aceleração no terceiro trimestre. O grupo do top 5 reúne Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá e Austrália.
Especificamente na América do Norte, o Airbnb registrou um crescimento de noites reservadas na faixa de dois dígitos baixos (entre 10% e 13%), o maior ritmo de expansão na região em quatro anos, acompanhado por uma alta de 6% na diária média.
Já na região que engloba Europa, Oriente Médio e África ( denominado EMEA no relatório da empresa), a alta das reservas ficou na faixa de 15% (descrita pela empresa como “dois dígitos médios”) , com aumento de 5% nos preços das diárias
Na América Latina e na Ásia-Pacífico, o crescimento superou 20%. Entre os mercados de expansão, a Índia teve alta superior a 60% nas noites reservadas por origem do viajante, enquanto o Japão registrou avanço na casa dos 20%.
No Brasil, além do crescimento superior a 30% nesse indicador, o número de pessoas que fizeram a primeira reserva na plataforma também aumentou mais de 30%.
A companhia informou ainda que o número de novos usuários cresceu 13% no mundo, o maior ritmo desde o início de 2022.
Maior expansão engloba Geração Z
Segundo Chesky, a geração Z foi o grupo etário que mais avançou na plataforma. As reservas feitas pelo aplicativo cresceram 29% em um ano e responderam por 66% das noites reservadas.
Do lado da oferta, os anúncios ativos aumentaram em ritmo anual de um dígito alto, e a quantidade de noites disponíveis cresceu mais rapidamente que o total de anúncios.









