Veja o resumo da notícia
- Setor da construção civil manifesta oposição à proposta de uso do FGTS para pagamento de dívidas, em discussão no governo federal.
- Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde histórico, com 80,4% reportados em março, segundo pesquisa da CNC.
- Abrainc demonstra preocupação com a proposta, que pode reduzir recursos para financiamento habitacional, impactando a população.
- Secovi-SP também se posiciona contra a liberação, alertando para o desvio da finalidade do fundo e seu papel em políticas públicas.
- A cada R$ 1 milhão aplicado pelo FGTS no setor imobiliário, são gerados 22 empregos diretos, segundo o Secovi-SP.
- Orçamento do FGTS para o Minha Casa Minha Vida apresenta expansão, com previsão de R$ 144,5 bilhões em 2026.

O setor da construção civil se opôs à proposta em estudo pelo governo federal para liberar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aos trabalhadores para pagamento de dívidas. A discussão foi citada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas, segundo ele, ainda não há medida definida.
O tema é sensível para o mercado imobiliário porque o FGTS é a principal fonte de recursos da habitação, sobretudo no Minha Casa Minha Vida (MCMV).
O endividamento da população brasileira atingiu nível recorde. O percentual de famílias endividadas chegou a 80,4% em março, maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
FGTS e financiamento imobiliário
A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) manifestou “forte preocupação” com a proposta avaliada pelo governo federal. Segundo a entidade, a medida pode reduzir significativamente os recursos do financiamento da casa própria, com impacto maior sobre a população de menor renda.
“É preciso cautela para não descaracterizar o papel do FGTS. Estamos falando de um instrumento essencial para o acesso à moradia no país. Qualquer medida que reduza sua capacidade de financiamento traz impactos diretos sobre o déficit habitacional, o emprego e o crescimento econômico”, afirmou o presidente da Abrainc, Luiz França.
Minha Casa Minha Vida e orçamento do FGTS
O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) também se posicionou contra a liberação do saldo para quitação de débitos em atraso. Em carta aberta, a entidade afirmou que a proposta desvia a finalidade do fundo e ignora seu papel nas políticas públicas de habitação, saneamento e infraestrutura.
O Secovi-SP informou que, a cada R$ 1 aplicado pelo FGTS em empreendimentos imobiliários, são gerados 22 empregos diretos. Segundo a entidade, a liberação para consumo imediato pode comprometer milhões de postos formais e a execução de projetos.
Dados do Ministério das Cidades mostram expansão do orçamento do fundo no programa habitacional. Em 2026, R$ 144,5 bilhões irão para o MCMV em financiamentos e subsídios. Em 2025, foram R$ 142,3 bilhões. Em 2024, R$ 102,4 bilhões.
*Com informações de Money Times/Estadão Conteúdo







