Veja o resumo da notícia

  • O fenômeno El Niño, confirmado em junho de 2026, já altera a rotina dos canteiros de obras no Brasil.
  • Empresas de construção civil passaram a antecipar serviços sensíveis à chuva e acompanhar previsões climáticas com mais frequência.
  • Períodos de chuva intensa e ventos fortes podem interromper etapas críticas como preparação do terreno e escavações.
  • A análise do risco climático deve ser considerada desde a escolha do terreno, projeto e construção, segundo a Fundação Vanzolini.
  • A industrialização da construção, com produção de partes em fábrica, reduz a exposição ao mau tempo e torna o cronograma mais previsível.
  • Paralisações por condições climáticas podem afetar a produção mensal das obras e elevar os custos de apólices de seguro.
  • O setor da construção civil ainda precisa escalar a adaptação e resiliência climática, apesar dos avanços na redução de impactos ambientais.
El Niño na construção civil
Rovena Rosa/Agência Brasil

O El Niño já altera a rotina dos canteiros no Brasil. Empresas passaram a acompanhar previsões com mais frequência e a antecipar serviços sensíveis à chuva, revela reportagem do Valor. O fenômeno foi confirmado em junho de 2026 e o boletim oficial do governo apontou probabilidade superior a 90% de permanência até o início de 2027. Em setembro, a NOAA, agência climática dos Estados Unidos, também indicou mais de 90% de chance de um episódio muito forte no outono e inverno do Hemisfério Norte.

Chuva e vento afetam etapas críticas

Períodos de chuva intensa e ventos fortes podem interromper trabalhos em áreas expostas. Etapas como preparação e nivelamento do terreno, escavações e bases dos edifícios estão entre as mais vulneráveis. A alternância entre seca e excesso de chuva também reduz a previsibilidade do cronograma. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio de Janeiro, eventos fora de época e ventos acima de 100 km/h afetam diretamente a execução das obras.

Risco começa na escolha do terreno

Para Manuel Carlos Reis Martins, da Fundação Vanzolini, o risco climático deve entrar na equação econômica desde o início. A análise envolve terreno, projeto, construção, operação e manutenção. Edifícios podem permanecer em uso por 50 a 100 anos, enquanto muitos parâmetros ainda se baseiam no clima passado. Entre as respostas estão ampliar áreas permeáveis, melhorar a drenagem, armazenar água da chuva e elevar o desempenho térmico e energético.

Industrialização reduz exposição

Na Tenda, o clima passou a ser acompanhado ao lado de custo, prazo e mão de obra. A empresa antecipa etapas vulneráveis e amplia a construção fora do canteiro por meio da Alea. Cerca de 60% de cada residência da marca é produzida em fábrica. Isso reduz a exposição ao mau tempo e torna o cronograma mais previsível. Tenda e Alea somam mais de 80 obras em andamento.

Paralisação afeta produção e seguro

A Árbore Engenharia, com 34 obras no Sudeste, Sul e Nordeste, reforçou a observação da previsão e os protocolos para materiais soltos, telas, andaimes, trabalho em altura e guindastes. Segundo a empresa, um canteiro executa em média 5% da obra por mês. Cinco dias improdutivos podem retirar cerca de 1,5% da produção mensal, embora o efeito varie por projeto. Paralisações e danos também podem elevar preços e prazos das apólices de seguro.

Adaptação ainda precisa ganhar escala

O seguro para danos à construção e responsabilidade por prejuízos a terceiros custa, em média, de 0,1% a 0,3% do valor da obra. Para uma reforma de R$ 400 mil, a estimativa é de cerca de R$ 800. Em infraestrutura, estudo do Instituto Internacional para Sustentabilidade estimou perdas anuais de até R$ 18 bilhões em cerca de 300 obras. O setor avançou na redução de impactos ambientais, mas a resiliência climática ainda está em fase inicial.

*Com informações de Valor Econômico

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.