Veja o resumo da notícia
- A Cury atrasou a entrega de cinco empreendimentos e outros quatro estão abaixo do cronograma.
- A construtora atribui os atrasos à dificuldade de contratar mão de obra e equipamentos no mercado imobiliário aquecido.
- Entre 2020 e 2025, os lançamentos anuais da Cury passaram de 17 para 37 empreendimentos, impulsionados pelo Minha Casa, Minha Vida.
- Os atrasos levaram a provisões de indenizações e despesas adicionais, elevando as despesas financeiras para R$ 22,1 milhões no 2T26.
- O Elo Santo André, um dos cinco empreendimentos atrasados, só foi concluído no fim de julho de 2026, cerca de quatro meses após o fim da tolerância contratual.
- Os cinco empreendimentos atrasados somam cerca de 2 mil apartamentos e R$ 600 milhões em vendas, segundo estimativa do Estadão.
- Clientes também questionam a cobrança de condomínio antes da entrega das chaves, prática que a Cury defende como contratual.

A Cury ultrapassou o prazo de entrega em cinco dos 87 canteiros que mantinha abertos, considerando a tolerância contratual de seis meses. Outros quatro empreendimentos estavam abaixo do cronograma e corriam risco de também exceder a data limite.
A construtora atribuiu os atrasos à dificuldade de contratar mão de obra e equipamentos em meio ao aquecimento do mercado imobiliário.
Em teleconferência com investidores, o copresidente da companhia, Paulo Curi, afirmou que a empresa não conseguiu recuperar o cronograma após um período de forte demanda. “Isso acabou pegando a gente numa contramão”, explicou.
Expansão acompanhou o avanço do MCMV
Entre 2020 e 2025, os lançamentos anuais da Cury passaram de 17 empreendimentos, com 8,2 mil apartamentos, para 37 projetos e 26,4 mil unidades. A empresa é especializada no Minha Casa, Minha Vida, que ampliou faixas de renda, tetos de preço e condições de financiamento no período.
A expansão do segmento econômico elevou a atividade de companhias já concentradas no programa e atraiu incorporadoras de padrões mais altos. Esse movimento aumentou a disputa por trabalhadores, prestadores e equipamentos nos canteiros, o que a Cury aponta como origem direta dos atrasos e das provisões registradas no balanço.
Entretanto, a Cury afirma que o problema ficou restrito aos cinco projetos já atrasados. A companhia também relata ganhos de produtividade na engenharia e espera recolocar no prazo os outros quatro empreendimentos com execução abaixo do planejado.
Provisões elevam despesas financeiras
Os atrasos levaram a empresa a provisionar indenizações e despesas adicionais de manutenção no segundo trimestre de 2026. As despesas financeiras chegaram a R$ 22,1 milhões, alta de 41,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O diretor financeiro João Mazzuco informou que novas provisões poderão ser constituídas se os quatro projetos em risco também ultrapassarem os prazos.
Projetos somam cerca de 2 mil apartamentos
Segundo estimativa do jornal Estadão, os cinco empreendimentos atrasados reúnem aproximadamente 2 mil apartamentos e R$ 600 milhões em vendas. A Cury foi procurada pela reportagem, mas não confirmou esses números.
As reclamações sobre atraso no Reclame Aqui se concentram em Guedala Park e Cidade Villa Jaguaré, em São Paulo; Energy Guarulhos; Elo Santo André; e Pateo Nazareth, no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.
Elo Santo André foi entregue com quatro meses de atraso
Entre os cinco empreendimentos citados, o Elo Santo André já teve seu desfecho. O prazo original de entrega estava previsto para setembro de 2025 e, somada a tolerância contratual de seis meses, o limite se estendia até março de 2026. As chaves só foram entregues no fim de julho de 2026, cerca de quatro meses além do prazo de tolerância.
O caso do Elo Santo André ilustra a extensão dos atrasos citados pela Cury e mostra que, apesar da demora, ao menos um dos cinco empreendimentos já teve a obra concluída.
Cobrança de condomínio gera contestação
Clientes também questionam a cobrança de condomínio antes da entrega das chaves. Em resposta publicada no Reclame Aqui, a Cury afirma que a obrigação começa com a instalação e a operação regular do condomínio, conforme o contrato de compra e venda.
O superintendente jurídico da Cury, Luiz Fernando Guimarães Lobato, afirma que a empresa paga a taxa quando a entrega atrasa por responsabilidade da construtora. Segundo ele, a companhia deixa de arcar com o custo quando o cliente está inadimplente ou recusa a chave sem justificativa, após os reparos apontados na vistoria.
Com informações de Estadão









