Veja o resumo da notícia
- O preço de imóveis residenciais desacelerou em maio, registrando alta de 0,42%, segundo o índice FipeZap.
- A valorização acumulada até agora é de 1,96%, ficando abaixo dos 3,33% observados no mesmo período de 2025.
- A perda de fôlego é atribuída à aceleração da inflação, que impactou os insumos da construção civil.
- A alta no valor de venda dos imóveis perde para a variação dos preços ao consumidor (IPCA) e para os índices gerais (IGP-M).
- A expectativa é que a valorização dos imóveis residenciais termine 2026 entre 4,7% e 5,2%, próxima à inflação.
- O cenário mais provável para 2026 é de valorização real próxima de zero na média nacional, segundo o coordenador do FipeZap.
- A escolha da configuração do imóvel é crucial para investidores, com imóveis de um dormitório valorizando mais.

O preço de imóveis residenciais voltou a desacelerar em maio, para uma alta de 0,42%, depois de subir 0,51% em abril, segundo o índice FipeZap. Faltando apenas o dado de junho para completar o semestre, fica praticamente cravado que a valorização do metro quadrado será inferior à observada em igual período de 2025.
Até agora, a alta acumulada é de 1,96%. Para chegar ou se aproximar do índice de 3,33% dos seis primeiros meses do ano passado, o indicador teria de subir, ao menos, em torno de 1,3% na próxima leitura, algo que não ocorre nos resultados mensais desde meados de 2013.
“Em 2026, as variações mensais têm ficado em uma faixa mais moderada, entre +0,20% e +0,51%, e a leitura de maio, de +0,42%, veio abaixo da de abril, que havia sido de +0,51%. Assim, caso junho mantenha um ritmo mais próximo das leituras recentes, por exemplo entre +0,35% e +0,50%, o primeiro semestre deve encerrar com valorização acumulada em torno de +2,3% a +2,5%. Portanto, a distância em relação ao desempenho observado no primeiro semestre de 2025 tende a permanecer relevante”, afirma Alison Oliveira, coordenador do FipeZap.
A perda de fôlego também ocorre por outras análises. Em 12 meses até maio de 2025, a valorização dos imóveis era de 7,66%; agora, está em 5,59%.
O FipeZap analisa os preços dos anúncios dos imóveis (não das transações).
Preço dos imóveis cresce próximo à inflação
Mais do que os resultados nominais mais brandos, outro fato que entrou como tônica do mercado é a aceleração da inflação, principalmente a partir de março, quando os efeitos da Guerra do Irã começaram a chegar à economia real, respingando também nos insumos da construção civil. Isso tem dificultado que o metro quadrado consiga, em média, subir mais do que os preços da economia.
A alta de janeiro a maio do valor de venda dos imóveis residenciais perde tanto para a variação dos preços ao consumidor (3,24% pelo IPCA) como para os índices gerais, em 3,74% pelo IGP-M. Em 2025, a valorização para o mesmo período foi pouco acima do IPCA e superou com folga o IGP-M, com alta de apenas 0,74% naquele momento.
“Para 2026, a leitura central é que o FipeZap deve apresentar uma valorização mais próxima da inflação medida pelo IPCA do que em 2025. Em 12 meses, o índice ainda acumula alta de +5,59%, acima do IPCA de +4,77%, mas esse resultado ainda carrega meses mais fortes de 2025. À medida que esses meses saem da janela de comparação e entram leituras mais moderadas de 2026, o acumulado em 12 meses tende a se aproximar do ritmo corrente”, diz Oliveira.
Segundo ele, o desempenho médio observado até aqui permite estimar que a alta dos imóveis residenciais termine 2026 entre 4,7% a 5,2%, ritmo próximo da expectativa para o IPCA o ano, de 5,09% pelo Boletim Focus, do Banco Central. “Para 2026, o cenário mais provável é de valorização real próxima de zero na média nacional”, completa.
Para o coordenador do FipeZap, a comparação com o IGP-M exige mais cautela, mesmo que o indicador esteja mais pressionado atualmente. “A aceleração recente do IGP-M parece estar mais relacionada a movimentos específicos e voláteis, especialmente ligados a preços de fretes internacionais, preços no atacado e câmbio, do que a uma tendência estrutural de inflação persistentemente maior”, afirma.
Neste cenário, fica evidente a importância da escolha de configuração de imóvel para o investidor que compra uma unidade mirando a revenda. A alta de preço em cinco meses de 2026 oscilou entre 0,98% para imóveis de três dormitórios e 2,76% para empreendimentos de um dormitório – ainda assim, este último fica abaixo da inflação.
Alta de imóveis perde força
Valorização mensal, em %
é a alta dos imóveis
de janeiro a maio de 2026
foi a alta no mesmo
período de 2025
Fonte: FipeZap
A abertura do índice FipeZap mostra que, em 2026, ganhar da inflação é um jogo que está fora dos maiores mercados do país, como São Paulo ou Rio de Janeiro. Onze capitais mantêm altas expressivas até maio, sendo sete delas litorâneas, a maioria na região Nordeste.
Veja as capitais com maior alta no preço de imóveis residenciais em 2026:
Vitória (ES): +5,41%
Salvador (BA): +5,13%
Manaus (AM): +5,10%
Fortaleza (CE): +4,69%
Natal (RN): +4,66%
Campo Grande (MS): +4,60%
Aracaju (SE): +4,57%
Florianópolis (SC): +4,14%
Belém (PA): +4,04%
Teresina (PI): +3,96%
Maceió (AL): +3,41%
IPCA (IBGE): +3,24%
Média Índice FipeZap: +1,96%
“Essas regiões [do Norte e do Nordeste] seguem liderando em intensidade de valorização, mas há ganhos reais relevantes também em mercados como Vitória, Florianópolis, Curitiba [esta última, com valorização mais relevante no horizonte de 12 meses, de 5,02%] e algumas capitais do Centro-Oeste. Ao mesmo tempo, a perda real tem se concentrado em grandes mercados”, resume Oliveira.







